quarta-feira, 16 de junho de 2010

Não basta reduzir o desmatamento

Para reduzir as emissões de carbono pela floresta não basta diminuir o desmatamento, é preciso também evitar o uso do fogo em áreas já desmatadas. A conclusão está em um estudo realizado por Luiz Eduardo Aragão, da Universidade de Exeter, Reino Unido, e Yosio Shimabukuro, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), publicado na edição desta sexta-feira da revista Science.

Durante a elaboração do artigo “A Incidência de Queimadas nas Florestas da Amazônia e suas implicações para o REDD”, os pesquisadores usaram imagens de satélite do Inpe para analisar as taxas de desmatamento e compará-las com dados sobre queimadas na Amazônia Brasileira.

“Usamos dados disponíveis para tentar entender como as queimadas respondem a cenários de redução de desmatamento, semelhantes aos que devem ocorrer com a implantação da REDD. E tivemos uma surpresa: em 59% das áreas onde houve redução no desmatamento ocorreu também o aumento da indicência de queimadas”, afirma Luis Aragão.

O Brasil tem conseguido reduzir as taxas de desmatamento, mas a área total de floresta destruída continua a aumentar, embora em ritmo menor. Isto significa, conforme explica Luiz Aragão, que a floresta secundária, a fragmentação da mata primária e a área de borda, mais suscetíveis ao fogo, continuam a aumentar ano a ano.

Além disto, o fogo que começa nas capoeiras invade o subbosque das florestas, levando à degradação destas áreas e à emissão de carbono. Esta degradação não é contabilizada no monitoramento do desmatamento e das emissões. “Não se olha o que ocorre por baixo, no subbosque”, destaca o doutor em Sensoreamento Remoto.

Carlos Borges

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