A 6ª Turma do TRF da 1ª Região, por unanimidade, confirmou a legitimidade da Companhia Vale do Rio Doce - CVRD para figurar no processo que trata de danos ao meio ambiente causados pelo naufrágio do navio Trade Daring, que afundou na Baía de São Marcos, em São Luís, Maranhão.
O MPF apresentou ação contra a CVRD, a Smit Tak, empresa holandesa contratada pela CVRD, para o trabalho de reflutuação e remoção dos destroços da embarcação - ação conhecida por salvatagem –, e a Milea Maritime, suposta proprietária da embarcação, acusando-as de responsabilidade civil pelo fato de o navio Trade Daring ter afundado em razão de carga excessiva de minérios de ferro e manganês nos porões. Na ação, o MPF requereu que as empresas removessem todo o óleo que estava sendo derramado no minério e só depois retirassem o navio do porto por estarem causando danos ambientais.
As empresas, visando cada uma liberar-se da relação processual, afirmaram em primeira instância que estariam excluídas de responsabilidade civil. Alegaram não terem contribuído diretamente para o incidente. No caso, a decisão de 1º grau enfatizou o papel das três empresas no desenrolar do acontecido e explicou ter sido a CVRD quem solicitou autorização à Capitania dos Portos para iniciar as ações de reflutuação e remoção dos destroços da embarcação (salvatagem), com recursos próprios, tendo em vista a sua competência prevista no art. 33, § 1º, X, da Lei nº 8.630/93. Ao fazê-lo, lembrou o magistrado que esta assumira os riscos da operação, num momento delicado e com iminente perigo de vazamento de óleo nas águas da Baía de São Marcos.
O relator no TRF, desembargador federal Daniel Paes Ribeiro, reafirmou entendimento de 1º grau de que, em se tratando de dano ambiental, deve-se aplicar a teoria do risco integral, vigorante em tais circunstâncias, de que o simples fato do dano resultante de qualquer atividade lesiva ao meio ambiente impõe o dever imediato, direto, de ressarcimento e de recomposição dos bens lesados. As empresas não ficam excluídas de responsabilidade civil pelos danos eventuais ao meio ambiente, resultantes do acidente, tendo em vista que “toda e qualquer pessoa que tenha concorrido para sua existência tem legitimidade para figurar no polo passivo de ação visando à prevenção e à reparação de tais danos, assim consideradas todas as pessoas que tenham interesses econômicos em empreendimento potencialmente danoso, independentemente de dolo ou culpa”.
Apelação Cível: 2000.01.00.101067-9/MA
(*) Acompanhe diariamente os principais conteúdos jurídicos em http://www.twitter.com/editoramagister
Fonte: TRF 1
Postado por: Sandra Jesus - turma 0505
O Blog pretende: reunir reportagens sobre tragédias ambientais locais, regionais, nacionais e internacionais, como ponto de partida da comprovação do Aquecimento Global, e ser um Forum de discussão permanente.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Varas especializadas em direito ambiental e agrário serão instaladas em Belém e Manaus
As cidades de Belém/PA e Manaus/AM receberão, esta semana, as primeiras varas especializadas em matéria ambiental e agrária da Justiça Federal da Primeira Região.
Na próxima quinta-feira, dia 27, o presidente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, desembargador federal Olindo Menezes, fará a instalação da primeira vara, no Pará. O evento está marcado para as 10h, na sede da Seção Judiciária, localizada na Rua Domingos Marreiros, 598, em Belém.
Em Manaus, a instalação da vara será realizada no dia 28, sexta-feira, também pelo presidente do TRF da Primeira Região. A solenidade acontecerá às 10h, no Anfiteatro Cacique Ajuricaba, Avenida André Araújo, 25, edifício Rio Negro, sede da Justiça Federal do Amazonas.
As novas varas têm competência para julgar ações cíveis, criminais e de execuções fiscais relacionadas ao Direito Ambiental ou Agrário. Todos os processos que envolvem esses assuntos e que já tramitam nas seções judiciárias serão redistribuídos. De acordo com um levantamento preliminar da Divisão de Estatística do TRF, as duas novas varas juntas começarão a funcionar com um acervo de aproximadamente cinco mil processos.
As varas especializadas em matéria ambiental e agrária fazem parte das 230 criadas pela Lei n.º 12.011/2009. A especialização, apoiada por ambientalistas e organizações não governamentais que defendem o meio ambiente, deve dar celeridade ao andamento dos processos que tratam de crimes contra a natureza. O TRF da 1.ª Região irá instalar, ainda neste ano, mais duas varas ambientais na região Amazônica, em São Luís/ MA e Porto Velho /RO.
O TRF da Primeira Região tem jurisdição sobre 13 estados (MG, BA, GO, MT, MA, PI, PA, TO, AM, RO, RR, AC, e AP), além do Distrito Federal, totalizando cerca de 80% do território nacional.
O desembargador federal Olindo Menezes, presidente do TRF /1.ª Região, atenderá a imprensa ao final das solenidades de instalação.
FONTE: http://www.editoramagister.com/noticia_ler.php?id=44432
POSTADO POR: Laís Diane Silva Pinto - turma 0505
Na próxima quinta-feira, dia 27, o presidente do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, desembargador federal Olindo Menezes, fará a instalação da primeira vara, no Pará. O evento está marcado para as 10h, na sede da Seção Judiciária, localizada na Rua Domingos Marreiros, 598, em Belém.
Em Manaus, a instalação da vara será realizada no dia 28, sexta-feira, também pelo presidente do TRF da Primeira Região. A solenidade acontecerá às 10h, no Anfiteatro Cacique Ajuricaba, Avenida André Araújo, 25, edifício Rio Negro, sede da Justiça Federal do Amazonas.
As novas varas têm competência para julgar ações cíveis, criminais e de execuções fiscais relacionadas ao Direito Ambiental ou Agrário. Todos os processos que envolvem esses assuntos e que já tramitam nas seções judiciárias serão redistribuídos. De acordo com um levantamento preliminar da Divisão de Estatística do TRF, as duas novas varas juntas começarão a funcionar com um acervo de aproximadamente cinco mil processos.
As varas especializadas em matéria ambiental e agrária fazem parte das 230 criadas pela Lei n.º 12.011/2009. A especialização, apoiada por ambientalistas e organizações não governamentais que defendem o meio ambiente, deve dar celeridade ao andamento dos processos que tratam de crimes contra a natureza. O TRF da 1.ª Região irá instalar, ainda neste ano, mais duas varas ambientais na região Amazônica, em São Luís/ MA e Porto Velho /RO.
O TRF da Primeira Região tem jurisdição sobre 13 estados (MG, BA, GO, MT, MA, PI, PA, TO, AM, RO, RR, AC, e AP), além do Distrito Federal, totalizando cerca de 80% do território nacional.
O desembargador federal Olindo Menezes, presidente do TRF /1.ª Região, atenderá a imprensa ao final das solenidades de instalação.
FONTE: http://www.editoramagister.com/noticia_ler.php?id=44432
POSTADO POR: Laís Diane Silva Pinto - turma 0505
Gerenciamento costeiro em debate
Governava o Estado de Pernambuco no ano de 1998 Miguel Arraes e foi durante o seu governo que implantou as bases do desenvolvimento sustentável da zona costeira através da firme determinação de realizar o Gerenciamento Econômico Ecológico e Costeiro para o litoral norte e sul.
O diagnóstico, planejamento, objetivava identificar as zonas de desenvolvimento: comércio, indústria, hotelaria, preservação e conservação de áreas de interesse ambiental. Foi uma iniciativa que hoje podemos chamar de preparação para a sustentabilidade econômica e ambiental. Em relação ao litoral sul posso falar com bastante propriedade, pois participei das oficinas com representantes do setor industrial, hotelaria, comércio, meio ambiente, pescadores, representantes das prefeituras, universidades e de várias entidades do governo do Estado. Éramos um grupo eclético e representativo.
O Distrito Industrial de Suape, pertencente ao município do Ipojuca, sabíamos que cedo iria atrair inúmeras fábricas devido a sua importância geográfica de proximidade com outros continentes no que facilitaria o comércio e o desenvolvimento regional. Hoje já é uma realidade incontestável. Contudo, observo que os grandes objetivos e intuições do Gerco, ainda são atuais no qual podemos recuperar este instrumento para servir de norte no planejamento econômico, industrial e ambiental. Recomendo a leitura desta legislação Estadual de Pernambuco a todos, principalmente quem trabalha na área de planejamento e assessoria.
Em relação às Unidades de Conservação mesmo ainda não existindo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da lei 9985/2000, o Gerco, já indicava áreas para a criação de Reservas Extrativistas a exemplo da que está em curso nos municípios de Sirinhaém e Ipojuca, através do ICMBio. Tal Resex só não foi criada na época por carência de uma legislação e a saída para resolver o conflito fundiário não logrou êxito e os mesmos problemas continuam existindo. Sendo Resex, que não segredo para ninguém as ilhas que hoje ainda estão aforadas retornariam para a Gerência Regional do Patrimônio da União através da prévia e justa indenização cabível e esta passaria para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que fará a gestão da unidade de conservação com todos os atores interessados: governo do Estado, município, pescadores e outros.
Com tantos atores envolvidos e principalmente com a valiosa participação do governo do Estado poderíamos colocar em prática as orientações do Gerco, nesta faixa litorânea com plenas possibilidades de executarmos com firme propósito e diálogo a pratica da economia sustentável nesta cidade tão carente e sofrida no qual as pessoas terão oportunidade de continuar na sua profissão pesqueira, trabalhar na área da hotelaria e industrial já que fica perto do pólo industrial ou através de empresas instaladas em Sirinhaém. Para facilitar esse trabalho o Serviço de Patrimônio da União, através da portaria N.89, de 15 de abril de 2010, publicada no Diário Oficial da União em 16/04/10, seção 01, orientação disciplinando o aproveitamento dos imóveis da União em favor das comunidades tradicionais que notadamente podem ser colocadas a serviço de todos.
Tenho plena convicção que não existe espaço para qualquer dificuldade, pertencemos a mesma matriz de pensamento, pois o histórico, a compreensão da realidade e os propósitos comuns já foram postos e que cada um dentro da sua competência faça a sua parte.
Por Thiago Henrique (0505)
O diagnóstico, planejamento, objetivava identificar as zonas de desenvolvimento: comércio, indústria, hotelaria, preservação e conservação de áreas de interesse ambiental. Foi uma iniciativa que hoje podemos chamar de preparação para a sustentabilidade econômica e ambiental. Em relação ao litoral sul posso falar com bastante propriedade, pois participei das oficinas com representantes do setor industrial, hotelaria, comércio, meio ambiente, pescadores, representantes das prefeituras, universidades e de várias entidades do governo do Estado. Éramos um grupo eclético e representativo.
O Distrito Industrial de Suape, pertencente ao município do Ipojuca, sabíamos que cedo iria atrair inúmeras fábricas devido a sua importância geográfica de proximidade com outros continentes no que facilitaria o comércio e o desenvolvimento regional. Hoje já é uma realidade incontestável. Contudo, observo que os grandes objetivos e intuições do Gerco, ainda são atuais no qual podemos recuperar este instrumento para servir de norte no planejamento econômico, industrial e ambiental. Recomendo a leitura desta legislação Estadual de Pernambuco a todos, principalmente quem trabalha na área de planejamento e assessoria.
Em relação às Unidades de Conservação mesmo ainda não existindo o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da lei 9985/2000, o Gerco, já indicava áreas para a criação de Reservas Extrativistas a exemplo da que está em curso nos municípios de Sirinhaém e Ipojuca, através do ICMBio. Tal Resex só não foi criada na época por carência de uma legislação e a saída para resolver o conflito fundiário não logrou êxito e os mesmos problemas continuam existindo. Sendo Resex, que não segredo para ninguém as ilhas que hoje ainda estão aforadas retornariam para a Gerência Regional do Patrimônio da União através da prévia e justa indenização cabível e esta passaria para o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que fará a gestão da unidade de conservação com todos os atores interessados: governo do Estado, município, pescadores e outros.
Com tantos atores envolvidos e principalmente com a valiosa participação do governo do Estado poderíamos colocar em prática as orientações do Gerco, nesta faixa litorânea com plenas possibilidades de executarmos com firme propósito e diálogo a pratica da economia sustentável nesta cidade tão carente e sofrida no qual as pessoas terão oportunidade de continuar na sua profissão pesqueira, trabalhar na área da hotelaria e industrial já que fica perto do pólo industrial ou através de empresas instaladas em Sirinhaém. Para facilitar esse trabalho o Serviço de Patrimônio da União, através da portaria N.89, de 15 de abril de 2010, publicada no Diário Oficial da União em 16/04/10, seção 01, orientação disciplinando o aproveitamento dos imóveis da União em favor das comunidades tradicionais que notadamente podem ser colocadas a serviço de todos.
Tenho plena convicção que não existe espaço para qualquer dificuldade, pertencemos a mesma matriz de pensamento, pois o histórico, a compreensão da realidade e os propósitos comuns já foram postos e que cada um dentro da sua competência faça a sua parte.
Por Thiago Henrique (0505)
Custo do acidente no golfo do México supera R$ 1,4 bilhão
A companhia petrolífera British Petroleum (BP) informou hoje que o custo para conter o vazamento de petróleo no golfo do México chega a 523 milhões de libras (R$ 1,4 bilhão).
Em uma nota, a empresa britânica indicou que só na última semana o custo foi de 135 milhões de libras (R$ 247 milhões), mas disse que é ainda prematuro calcular qual será a despesa final das operações após o acidente ocorrido de 20 de abril com a plataforma Deepwater Horizon.
A companhia petrolífera concedeu ajudas aos estados dos afetados, Flórida, Alabama, Louisiana e Mississipi, mas o vazamento de petróleo ainda continua, a um ritmo estimado pela empresa de 800 mil litros diários. A estimativa, porém, é questionada por especialistas.
A mancha negra já atingiu a Louisiana, ameaçando a indústria turística e pesqueira locais. O óleo também atingiu uma corrente marinha que se dirige à Flórida e pode se espalhar para Cuba
Por Thiago Henrique (0505)
Em uma nota, a empresa britânica indicou que só na última semana o custo foi de 135 milhões de libras (R$ 247 milhões), mas disse que é ainda prematuro calcular qual será a despesa final das operações após o acidente ocorrido de 20 de abril com a plataforma Deepwater Horizon.
A companhia petrolífera concedeu ajudas aos estados dos afetados, Flórida, Alabama, Louisiana e Mississipi, mas o vazamento de petróleo ainda continua, a um ritmo estimado pela empresa de 800 mil litros diários. A estimativa, porém, é questionada por especialistas.
A mancha negra já atingiu a Louisiana, ameaçando a indústria turística e pesqueira locais. O óleo também atingiu uma corrente marinha que se dirige à Flórida e pode se espalhar para Cuba
Por Thiago Henrique (0505)
Enchentes matam 12 na Polônia; rio Vístula transborda
O rio Vístula, que atravessa Varsóvia, transbordou em um setor da capital polonesa, agravando ainda mais as enchentes que já provocaram a morte de 12 pessoas nos últimos dias.
As imagens da televisão mostraram neste domingo moradores e empregados dos serviços de emergência erguendo barreiras provisórias com sacos de areia. Até agora, a inundação afetou um setor não residencial de Varsóvia e as autoridades polonesas disseram que os moradores não estão em zonas sob risco iminente de enchentes.
A prefeita de Varsóvia, Hanna Gronkiewicz-Waltz, ordenou que as escolas próximas ao rio fossem fechadas e as aulas suspensas. Segundo ela, embora as águas tenham começado a baixar neste domingo, as áreas próximas ao Vístula ainda estarão sujeitas a enchentes até a terça-feira.
"A ameaça é real. É questão de vida ou de morte e é melhor que as crianças fiquem com seus pais em casa. Este é um desastre que já custou 12 vidas", disse a prefeita. Muitos poloneses, nos últimos dias, se recusaram a deixar suas casas com medo de saques.
A localidade de Swiniary, perto de Plock, enfrentou enchentes neste domingo, após o Vístula ter transbordado. Imagens da televisão mostravam que a água chegava perto dos tetos de algumas casas.
Na cidade de Wroclaw (Vratislavia), na Baixa Silésia, um bairro inteiro ficou debaixo das águas, após o rio Oder ter transbordado no sábado. As informações são da Associated Press.
Postado por GERALDO JR (0505)
As imagens da televisão mostraram neste domingo moradores e empregados dos serviços de emergência erguendo barreiras provisórias com sacos de areia. Até agora, a inundação afetou um setor não residencial de Varsóvia e as autoridades polonesas disseram que os moradores não estão em zonas sob risco iminente de enchentes.
A prefeita de Varsóvia, Hanna Gronkiewicz-Waltz, ordenou que as escolas próximas ao rio fossem fechadas e as aulas suspensas. Segundo ela, embora as águas tenham começado a baixar neste domingo, as áreas próximas ao Vístula ainda estarão sujeitas a enchentes até a terça-feira.
"A ameaça é real. É questão de vida ou de morte e é melhor que as crianças fiquem com seus pais em casa. Este é um desastre que já custou 12 vidas", disse a prefeita. Muitos poloneses, nos últimos dias, se recusaram a deixar suas casas com medo de saques.
A localidade de Swiniary, perto de Plock, enfrentou enchentes neste domingo, após o Vístula ter transbordado. Imagens da televisão mostravam que a água chegava perto dos tetos de algumas casas.
Na cidade de Wroclaw (Vratislavia), na Baixa Silésia, um bairro inteiro ficou debaixo das águas, após o rio Oder ter transbordado no sábado. As informações são da Associated Press.
Postado por GERALDO JR (0505)
Tremores de 4,9 e 4,6 graus atingem norte do México
Tijuana (México), 22 mai (EFE).- Dois terremotos de 4,9 e 4,6 graus na escala Richter atingiram hoje o noroeste do México, sem causar danos nem feridos, informou hoje o Serviço Sismológico Nacional (SMN) do país.
O primeiro tremor, de 4,9 graus e seis quilômetros de profundidade, ocorreu a 13 quilômetros ao noroeste da cidade de Santa Isabel, no estado da Baixa Califórnia.
Alguns minutos depois, um segundo tremor, de 4,6 graus e 10 quilômetros de profundidade, atingiu uma área a 21 quilômetros ao noroeste da cidade de Mexicali, também na Baixa Califórnia.
O diretor de Defesa Civil estadual, Alfredo Escobedo, disse à Agência Efe que não foram registrados danos nem sequer em Mexicali, onde o segundo tremor foi sentido com mais força.
Em 4 de abril, um terremoto de 7,2 graus abalou fortemente a cidade de Mexicali, deixando dois mortos, 232 feridos e afetando serviços públicos básicos durante dois dias.
Nessa cidade, fronteiriça com a Califórnia (Estados Unidos), vivem cerca de 940 mil pessoas
Por Iris Brunet (0505)
O primeiro tremor, de 4,9 graus e seis quilômetros de profundidade, ocorreu a 13 quilômetros ao noroeste da cidade de Santa Isabel, no estado da Baixa Califórnia.
Alguns minutos depois, um segundo tremor, de 4,6 graus e 10 quilômetros de profundidade, atingiu uma área a 21 quilômetros ao noroeste da cidade de Mexicali, também na Baixa Califórnia.
O diretor de Defesa Civil estadual, Alfredo Escobedo, disse à Agência Efe que não foram registrados danos nem sequer em Mexicali, onde o segundo tremor foi sentido com mais força.
Em 4 de abril, um terremoto de 7,2 graus abalou fortemente a cidade de Mexicali, deixando dois mortos, 232 feridos e afetando serviços públicos básicos durante dois dias.
Nessa cidade, fronteiriça com a Califórnia (Estados Unidos), vivem cerca de 940 mil pessoas
Por Iris Brunet (0505)
Malária pode não ser afetada por aquecimento global, diz estudo
Medidas para combater a malária parecem estar neutralizando a esperada difusão da doença com o aumento da temperatura global.
Em estudo publicado na revista "Nature", o pesquisador Peter Gething, da Universidade de Oxford, comparou um mapa contendo áreas de incidência da doença em 2007 com outro de 1900, quando a temperatura mundial estava 0,7 ºC menor.
Gething descobriu que a proporção da área terrestre em que a malária é endêmica caiu de 58% para 30%. A taxa de transmissão da doença também caiu em quase todos os lugares avaliados.
A análise sugere que a incidência de malária pode não crescer em decorrência do aquecimento global.
Segundo o autor, as melhorias nos sistemas de saúde pública e de controle da doença, ao longo das décadas, superam os efeitos ainda fracos do aquecimento.
O resultado, contudo, pode esconder mudanças nos padrões espaciais de incidência. A malária pode atingir novas regiões, mesmo que, na soma total, ocorra uma queda na área de incidência.
Por Thiago Henrique (0505)
Em estudo publicado na revista "Nature", o pesquisador Peter Gething, da Universidade de Oxford, comparou um mapa contendo áreas de incidência da doença em 2007 com outro de 1900, quando a temperatura mundial estava 0,7 ºC menor.
Gething descobriu que a proporção da área terrestre em que a malária é endêmica caiu de 58% para 30%. A taxa de transmissão da doença também caiu em quase todos os lugares avaliados.
A análise sugere que a incidência de malária pode não crescer em decorrência do aquecimento global.
Segundo o autor, as melhorias nos sistemas de saúde pública e de controle da doença, ao longo das décadas, superam os efeitos ainda fracos do aquecimento.
O resultado, contudo, pode esconder mudanças nos padrões espaciais de incidência. A malária pode atingir novas regiões, mesmo que, na soma total, ocorra uma queda na área de incidência.
Por Thiago Henrique (0505)
Perda sem fronteiras
São Paulo - O incêndio que destruiu o acervo científico do Butantan, na manhã do último sábado, representou uma perda irreparável não apenas para o próprio Instituto, mas também para outras instituições de pesquisa. O Butantan armazenava exemplares emprestados de outras instituições, como os museus de zoologia de Londres, Paris e da Universidade de São Paulo (USP). Livros raros também se foram para sempre.
O levantamento oficial sobre as perdas ainda não começou, mas já se sabe que a maior coleção de cobras da região neotropical foi perdida. Iniciada há 120 anos, a coleção tinha cerca de 85 mil cobras, de centenas de espécies, além de cerca de 450 mil exemplares de aranhas e escorpiões.
Entre os milhares de animais incinerados estavam centenas de “tipos”, que são os primeiros exemplares usados para a descrição de uma espécie e que se torna a referência para ela. Toda vez que um pesquisador quiser confrontar dados, é ao “tipo” que ele vai recorrer. Segundo Hussam Zaher, diretor do Museu de Zoologia da USP, cerca de 30 % dos “tipos” de serpentes foram perdidos no incêndio.
Além disso, muitos dos animais queimados eram exemplares únicos de espécies raras ou já extintas, como a Corallus cropanii, espécie de serpente endêmica do Estado de São Paulo. Atualmente, havia apenas quatro exemplares do animal, três deles estavam no Butantan. Além da C. cropanni, exemplares raros dos gêneros Sordellina, Gomesophis e Siphlophis se foram.
Por Lawetna Tôrres (0505)
O levantamento oficial sobre as perdas ainda não começou, mas já se sabe que a maior coleção de cobras da região neotropical foi perdida. Iniciada há 120 anos, a coleção tinha cerca de 85 mil cobras, de centenas de espécies, além de cerca de 450 mil exemplares de aranhas e escorpiões.
Entre os milhares de animais incinerados estavam centenas de “tipos”, que são os primeiros exemplares usados para a descrição de uma espécie e que se torna a referência para ela. Toda vez que um pesquisador quiser confrontar dados, é ao “tipo” que ele vai recorrer. Segundo Hussam Zaher, diretor do Museu de Zoologia da USP, cerca de 30 % dos “tipos” de serpentes foram perdidos no incêndio.
Além disso, muitos dos animais queimados eram exemplares únicos de espécies raras ou já extintas, como a Corallus cropanii, espécie de serpente endêmica do Estado de São Paulo. Atualmente, havia apenas quatro exemplares do animal, três deles estavam no Butantan. Além da C. cropanni, exemplares raros dos gêneros Sordellina, Gomesophis e Siphlophis se foram.
Por Lawetna Tôrres (0505)
A tragédia no Golfo do México compromete a exploração de petróleo no mar?
Philip Bethge, Alexander Jung, Nils Klawitter e Renate Nimtz-Koester
George El Khouri Andolfato
A catástrofe de petróleo que aflige o Golfo do México ressalta quão perigosa pode ser a exploração de petróleo em alto-mar. As companhias de petróleo estão buscando extrair os últimos barris remanescentes do planeta explorando locais cada vez mais profundos no leito do oceano, que nem mesmo seriam considerados a não muitos anos atrás.
As manchas marrom-avermelhadas de petróleo que agora cobrem o Golfo do México percorreram uma longa jornada. Rastrear essa jornada exige mergulhar 1.500 metros de profundidade no oceano, passar por uma imensa camada de lama e finalmente uma camada dura de sal.
O petróleo veio de mais de quatro quilômetros abaixo do leito do oceano, em camadas de rocha formadas há milhões de anos, durante o período Terciário. É um calor escaldante ali, uma verdadeira jornada ao inferno, mas atualmente empresas como BP, Shell, ExxonMobil e Chevron estão ousando cada vez mais fazer essa jornada. Um sobrevoo pelo local onde a plataforma Deepwater Horizon afundou no final de abril revela outras dezenas de plataformas de petróleo se projetando da água no horizonte, como brinquedos boiando em uma banheira.
O governo dos Estados Unidos estima que atualmente existam cerca de 60 bilhões de barris de petróleo sob o leito do oceano no Golfo do México. Essa enorme reserva seria suficiente para manter a economia americana –com suas caminhonetes, Chevrolets, Learjets e Boeings, suas indústrias química e de materiais– funcionando por quase outra década. A pergunta, entretanto, é quão perigosa realmente é essa extração de petróleo em águas profundas. A explosão catastrófica da Deepwater Horizon, que custou a vida de 11 tripulantes, voltou os holofotes para os desafios da prospecção em alto-mar.
Nas fronteiras da geologia, geografia e tecnologia
A tentativa de suspender os vazamentos de petróleo no leito do oceano faz lembrar o resgate da espaçonave Apollo 13, danificada em sua jornada à Lua em 1970, admite o presidente-executivo da BP, Tony Hayward. “A indústria de energia está claramente trabalhando nas fronteiras da geologia, geografia e tecnologia”, ele disse à “Spiegel” em uma entrevista.
O almirante Thad Allen da Guarda Costeira americana, nomeado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para coordenar os esforços de resposta ao vazamento de petróleo, também lamentou a “tirania da distância e a tirania da profundidade”. O trabalho de contenção usando veículos operados por controle remoto em um poço a uma profundidade de 1.500 metros é “sem precedente”, acrescentou Allen.
Nesta semana fracassaram os esforços para baixar um domo de contenção de 100 toneladas de aço sobre o local do vazamento, porque hidratos de metano que se acumularam rapidamente bloquearam o dispositivo. Agora a BP está tentando um procedimento com um domo muito menor. Ainda assim, mesmo se essa missão de resgate for bem-sucedida, os efeitos do desastre serão sentidos por anos. A área de mar coberta em petróleo já é duas vezes maior do que Luxemburgo.
Os primeiros traços de petróleo chegaram às praias das Ilhas Chandeleur, um arquipélago desabitado além da costa da Louisiana, na sexta-feira. Cerca de 10 mil pessoas trabalhavam febrilmente para impedir a chegada do petróleo a mais trechos da costa. Aviões Lockheed C-130 espalharam toneladas de uma mistura química chamada Corexit, que é usada para dissolver e dispersar petróleo derramado –mas que há suspeita de que ele próprio possa causar mal aos ecossistemas marinhos. Os setores de turismo e pesca preveem bilhões em perdas.
‘Não é para os fracos de coração’
Uma enxurrada sem precedente de queixas atingiu a BP e a Transocean, a empresa que operava a Deepwater Horizon. “O que ocorreu no Golfo do México é precisamente o que vínhamos alertando”, criticou o geólogo Klaus Bitzer, da Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e Gás. “Eles interferiram com coisas que é melhor serem deixadas em paz.”
Se as companhias de petróleo continuarem extraindo petróleo de águas cada vez mais profundas, prevê o professor da Universidade de Bayreuth, no sul da Alemanha, nós podemos esperar que desastres como este, além da costa da Louisiana, Alabama, Mississippi e Flórida, se tornem mais frequentes. No momento não se sabe qual o grau de culpa da BP no desastre, diz Bitzer, “mas há uma acusação que podemos fazer contra a indústria agora: a recusa ferrenha em reconhecer a realidade na avaliação das possibilidades futuras na produção de petróleo”.
A ousadia dos barões do petróleo parece sem limites diante da crise. “A arena de águas profundas não é para os fracos de coração ou para os insuficientemente financiados”, escreve Mark Riding, um especialista da empresa de exploração de petróleo Schlumberger, na edição de maio da “Offshore”, uma revista dedicada ao setor de petróleo em alto-mar, mas “com o sucesso vem o entusiasmo”.
Leitos oceânicos profundos ricos em petróleo existem por todo o globo. Riding oferece uma avaliação simplista das águas além das costas de Madagáscar, do Chifre da África, Groenlândia, sul da Península Arábica e ao longo das plataformas continentais ao redor do Atlântico, “todos alvos maduros para prospecção”.
As águas profundas se tornaram um playground para engenheiros e estrategistas do mercado de energia. Esse entusiasmo, entretanto, nasceu da necessidade. As empresas multinacionais dificilmente se aventurariam voluntariamente a extrair de reservatórios submarinos difíceis. Mas essa é a última opção que lhes resta. Por cerca de cinco anos a produção mundial de petróleo se manteve constante em cerca de 85 milhões de barris por dia. “Apesar da indústria ter voltado a fazer investimentos pesados entre 2003 e 2008, ela não consegue acompanhar o aumento da demanda por petróleo”, disse Sadad al Husseini, ex-vice-presidente da empresa de petróleo Saudi Aramco, à revista “Petroleum Technology”. “No final, ela foi incapaz de ultrapassar esse patamar de produção.”
Grande parte do petróleo mundial é extraído de campos que foram descobertos há mais de 60 anos, sem o envolvimento de tecnologia complexa. Hoje, os prospectores precisam usar métodos caros para procurar por novos campos de petróleo que ficam localizados em alguns dos lugares mais inacessíveis do mundo, para extrair quantidades de petróleo antes consideradas marginais.
‘As exigências técnicas da prospecção são ampliadas enormemente pela profundidade’
São particularmente as empresas do Ocidente que atualmente carecem, em grande parte, de acesso a locais fáceis, baratos e promissores na Ásia e América Latina. Todos esses lugares são de propriedade de companhias nacionais de petróleo como Saudi Aramco (Arábia Saudita), Gazprom (Rússia), NIOC (Irã) e PDVSA (Venezuela), que são total ou parcialmente estatais. Essas empresas são as verdadeiras gigantes do setor e controlam mais de três quartos das reservas globais. A Saudi Aramco, em particular, se encontra em uma divisão própria. Se a empresa fosse de capital aberto, ela seria disparadamente a empresa mais valiosa do mundo.
Essas gigantes nacionais mantêm uma distância profissional dos velhos barões de Houston, Londres ou Haia, e não permitem mais que as empresas ocidentais deem ordens. As empresas estatais não mais precisam do dinheiro ou perícia ocidentais –quando precisam da mais recente tecnologia de perfuração, elas contratam empresas especializadas como Schlumberger, Halliburton ou Transocean.
O “Big Oil”, como as antigas empresas privadas ainda são chamadas, controla apenas cerca de 10% das reservas globais de petróleo e gás. Apenas os projetos mais complexos, caros e perigosos sobram para a BP e corporações semelhantes. A necessidade está levando essas empresas a expandir suas fronteiras o mais longe possível, explorando reservas que ninguém mais deseja tocar.
‘Não resta outra opção’
“O motivo para a BP e outras companhias petrolíferas expandirem os limites da tecnologia para exploração e extração é porque não resta outra opção”, diz o geólogo Bitzer. As empresas investiram bilhões em exploração em profundidades que nem mesmo seriam consideradas no passado. Cada novo método de exploração que desenvolvem é enormemente celebrado dentro do setor. Mas, na verdade, cada um apenas adia um pouco mais o momento em que o fluxo de petróleo finalmente secará.
As companhias de petróleo deixaram há muito tempo de usar plataformas firmemente ancoradas no leito do oceano. Agora, monstruosidades conhecidas como plataformas de petróleo semissubmersíveis flutuam sobre os oceanos, acima de quilômetros de água. Dutos de interligação feitos de aço especial ou compostos extremamente fortes descem a enormes profundidades, já que os dutos normais arrebentariam lá sob seu próprio peso.
Em uma profundidade de 1.500 metros, a água tem 5ºC, enquanto os jorros de petróleo saem a temperaturas quase de fervura. O resultado é um stress extremo dos materiais.
Enquanto isso, engenheiros estão mergulhando cada vez mais fundo. A Deepwater Horizon, construída em 2001, era uma das plataformas de petróleo mais modernas do mundo, capaz de suportar ondas de 12 metros e ventos com força de furacão. Ela podia até mesmo operar em profundidades de até 3 mil metros.
Os riscos são consideráveis. “As exigências técnicas da prospecção são ampliadas enormemente pela profundidade”, explica Tim Robertson da consultoria Nuka Research and Planning Group, em Seldovia, Alasca. Fortes correntes nas profundezas frequentemente provocam stress nos dutos. Além disso, o petróleo deve ser mantido o mais quente possível, para impedir que o gás natural que ele contém congele juntamente com a água do mar em compostos chamados hidratos de gás, que podem entupir os dutos.
Mas acima de tudo, é a enorme pressão nos reservatórios nas profundezas que torna o trabalho tão perigoso. As companhias de petróleo estão perfurando camadas rochosas onde cada centímetro quadrado está sujeito a uma pressão equivalente ao peso de um carro de porte médio. Perfurar nesses reservatórios de gás ou petróleo representa um risco dos combustíveis serem expelidos para cima de uma forma explosiva e descontrolada.
Uma técnica perigosa
Os engenheiros tentam impedir esse tipo de erupção perigosa forçando constantemente fluido de perfuração no furo de sondagem. Esse líquido especial deve estar sujeito à mesma pressão que o gás e petróleo expelidos para fora –uma tarefa extremamente difícil.
Precisamente essa erupção temível é o que provavelmente ocorreu na Deepwater Horizon. A causa pode ter sido o trabalho com cimento realizado pelos funcionários da Halliburton em uma tentativa de estabilizar o furo de sondagem. Ela é uma técnica perigosa –rachaduras se formam enquanto o cimento endurece, que podem permitir que petróleo e gás escapem para o alto com uma força enorme. Basta uma fagulha para causar uma explosão.
É algo realmente responsável correr tamanho risco? Os críticos dizem que toda a indústria está fazendo uma aposta arriscada às custas do meio ambiente. Além disso, os custos da exploração em alto-mar são tão astronômicos quanto os desafios técnicos. A Deepwater Horizon valia cerca de US$ 560 milhões. O tipo de perfuração que a plataforma de petróleo estava realizando no momento do desastre custa cerca de 100 milhões de euros –e tudo isso para um campo de petróleo comparativamente minúsculo, contendo apenas poucos milhões de barris.
Também parece provável que os custos subirão de novo. As autoridades provavelmente endurecerão as exigências de segurança após o desastre, o que significa que o custo de uma exploração de petróleo em águas profundas dará um retorno ainda menor.
Atualmente, cerca de 30% da produção mundial de petróleo são obtidos de prospecção em alto-mar. Menos de 1% da produção mundial, entretanto, vem de plataformas perfurando a profundidades superiores a 1.500 metros. “Eles representam quase nada em nossa oferta no momento”, diz Steffen Bukold, um especialista em petróleo de Hamburgo.
Ainda assim, muitas companhias de petróleo veem um futuro brilhante na extração de petróleo em águas profundas. Esse tipo de extração custa atualmente entre US$ 35 e US$ 65 por barril, segundo estimativas do ano passado da Agência Internacional de Energia. O preço do petróleo custa cerca de US$ 80 por barril atualmente.
“As águas profundas se transformaram rapidamente de um desafio a uma oportunidade”, diz Riding. Ele vê as áreas além da costa do Brasil e da África Ocidental como os pontos principais para o setor florescente de extração em alto-mar. O Golfo do México também era visto até agora como um local atrativo.
As companhias de petróleo darão continuidade aos negócios como de costume?
No final de março, o presidente Obama anunciou a aprovação de novas áreas para exploração de petróleo em alto-mar, além da Costa Leste americana, ao norte do Alasca e no leste do Golfo do México. Ele recuou após o desastre da Deepwater Horizon, suspendendo por ora a concessão de novas licenças de exploração.
Obama poderia usar esta situação como uma oportunidade para reformar a nova legislação de energia que deverá ser aprovada em breve pelo Congresso –que está repleta de concessões à indústria do petróleo. Mas pouca gente acredita que o presidente abandonará suas políticas a longo prazo. Há muito em jogo, tanto política quanto economicamente –há quase 22 bilhões de barris de petróleo a serem encontrados apenas nos novos campos de petróleo, segundo as estimativas, e tudo isso em águas americanas.
Mais provavelmente, a indústria do petróleo continuará como antes, apesar do atual vazamento. Diferente do desastroso vazamento de petróleo do Exxon Valdez além da costa do Alasca em 1989, desta vez é uma catástrofe sutil que está ocorrendo, uma morte lenta e silenciosa levando aves, tartarugas e mamíferos marinhos no Golfo do México. É um desastre em câmera lenta, e isso pode ajudar a BP a se recuperar rapidamente. As perdas financeiras também dificilmente abalarão a empresa, mesmo que cheguem a bilhões de dólares –o lucro da BP cresceu para US$ 5,6 bilhões no primeiro trimestre.
As mais recentes descobertas, na verdade, já foram feitas. Antes de encontrar seu fim no campo de petróleo de Macondo, a Deepwater Horizon foi usada para perfurar em Keathley Canyon, a 200 milhas náuticas a oeste. Em setembro passado, ela conduziu sua perfuratriz super dura por nove quilômetros de profundidade na rocha sob o leito do oceano –um recorde mundial. A BP estima que há mais de 3 bilhões de barris de petróleo ali.
“Além do Petróleo” é o slogan publicitário de causar perplexidade, porém incrivelmente bem-sucedido, da empresa britânica. Mas poderá levar muito tempo para que a gigante do petróleo realmente se mova além do petróleo.
Por Teobaldo Eládio (0505)
George El Khouri Andolfato
A catástrofe de petróleo que aflige o Golfo do México ressalta quão perigosa pode ser a exploração de petróleo em alto-mar. As companhias de petróleo estão buscando extrair os últimos barris remanescentes do planeta explorando locais cada vez mais profundos no leito do oceano, que nem mesmo seriam considerados a não muitos anos atrás.
As manchas marrom-avermelhadas de petróleo que agora cobrem o Golfo do México percorreram uma longa jornada. Rastrear essa jornada exige mergulhar 1.500 metros de profundidade no oceano, passar por uma imensa camada de lama e finalmente uma camada dura de sal.
O petróleo veio de mais de quatro quilômetros abaixo do leito do oceano, em camadas de rocha formadas há milhões de anos, durante o período Terciário. É um calor escaldante ali, uma verdadeira jornada ao inferno, mas atualmente empresas como BP, Shell, ExxonMobil e Chevron estão ousando cada vez mais fazer essa jornada. Um sobrevoo pelo local onde a plataforma Deepwater Horizon afundou no final de abril revela outras dezenas de plataformas de petróleo se projetando da água no horizonte, como brinquedos boiando em uma banheira.
O governo dos Estados Unidos estima que atualmente existam cerca de 60 bilhões de barris de petróleo sob o leito do oceano no Golfo do México. Essa enorme reserva seria suficiente para manter a economia americana –com suas caminhonetes, Chevrolets, Learjets e Boeings, suas indústrias química e de materiais– funcionando por quase outra década. A pergunta, entretanto, é quão perigosa realmente é essa extração de petróleo em águas profundas. A explosão catastrófica da Deepwater Horizon, que custou a vida de 11 tripulantes, voltou os holofotes para os desafios da prospecção em alto-mar.
Nas fronteiras da geologia, geografia e tecnologia
A tentativa de suspender os vazamentos de petróleo no leito do oceano faz lembrar o resgate da espaçonave Apollo 13, danificada em sua jornada à Lua em 1970, admite o presidente-executivo da BP, Tony Hayward. “A indústria de energia está claramente trabalhando nas fronteiras da geologia, geografia e tecnologia”, ele disse à “Spiegel” em uma entrevista.
O almirante Thad Allen da Guarda Costeira americana, nomeado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, para coordenar os esforços de resposta ao vazamento de petróleo, também lamentou a “tirania da distância e a tirania da profundidade”. O trabalho de contenção usando veículos operados por controle remoto em um poço a uma profundidade de 1.500 metros é “sem precedente”, acrescentou Allen.
Nesta semana fracassaram os esforços para baixar um domo de contenção de 100 toneladas de aço sobre o local do vazamento, porque hidratos de metano que se acumularam rapidamente bloquearam o dispositivo. Agora a BP está tentando um procedimento com um domo muito menor. Ainda assim, mesmo se essa missão de resgate for bem-sucedida, os efeitos do desastre serão sentidos por anos. A área de mar coberta em petróleo já é duas vezes maior do que Luxemburgo.
Os primeiros traços de petróleo chegaram às praias das Ilhas Chandeleur, um arquipélago desabitado além da costa da Louisiana, na sexta-feira. Cerca de 10 mil pessoas trabalhavam febrilmente para impedir a chegada do petróleo a mais trechos da costa. Aviões Lockheed C-130 espalharam toneladas de uma mistura química chamada Corexit, que é usada para dissolver e dispersar petróleo derramado –mas que há suspeita de que ele próprio possa causar mal aos ecossistemas marinhos. Os setores de turismo e pesca preveem bilhões em perdas.
‘Não é para os fracos de coração’
Uma enxurrada sem precedente de queixas atingiu a BP e a Transocean, a empresa que operava a Deepwater Horizon. “O que ocorreu no Golfo do México é precisamente o que vínhamos alertando”, criticou o geólogo Klaus Bitzer, da Associação para o Estudo do Pico do Petróleo e Gás. “Eles interferiram com coisas que é melhor serem deixadas em paz.”
Se as companhias de petróleo continuarem extraindo petróleo de águas cada vez mais profundas, prevê o professor da Universidade de Bayreuth, no sul da Alemanha, nós podemos esperar que desastres como este, além da costa da Louisiana, Alabama, Mississippi e Flórida, se tornem mais frequentes. No momento não se sabe qual o grau de culpa da BP no desastre, diz Bitzer, “mas há uma acusação que podemos fazer contra a indústria agora: a recusa ferrenha em reconhecer a realidade na avaliação das possibilidades futuras na produção de petróleo”.
A ousadia dos barões do petróleo parece sem limites diante da crise. “A arena de águas profundas não é para os fracos de coração ou para os insuficientemente financiados”, escreve Mark Riding, um especialista da empresa de exploração de petróleo Schlumberger, na edição de maio da “Offshore”, uma revista dedicada ao setor de petróleo em alto-mar, mas “com o sucesso vem o entusiasmo”.
Leitos oceânicos profundos ricos em petróleo existem por todo o globo. Riding oferece uma avaliação simplista das águas além das costas de Madagáscar, do Chifre da África, Groenlândia, sul da Península Arábica e ao longo das plataformas continentais ao redor do Atlântico, “todos alvos maduros para prospecção”.
As águas profundas se tornaram um playground para engenheiros e estrategistas do mercado de energia. Esse entusiasmo, entretanto, nasceu da necessidade. As empresas multinacionais dificilmente se aventurariam voluntariamente a extrair de reservatórios submarinos difíceis. Mas essa é a última opção que lhes resta. Por cerca de cinco anos a produção mundial de petróleo se manteve constante em cerca de 85 milhões de barris por dia. “Apesar da indústria ter voltado a fazer investimentos pesados entre 2003 e 2008, ela não consegue acompanhar o aumento da demanda por petróleo”, disse Sadad al Husseini, ex-vice-presidente da empresa de petróleo Saudi Aramco, à revista “Petroleum Technology”. “No final, ela foi incapaz de ultrapassar esse patamar de produção.”
Grande parte do petróleo mundial é extraído de campos que foram descobertos há mais de 60 anos, sem o envolvimento de tecnologia complexa. Hoje, os prospectores precisam usar métodos caros para procurar por novos campos de petróleo que ficam localizados em alguns dos lugares mais inacessíveis do mundo, para extrair quantidades de petróleo antes consideradas marginais.
‘As exigências técnicas da prospecção são ampliadas enormemente pela profundidade’
São particularmente as empresas do Ocidente que atualmente carecem, em grande parte, de acesso a locais fáceis, baratos e promissores na Ásia e América Latina. Todos esses lugares são de propriedade de companhias nacionais de petróleo como Saudi Aramco (Arábia Saudita), Gazprom (Rússia), NIOC (Irã) e PDVSA (Venezuela), que são total ou parcialmente estatais. Essas empresas são as verdadeiras gigantes do setor e controlam mais de três quartos das reservas globais. A Saudi Aramco, em particular, se encontra em uma divisão própria. Se a empresa fosse de capital aberto, ela seria disparadamente a empresa mais valiosa do mundo.
Essas gigantes nacionais mantêm uma distância profissional dos velhos barões de Houston, Londres ou Haia, e não permitem mais que as empresas ocidentais deem ordens. As empresas estatais não mais precisam do dinheiro ou perícia ocidentais –quando precisam da mais recente tecnologia de perfuração, elas contratam empresas especializadas como Schlumberger, Halliburton ou Transocean.
O “Big Oil”, como as antigas empresas privadas ainda são chamadas, controla apenas cerca de 10% das reservas globais de petróleo e gás. Apenas os projetos mais complexos, caros e perigosos sobram para a BP e corporações semelhantes. A necessidade está levando essas empresas a expandir suas fronteiras o mais longe possível, explorando reservas que ninguém mais deseja tocar.
‘Não resta outra opção’
“O motivo para a BP e outras companhias petrolíferas expandirem os limites da tecnologia para exploração e extração é porque não resta outra opção”, diz o geólogo Bitzer. As empresas investiram bilhões em exploração em profundidades que nem mesmo seriam consideradas no passado. Cada novo método de exploração que desenvolvem é enormemente celebrado dentro do setor. Mas, na verdade, cada um apenas adia um pouco mais o momento em que o fluxo de petróleo finalmente secará.
As companhias de petróleo deixaram há muito tempo de usar plataformas firmemente ancoradas no leito do oceano. Agora, monstruosidades conhecidas como plataformas de petróleo semissubmersíveis flutuam sobre os oceanos, acima de quilômetros de água. Dutos de interligação feitos de aço especial ou compostos extremamente fortes descem a enormes profundidades, já que os dutos normais arrebentariam lá sob seu próprio peso.
Em uma profundidade de 1.500 metros, a água tem 5ºC, enquanto os jorros de petróleo saem a temperaturas quase de fervura. O resultado é um stress extremo dos materiais.
Enquanto isso, engenheiros estão mergulhando cada vez mais fundo. A Deepwater Horizon, construída em 2001, era uma das plataformas de petróleo mais modernas do mundo, capaz de suportar ondas de 12 metros e ventos com força de furacão. Ela podia até mesmo operar em profundidades de até 3 mil metros.
Os riscos são consideráveis. “As exigências técnicas da prospecção são ampliadas enormemente pela profundidade”, explica Tim Robertson da consultoria Nuka Research and Planning Group, em Seldovia, Alasca. Fortes correntes nas profundezas frequentemente provocam stress nos dutos. Além disso, o petróleo deve ser mantido o mais quente possível, para impedir que o gás natural que ele contém congele juntamente com a água do mar em compostos chamados hidratos de gás, que podem entupir os dutos.
Mas acima de tudo, é a enorme pressão nos reservatórios nas profundezas que torna o trabalho tão perigoso. As companhias de petróleo estão perfurando camadas rochosas onde cada centímetro quadrado está sujeito a uma pressão equivalente ao peso de um carro de porte médio. Perfurar nesses reservatórios de gás ou petróleo representa um risco dos combustíveis serem expelidos para cima de uma forma explosiva e descontrolada.
Uma técnica perigosa
Os engenheiros tentam impedir esse tipo de erupção perigosa forçando constantemente fluido de perfuração no furo de sondagem. Esse líquido especial deve estar sujeito à mesma pressão que o gás e petróleo expelidos para fora –uma tarefa extremamente difícil.
Precisamente essa erupção temível é o que provavelmente ocorreu na Deepwater Horizon. A causa pode ter sido o trabalho com cimento realizado pelos funcionários da Halliburton em uma tentativa de estabilizar o furo de sondagem. Ela é uma técnica perigosa –rachaduras se formam enquanto o cimento endurece, que podem permitir que petróleo e gás escapem para o alto com uma força enorme. Basta uma fagulha para causar uma explosão.
É algo realmente responsável correr tamanho risco? Os críticos dizem que toda a indústria está fazendo uma aposta arriscada às custas do meio ambiente. Além disso, os custos da exploração em alto-mar são tão astronômicos quanto os desafios técnicos. A Deepwater Horizon valia cerca de US$ 560 milhões. O tipo de perfuração que a plataforma de petróleo estava realizando no momento do desastre custa cerca de 100 milhões de euros –e tudo isso para um campo de petróleo comparativamente minúsculo, contendo apenas poucos milhões de barris.
Também parece provável que os custos subirão de novo. As autoridades provavelmente endurecerão as exigências de segurança após o desastre, o que significa que o custo de uma exploração de petróleo em águas profundas dará um retorno ainda menor.
Atualmente, cerca de 30% da produção mundial de petróleo são obtidos de prospecção em alto-mar. Menos de 1% da produção mundial, entretanto, vem de plataformas perfurando a profundidades superiores a 1.500 metros. “Eles representam quase nada em nossa oferta no momento”, diz Steffen Bukold, um especialista em petróleo de Hamburgo.
Ainda assim, muitas companhias de petróleo veem um futuro brilhante na extração de petróleo em águas profundas. Esse tipo de extração custa atualmente entre US$ 35 e US$ 65 por barril, segundo estimativas do ano passado da Agência Internacional de Energia. O preço do petróleo custa cerca de US$ 80 por barril atualmente.
“As águas profundas se transformaram rapidamente de um desafio a uma oportunidade”, diz Riding. Ele vê as áreas além da costa do Brasil e da África Ocidental como os pontos principais para o setor florescente de extração em alto-mar. O Golfo do México também era visto até agora como um local atrativo.
As companhias de petróleo darão continuidade aos negócios como de costume?
No final de março, o presidente Obama anunciou a aprovação de novas áreas para exploração de petróleo em alto-mar, além da Costa Leste americana, ao norte do Alasca e no leste do Golfo do México. Ele recuou após o desastre da Deepwater Horizon, suspendendo por ora a concessão de novas licenças de exploração.
Obama poderia usar esta situação como uma oportunidade para reformar a nova legislação de energia que deverá ser aprovada em breve pelo Congresso –que está repleta de concessões à indústria do petróleo. Mas pouca gente acredita que o presidente abandonará suas políticas a longo prazo. Há muito em jogo, tanto política quanto economicamente –há quase 22 bilhões de barris de petróleo a serem encontrados apenas nos novos campos de petróleo, segundo as estimativas, e tudo isso em águas americanas.
Mais provavelmente, a indústria do petróleo continuará como antes, apesar do atual vazamento. Diferente do desastroso vazamento de petróleo do Exxon Valdez além da costa do Alasca em 1989, desta vez é uma catástrofe sutil que está ocorrendo, uma morte lenta e silenciosa levando aves, tartarugas e mamíferos marinhos no Golfo do México. É um desastre em câmera lenta, e isso pode ajudar a BP a se recuperar rapidamente. As perdas financeiras também dificilmente abalarão a empresa, mesmo que cheguem a bilhões de dólares –o lucro da BP cresceu para US$ 5,6 bilhões no primeiro trimestre.
As mais recentes descobertas, na verdade, já foram feitas. Antes de encontrar seu fim no campo de petróleo de Macondo, a Deepwater Horizon foi usada para perfurar em Keathley Canyon, a 200 milhas náuticas a oeste. Em setembro passado, ela conduziu sua perfuratriz super dura por nove quilômetros de profundidade na rocha sob o leito do oceano –um recorde mundial. A BP estima que há mais de 3 bilhões de barris de petróleo ali.
“Além do Petróleo” é o slogan publicitário de causar perplexidade, porém incrivelmente bem-sucedido, da empresa britânica. Mas poderá levar muito tempo para que a gigante do petróleo realmente se mova além do petróleo.
Por Teobaldo Eládio (0505)
Teste nuclear
Apesar de o embaixador americano, Thomas Shannon, tentar passar panos quentes e dizer que não, a questão do Irã provocou um confronto direto e aberto entre Brasília e Washington.
Enquanto o presidente Lula, o chanceler Celso Amorim e o assessor Marco Aurélio Garcia tentam comemorar o acordo com o Irã e com a Turquia para a troca de urânio levemente enriquecido por combustível, o presidente Obama e a secretária de Estado, Hillary Clinton, mobilizam o Conselho de Segurança da ONU para ignorar o acordo e impor uma nova rodada de sanções ao regime iraniano.
O momento é de imensa tensão. Se os EUA conseguiram o apoio incondicional de França e Inglaterra, o Brasil ainda se esforça para impedir as sanções acionando os dois outros membros do Conselho: Rússia e China, que são considerados por Hillary como votos pró-sanções e por Amorim como votos contra elas. O mundo aguarda ansiosamente o posicionamento dos russos e chineses, diretamente, sem intermediários e interpretações.
Durma-se com um barulho desses, e em cima de um perigo nada desprezível: a decisão do Irã de construir, ou não, a bomba atômica. Já imaginou um Kamenei e um Ahmadinejad com um artefato desses nas mãos? Não apenas o Oriente Médio, mas todo o mundo estaria numa zona de risco incalculável.
O acordo Irã-Brasil-Turquia, como não cansa de repetir Amorim, foi pautado nos termos que os próprios EUA e seus seguidores propuseram aos iranianos no final do ano passado. Naquele momento, deu em nada. Agora, com a intervenção brasileira, avançou.
O problema, como diz Hillary Clinton, está em duas questões não especificados nos termos do acordo: a possibilidade de inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), ponto fundamental de segurança; e a declaração (ameaça?) de um ministro iraniano de que, com acordo ou sem acordo, o Irã continuará enriquecendo urânio a 20%. Ou seja, dando o dito pelo não dito e cristalizando a sensação de que o acordo é acessório, mas não elimina a ameaça de boma.
Como disse o embaixador Shannon, que está no meio do furacão, o esforço brasileiro tem méritos, mas o resultado "é insuficiente" para eliminar dúvidas e temores.
O Brasil se meteu nessa pela ânsia de ocupar um lugar de liderança no cenário internacional e acabou batendo de frente com os Estados Unidos. Será que o objetivo era brigar com os grandes para se sentir um deles?
Por Valdeí de Souza (0505)
Enquanto o presidente Lula, o chanceler Celso Amorim e o assessor Marco Aurélio Garcia tentam comemorar o acordo com o Irã e com a Turquia para a troca de urânio levemente enriquecido por combustível, o presidente Obama e a secretária de Estado, Hillary Clinton, mobilizam o Conselho de Segurança da ONU para ignorar o acordo e impor uma nova rodada de sanções ao regime iraniano.
O momento é de imensa tensão. Se os EUA conseguiram o apoio incondicional de França e Inglaterra, o Brasil ainda se esforça para impedir as sanções acionando os dois outros membros do Conselho: Rússia e China, que são considerados por Hillary como votos pró-sanções e por Amorim como votos contra elas. O mundo aguarda ansiosamente o posicionamento dos russos e chineses, diretamente, sem intermediários e interpretações.
Durma-se com um barulho desses, e em cima de um perigo nada desprezível: a decisão do Irã de construir, ou não, a bomba atômica. Já imaginou um Kamenei e um Ahmadinejad com um artefato desses nas mãos? Não apenas o Oriente Médio, mas todo o mundo estaria numa zona de risco incalculável.
O acordo Irã-Brasil-Turquia, como não cansa de repetir Amorim, foi pautado nos termos que os próprios EUA e seus seguidores propuseram aos iranianos no final do ano passado. Naquele momento, deu em nada. Agora, com a intervenção brasileira, avançou.
O problema, como diz Hillary Clinton, está em duas questões não especificados nos termos do acordo: a possibilidade de inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), ponto fundamental de segurança; e a declaração (ameaça?) de um ministro iraniano de que, com acordo ou sem acordo, o Irã continuará enriquecendo urânio a 20%. Ou seja, dando o dito pelo não dito e cristalizando a sensação de que o acordo é acessório, mas não elimina a ameaça de boma.
Como disse o embaixador Shannon, que está no meio do furacão, o esforço brasileiro tem méritos, mas o resultado "é insuficiente" para eliminar dúvidas e temores.
O Brasil se meteu nessa pela ânsia de ocupar um lugar de liderança no cenário internacional e acabou batendo de frente com os Estados Unidos. Será que o objetivo era brigar com os grandes para se sentir um deles?
Por Valdeí de Souza (0505)
Sobe para 26 total de cidades em emergência em SC
Subiu para 26 o total de cidades de Santa Catarina em situação de emergência por causa da chuva que caiu no Estado na semana passada. O último boletim divulgado nesta segunda-feira (17) pela Defesa Civil mostra que Criciúma é o município com maior número de moradores afetados pelo mau tempo (101 mil), seguido por Tubarão (40 mil) e Içara (38.558).
No total, mais de 266 mil pessoas foram prejudicadas pelas chuvas, sendo que 4.148 tiveram de deixar suas casas. Não há registro de mortes, mas ao menos 26 ficaram feridas devido aos temporais.
A previsão do tempo indica a formação de um ciclone extratropical na região Sul do país, o que pode provocar novos temporais, além de queda de granizo e ventos fortes em diversas áreas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Amanhã, a chuva deve se concentrar no oeste, sul e leste do Rio Grande do Sul, centro e leste de Santa Catarina e boa parte do Paraná. As rajadas de vento podem chegar a 90 km/h e a temperatura permanece baixa.
Segundo os meteorologistas da Somar, a partir da quarta-feira (19) o ciclone se afasta para o mar e a previsão é de chuvas com baixo acumulado em algumas áreas da região Sul.
Por Iris Brunet (0505)
No total, mais de 266 mil pessoas foram prejudicadas pelas chuvas, sendo que 4.148 tiveram de deixar suas casas. Não há registro de mortes, mas ao menos 26 ficaram feridas devido aos temporais.
A previsão do tempo indica a formação de um ciclone extratropical na região Sul do país, o que pode provocar novos temporais, além de queda de granizo e ventos fortes em diversas áreas do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Amanhã, a chuva deve se concentrar no oeste, sul e leste do Rio Grande do Sul, centro e leste de Santa Catarina e boa parte do Paraná. As rajadas de vento podem chegar a 90 km/h e a temperatura permanece baixa.
Segundo os meteorologistas da Somar, a partir da quarta-feira (19) o ciclone se afasta para o mar e a previsão é de chuvas com baixo acumulado em algumas áreas da região Sul.
Por Iris Brunet (0505)
Chuvas no Congo já causam 17 mortes e dezenas de desaparecidos
Kinshasa, 17 mai (EFE).- Pelo menos 17 pessoas morreram, dezenas estão desaparecidas e milhares perderam suas casas devido às chuvas torrenciais que atingiram o leste da República Democrática do Congo (RDC) neste fim de semana, informaram hoje as autoridades.
Deslizamentos de terras causados pelas chuvas na madrugada de domingo mataram cinco pessoas, cujos corpos já foram resgatados. Pelo menos 50 pessoas estão desaparecidas em Kibumba, na província de Kivu Norte, a 20 quilômetros ao norte de Goma.
Mais de 200 imóveis foram danificados pela enchente de água e lodo, como contou aos jornalistas o administrador do território.
As autoridades locais atribuem à tragédia climática ao desmatamento de áreas para a agricultura.
Em um parque nacional um rio transbordou e afetou algumas aldeias. As chuvas varreram ladeiras e as enchentes invadiram aldeias às margens do lago Alberto, detalhou uma autoridade local à "Rádio Okapi", patrocinada pela ONU. EFE
Postado por: GERALDO JR (DIR-0505)
Deslizamentos de terras causados pelas chuvas na madrugada de domingo mataram cinco pessoas, cujos corpos já foram resgatados. Pelo menos 50 pessoas estão desaparecidas em Kibumba, na província de Kivu Norte, a 20 quilômetros ao norte de Goma.
Mais de 200 imóveis foram danificados pela enchente de água e lodo, como contou aos jornalistas o administrador do território.
As autoridades locais atribuem à tragédia climática ao desmatamento de áreas para a agricultura.
Em um parque nacional um rio transbordou e afetou algumas aldeias. As chuvas varreram ladeiras e as enchentes invadiram aldeias às margens do lago Alberto, detalhou uma autoridade local à "Rádio Okapi", patrocinada pela ONU. EFE
Postado por: GERALDO JR (DIR-0505)
Engenheiros tentam conter vazamento de petróleo no Golfo do México
WASHINGTON, EUA — Engenheiros intesificavam os esforços neste sábado para conter o vazamento de petróleo no Golfo do México, depois que o presidente americano, Barack Obama, criticou as empresas de petróleo, que evitam assumir a responsabilidade pelas falhas.
Ao mesmo tempo que os especialistas destacaram nos últimos dias que a quantidade de petróleo vertida ao mar após o naufrágio da plataforma Deepwater Horizon era muito maior que a estimada, Obama prometeu nesta sexta-feira que não descansaria até que o vazamento seja contido.
Engenheiros da empresa British Petroleum (BP), utilizando robôs submarinos, lutavam para implementar a tática mais recente para conter o vazamento 1.600 metros abaixo da superfície do mar.
O plano é conectar um "tubo de inserção" ao oleoduto para canalizar o petróleo derramado a um navio conteiner na superfície, mas o processo está levando mais tempo que o esperado por causa da profundidade.
O tubo de inserção é considerado mais efetivo que o plano anterior de utilizar uma caixa com um tubo de sifão que seria colocado sobre o buraco para recolher e canalizar o petróleo.
Os especialistas temem que o petróleo pode estar vazando a um nível de até 2,9 milhões de galões diários, mais de 10 vezes mais rápido que as estimativas do governo de 210.000 galões diários.
Estes números fariam do vazamento do Exxon Valdez em 1989, o pior desastre ecológico na história dos Estados Unidos. Kioskea o Sábado 15 de Maio de 2010 às 18:55:47
Ao menos 5.000 barris de petróleo estão vazando diariamente no Golfo do México, um volume cinco vezes superior ao estimado previamente, informou nesta quarta-feira a Guarda Costeira dos Estados Unidos. "Descobriram um novo ponto de vazamento", assinalou o oficial Erik Swanson.
Por Sheilla Assis (0505)
Ao mesmo tempo que os especialistas destacaram nos últimos dias que a quantidade de petróleo vertida ao mar após o naufrágio da plataforma Deepwater Horizon era muito maior que a estimada, Obama prometeu nesta sexta-feira que não descansaria até que o vazamento seja contido.
Engenheiros da empresa British Petroleum (BP), utilizando robôs submarinos, lutavam para implementar a tática mais recente para conter o vazamento 1.600 metros abaixo da superfície do mar.
O plano é conectar um "tubo de inserção" ao oleoduto para canalizar o petróleo derramado a um navio conteiner na superfície, mas o processo está levando mais tempo que o esperado por causa da profundidade.
O tubo de inserção é considerado mais efetivo que o plano anterior de utilizar uma caixa com um tubo de sifão que seria colocado sobre o buraco para recolher e canalizar o petróleo.
Os especialistas temem que o petróleo pode estar vazando a um nível de até 2,9 milhões de galões diários, mais de 10 vezes mais rápido que as estimativas do governo de 210.000 galões diários.
Estes números fariam do vazamento do Exxon Valdez em 1989, o pior desastre ecológico na história dos Estados Unidos. Kioskea o Sábado 15 de Maio de 2010 às 18:55:47
Ao menos 5.000 barris de petróleo estão vazando diariamente no Golfo do México, um volume cinco vezes superior ao estimado previamente, informou nesta quarta-feira a Guarda Costeira dos Estados Unidos. "Descobriram um novo ponto de vazamento", assinalou o oficial Erik Swanson.
Por Sheilla Assis (0505)
Aquecimento global afeta até lagartos
Aquecimento global afeta até lagartos
Apesar de precisarem de calor para funcionarem, até lagartos estão sentindo as consequências do aquecimento global. Em artigo publicado nesta sexta-feira (14) na revista Science, cientistas afirmam que várias espécies de lagartos estão sendo extintas em diversas regiões do globo e que o provável culpado é o aumento de temperaturas.
Répteis necessitam de calor para agilizar seu metabolismo. O calor também afeta sua reprodução. Mas quando fica muito quente, eles preferem ficar escondidos na sombra. Isso diminui a frequência com que os lagartos saem para caçar alimento, afetando sua expectativa de vida.
No ciclo reprodutivo, isso é especialmente danoso: o calor excessivo impede que os lagartos busquem alimento suficiente para sustentar seus filhotes. Embora o calor não mate os lagartos nesse caso, ele impede que eles se reproduzam.
Lagartos são importantes na cadeia alimentar porque consomem grandes quantidades de insetos e são consumidos por aves, cobras e outros animais.
Algumas das regiões onde o risco de extinção é maior incluem partes do México, bacia amazônica e África equatorial
Por Michael (0505)
Apesar de precisarem de calor para funcionarem, até lagartos estão sentindo as consequências do aquecimento global. Em artigo publicado nesta sexta-feira (14) na revista Science, cientistas afirmam que várias espécies de lagartos estão sendo extintas em diversas regiões do globo e que o provável culpado é o aumento de temperaturas.
Répteis necessitam de calor para agilizar seu metabolismo. O calor também afeta sua reprodução. Mas quando fica muito quente, eles preferem ficar escondidos na sombra. Isso diminui a frequência com que os lagartos saem para caçar alimento, afetando sua expectativa de vida.
No ciclo reprodutivo, isso é especialmente danoso: o calor excessivo impede que os lagartos busquem alimento suficiente para sustentar seus filhotes. Embora o calor não mate os lagartos nesse caso, ele impede que eles se reproduzam.
Lagartos são importantes na cadeia alimentar porque consomem grandes quantidades de insetos e são consumidos por aves, cobras e outros animais.
Algumas das regiões onde o risco de extinção é maior incluem partes do México, bacia amazônica e África equatorial
Por Michael (0505)
Pantanal boliviano em perigo
Puerto Quijarro (Bolívia) - A exploração de minérios no sudeste da Bolívia, que fez a região virar o Pólo de Desenvolvimento do Sudeste Boliviano, está colocando em risco um dos locais mais bem conservados do Pantanal, protegido pelo Parque Nacional Otuquis. Ali, já foram iniciadas obras para exploração minerária do morro Mutún, e, com elas, um pacote de empreendimentos potencialmente lesivos ao bioma, como a reabertura de estradas, construção de uma ferrovia, de um canal e de um porto no rio Paraguai, entre outras intervenções capitaneadas pelo IIRSA, projeto que pretende integrar entreportos sul-americanos atravessando as principais áreas naturais do continente em 10 anos.
Entre as obras bolivianas, um dos casos mais preocupantes é de uma estrada que já começou a ser revitalizada entre Puerto Suárez e Puerto Busch para escoar a produção de minério boliviana. O detalhe é que ela passa por dentro do parque nacional e está sendo tocada sem qualquer respeito à autoridade ambiental local.
Pantanal boliviano
Caminho que conecta Puerto Suárez a Puerto Busch que está sendo reabilitado sem prestar atenção nos impactos ambientais causados. (Arte: Giovanny Stephanes)
O Pantanal é a maior área continental úmida do mundo, com extensão aproximada de 158 mil km2, abrangendo parte de territórios da Bolívia, do Brasil e do Paraguai. O Pantanal boliviano, que fica no departamento de Santa Cruz, por meio dos seus serviços ambientais (regulação do clima e inundação/seca, controle de fertilidade do solo, controle biológico, manutenção da biodiversidade, e fonte de água, alimentação e de matéria prima para a população) sustenta as principais atividades produtivas (agrícola e pecuária) que contribuem à economia da região.
No ano 1997, a riqueza e beleza da parte sudeste do Pantanal boliviano foi reconhecida pelo governo deste país e transformada no Parque Nacional Otuquis, com cerca de um milhão de hectares, e com uma grande diversidade de flora e fauna, produto da convergência de varias ecorregiões: Amazônia, Bosque Seco Chiquitano, Chaco e Cerrado. Tão majestoso é que até agora foram registradas pelo menos 53 espécies de anfíbios, 159 de mamíferos, 98 de répteis, 656 de aves, 325 de peixes, 1030 de borboletas e mais de 3500 espécies de plantas superiores, sendo que muitas dessas espécies estão altamente ameaçadas, como o cervo-do-Pantanal (Blastocerus dichotomus), a londra (Pteronura brasiliensis) e a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus).
Bem próximo aos limites do parque está o morro do Mutún, com uma superfície de quase 65 km2 e uma reserva estimada de 40 mil milhões de toneladas de ferro, sendo considerada a segunda maior jazida deste mineral na América do Sul. O aproveitamento dessa riqueza é concebido como prioridade nacional pelo governo boliviano. Por isso, em 2006, a empresa Jindal Stell and Power ganhou o direito de explorar e industrializar metade do Mutún por um período de 40 anos.
IIRSA, de novo
Uma mostra do difícil trabalho dos guardas-florestais no Parque Otuquis: Passando um pântano com água até o peito. (Foto: Parque Nacional Otuquis)
Começou assim uma corrida para viabilizar o escoamento da exploração mineral do projeto Mutún, que está estreitamente ligado ao IIRSA, comenta Marco Octavio Ribera, autor de “Hierro y Pantanal: Los Riesgos de la Explotación del Cerro Mutún”. Segundo ele, o IIRSA [Iniciativa de Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana] considera o fluxo pelas vias e hidrovias “como fundamental para favorecer a mineração do ferro em ambos os lados da fronteira (Bolívia – Brasil)”.
O projeto multinacional prevê a instalação siderúrgica em toda a cadeia de produção até o aço, a construção do gasoduto para o abastecimento de gás natural à siderúrgica, infra-estrutura ferro-portuária, ferrovia e canal Mutún – Puerto Busch, abertura de um porto (Puerto Busch) no Triângulo Dionisio Foianini sobre o rio Paraguai e ainda a recuperação do caminho Motacucito – Puerto Busch. Do papel, já saiu a recuperação da antiga via Puerto Suárez – Puerto Busch (140 km), rota usada há 30 anos pela Corporação Mineira da Bolívia para transportar o ferro até o rio Paraguai, desativada por causa da inviabilidade ambiental do caminho, constantemente invadido pelas águas do Pantanal.
De acordo com Marco Octavio, a Bolívia aposta suas esperanças num projeto de mineração a ser instalado numa das zonas de maior sensibilidade ecológica e hidrológica, justamente no meio da parte mais bem conservada e também mais profunda do Pantanal, afetando diretamente ao Parque Nacional Otuquis. E pressagia: “Se não se realizarem ações de controle dos impactos no Pantanal boliviano, incluindo a região do Mutún, esse grande conjunto de projetos e atividades conexas e colaterais claramente implicará no descumprimento de compromissos assumidos pelo país na Convenção de Ramsar”.
É importante mencionar que também serão afetados outros compromissos declarados pelo governo boliviano, como a Convenção sobre Diversidade Biológica, Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Convenção sobre Espécies Migratórias e a Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural.
Ainda em 2005, o Foro Boliviano sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (FOBOMADE) também havia expressado idêntica preocupação através de uma carta ao Ministério de Desenvolvimento Sustentável do país, afirmando que o projeto poderia “ter um alto impacto ambiental sobre amplas áreas do Pantanal boliviano que conseguiram o reconhecimento como sítio Ramsar, alterando a ecologia, biodiversidade, composição de espécies, ciclos biogeoquímicos e potenciais para aportar benefícios econômicos” (Carta FOBOMADE ao Dr. Edwin Aguilera, Ministro de Desenvolvimento Sustentável, La Paz, 21 de fevereiro de 2005).
Princesa violada do Pantanal
Restos de animais mortos no posto de controle, provas que os militares responsáveis do posto caçavam dentro do Parque Nacional. (Foto: Parque Nacional Otuquis)
Lamentavelmente, tão importante parque já ostenta o título de “princesa violada do Pantanal”, uma vez que não estão sendo considerados os regulamentos ambientais e estudos feitos por instituições sérias sobre estes projetos. “Não estamos contra o progresso da região e do país, mas procuramos o desenvolvimento em equilíbrio com o meio ambiente”, afirma Guadalupe Montenegro, diretora do Parque Nacional Otuquis. Ela diz também que o Pólo de Desenvolvimento é uma prioridade nacional e já está acontecendo, mas a direção do Parque Nacional é a autoridade ambiental na jurisdição da área protegida, e assim, tem a obrigação de controlar e fiscalizar o respeito às normas e regulamentos para a proteção do parque.
Segundo Guadalupe Montenegro, a estrada Puerto Suarez - Puerto Busch tem licença ambiental, mas até o memento o documento não foi entregue à direção do Parque, apesar de ter sido solicitada de maneira formal ao Vice-ministério de Meio Ambiente e Águas, assim como à Administradora Boliviana de Estradas (ABC) e a empresa executora da reabilitação, Vastok.
Dessa forma, a empresa Vastok não cumpre com o estabelecido pelo Regulamento Geral de Áreas Protegidas da Bolívia, que diz que para todas as obras a executar-se no interior de uma área protegida deve-se solicitar a autorização da direção do parque. Inumeráveis são as denúncias conhecidas sobre o trabalho de recuperação que se tentam executar no antigo caminho, sobre os pântanos formados pela inundação dos rios.
Posto de controle seqüestrado pelo Parque Otuquisb (Foto: Parque Nacional Otuquis)
Os trabalhadores das obras caçam e pescam dentro do parque, as construções são feitas impactando o meio ambiente e sem ações de mitigação. Para a reconstrução dos aterros, usam terra tirada de um lado do caminho, deixando buracos inundados enormes, provocando a propagação de algas, putrefação rápida, evaporação da água que antes fluía e que era parte do ciclo hidrológico do sistema.
Diante dessa situação, a direção do parque abriu processo administrativo contra os infratores, pela construção de um posto de controle dentro do parque. Montenegro conta que quando já se realizava a reabertura do caminho a Puerto Busch, a Vastok ofereceu ao Parque Nacional um posto de controle que serviria para controlar o ingresso à área, oferta que foi aceita. Mas, diante de denúncias sobre o impacto ambiental da Vastok no parque, a empresa retirou a oferta, entregando o posto de controle ao Quinto Distrito Naval da Marinha boliviana, que foi construído e colocado 50 km dentro do Parque Nacional sem nenhuma autorização.
Seguindo os regulamentos, os guardas-florestais realizaram um sequestro preventivo do posto, levando-o ao acampamento San Juan. Susto e medo, foi o que viveu o guarda-florestal Telmo Dosapei quando uma tarde em que estava sozinho no acampamento chegaram os militares com pessoal armado e ameaças, atropelando o acampamento e levando embora o posto sequestrado.
Para surpresa do Parque, o posto novamente apareceu desta vez mais dentro ainda da área protegida, a quase 80 km. Enquanto se realizavam as investigações necessárias, a Vastok se evadiu, afirmando não ser proprietária do posto de controle, o que motivou outro processo administrativo contra o comandante do Quinto Distrito Naval da Marinha, situado em Puerto Quijarro, pela violação ao Regulamento Geral de Áreas Protegidas da Bolívia. Ele foi punido com uma sanção pecuniária e embargo do posto. Logo após a apelação do veredito em La Paz, a sanção pecuniária foi anulada, mas o embargo da estrutura do posto de controle foi mantido.
“Este processo administrativo é um antecedente institucional para as empresas ou outros que forem trabalhar dentro de uma área protegida, para que considerem a parte ambiental nas suas obras, porque nas áreas protegidas bolivianas existem leis e regulamentos que se devem cumprir”, afirma a diretora do Parque Nacional Otuquis.
O Parque Otuquis, apesar da sua grande importância local, nacional e mundial, se torna muito vulnerável aos projetos que vêm a reboque do Pólo de Desenvolvimento por causa da fragilidade de sua implementação. Resta à unidade de conservação apenas a dedicação do pessoal administrativo e de seus guardas-florestais, os que mais conhecem os perigos e os lugares mais espetaculares e combatem mosquitos e calor com a mesma garra com que encaram empreendimentos de grande porte como os que ameaçam o parque.
Por Marcos Salvador (0505)
Entre as obras bolivianas, um dos casos mais preocupantes é de uma estrada que já começou a ser revitalizada entre Puerto Suárez e Puerto Busch para escoar a produção de minério boliviana. O detalhe é que ela passa por dentro do parque nacional e está sendo tocada sem qualquer respeito à autoridade ambiental local.
Pantanal boliviano
Caminho que conecta Puerto Suárez a Puerto Busch que está sendo reabilitado sem prestar atenção nos impactos ambientais causados. (Arte: Giovanny Stephanes)
O Pantanal é a maior área continental úmida do mundo, com extensão aproximada de 158 mil km2, abrangendo parte de territórios da Bolívia, do Brasil e do Paraguai. O Pantanal boliviano, que fica no departamento de Santa Cruz, por meio dos seus serviços ambientais (regulação do clima e inundação/seca, controle de fertilidade do solo, controle biológico, manutenção da biodiversidade, e fonte de água, alimentação e de matéria prima para a população) sustenta as principais atividades produtivas (agrícola e pecuária) que contribuem à economia da região.
No ano 1997, a riqueza e beleza da parte sudeste do Pantanal boliviano foi reconhecida pelo governo deste país e transformada no Parque Nacional Otuquis, com cerca de um milhão de hectares, e com uma grande diversidade de flora e fauna, produto da convergência de varias ecorregiões: Amazônia, Bosque Seco Chiquitano, Chaco e Cerrado. Tão majestoso é que até agora foram registradas pelo menos 53 espécies de anfíbios, 159 de mamíferos, 98 de répteis, 656 de aves, 325 de peixes, 1030 de borboletas e mais de 3500 espécies de plantas superiores, sendo que muitas dessas espécies estão altamente ameaçadas, como o cervo-do-Pantanal (Blastocerus dichotomus), a londra (Pteronura brasiliensis) e a arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus).
Bem próximo aos limites do parque está o morro do Mutún, com uma superfície de quase 65 km2 e uma reserva estimada de 40 mil milhões de toneladas de ferro, sendo considerada a segunda maior jazida deste mineral na América do Sul. O aproveitamento dessa riqueza é concebido como prioridade nacional pelo governo boliviano. Por isso, em 2006, a empresa Jindal Stell and Power ganhou o direito de explorar e industrializar metade do Mutún por um período de 40 anos.
IIRSA, de novo
Uma mostra do difícil trabalho dos guardas-florestais no Parque Otuquis: Passando um pântano com água até o peito. (Foto: Parque Nacional Otuquis)
Começou assim uma corrida para viabilizar o escoamento da exploração mineral do projeto Mutún, que está estreitamente ligado ao IIRSA, comenta Marco Octavio Ribera, autor de “Hierro y Pantanal: Los Riesgos de la Explotación del Cerro Mutún”. Segundo ele, o IIRSA [Iniciativa de Integração da Infra-estrutura Regional Sul-americana] considera o fluxo pelas vias e hidrovias “como fundamental para favorecer a mineração do ferro em ambos os lados da fronteira (Bolívia – Brasil)”.
O projeto multinacional prevê a instalação siderúrgica em toda a cadeia de produção até o aço, a construção do gasoduto para o abastecimento de gás natural à siderúrgica, infra-estrutura ferro-portuária, ferrovia e canal Mutún – Puerto Busch, abertura de um porto (Puerto Busch) no Triângulo Dionisio Foianini sobre o rio Paraguai e ainda a recuperação do caminho Motacucito – Puerto Busch. Do papel, já saiu a recuperação da antiga via Puerto Suárez – Puerto Busch (140 km), rota usada há 30 anos pela Corporação Mineira da Bolívia para transportar o ferro até o rio Paraguai, desativada por causa da inviabilidade ambiental do caminho, constantemente invadido pelas águas do Pantanal.
De acordo com Marco Octavio, a Bolívia aposta suas esperanças num projeto de mineração a ser instalado numa das zonas de maior sensibilidade ecológica e hidrológica, justamente no meio da parte mais bem conservada e também mais profunda do Pantanal, afetando diretamente ao Parque Nacional Otuquis. E pressagia: “Se não se realizarem ações de controle dos impactos no Pantanal boliviano, incluindo a região do Mutún, esse grande conjunto de projetos e atividades conexas e colaterais claramente implicará no descumprimento de compromissos assumidos pelo país na Convenção de Ramsar”.
É importante mencionar que também serão afetados outros compromissos declarados pelo governo boliviano, como a Convenção sobre Diversidade Biológica, Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, Convenção sobre Espécies Migratórias e a Convenção para a Proteção do Patrimônio Mundial, Cultural e Natural.
Ainda em 2005, o Foro Boliviano sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (FOBOMADE) também havia expressado idêntica preocupação através de uma carta ao Ministério de Desenvolvimento Sustentável do país, afirmando que o projeto poderia “ter um alto impacto ambiental sobre amplas áreas do Pantanal boliviano que conseguiram o reconhecimento como sítio Ramsar, alterando a ecologia, biodiversidade, composição de espécies, ciclos biogeoquímicos e potenciais para aportar benefícios econômicos” (Carta FOBOMADE ao Dr. Edwin Aguilera, Ministro de Desenvolvimento Sustentável, La Paz, 21 de fevereiro de 2005).
Princesa violada do Pantanal
Restos de animais mortos no posto de controle, provas que os militares responsáveis do posto caçavam dentro do Parque Nacional. (Foto: Parque Nacional Otuquis)
Lamentavelmente, tão importante parque já ostenta o título de “princesa violada do Pantanal”, uma vez que não estão sendo considerados os regulamentos ambientais e estudos feitos por instituições sérias sobre estes projetos. “Não estamos contra o progresso da região e do país, mas procuramos o desenvolvimento em equilíbrio com o meio ambiente”, afirma Guadalupe Montenegro, diretora do Parque Nacional Otuquis. Ela diz também que o Pólo de Desenvolvimento é uma prioridade nacional e já está acontecendo, mas a direção do Parque Nacional é a autoridade ambiental na jurisdição da área protegida, e assim, tem a obrigação de controlar e fiscalizar o respeito às normas e regulamentos para a proteção do parque.
Segundo Guadalupe Montenegro, a estrada Puerto Suarez - Puerto Busch tem licença ambiental, mas até o memento o documento não foi entregue à direção do Parque, apesar de ter sido solicitada de maneira formal ao Vice-ministério de Meio Ambiente e Águas, assim como à Administradora Boliviana de Estradas (ABC) e a empresa executora da reabilitação, Vastok.
Dessa forma, a empresa Vastok não cumpre com o estabelecido pelo Regulamento Geral de Áreas Protegidas da Bolívia, que diz que para todas as obras a executar-se no interior de uma área protegida deve-se solicitar a autorização da direção do parque. Inumeráveis são as denúncias conhecidas sobre o trabalho de recuperação que se tentam executar no antigo caminho, sobre os pântanos formados pela inundação dos rios.
Posto de controle seqüestrado pelo Parque Otuquisb (Foto: Parque Nacional Otuquis)
Os trabalhadores das obras caçam e pescam dentro do parque, as construções são feitas impactando o meio ambiente e sem ações de mitigação. Para a reconstrução dos aterros, usam terra tirada de um lado do caminho, deixando buracos inundados enormes, provocando a propagação de algas, putrefação rápida, evaporação da água que antes fluía e que era parte do ciclo hidrológico do sistema.
Diante dessa situação, a direção do parque abriu processo administrativo contra os infratores, pela construção de um posto de controle dentro do parque. Montenegro conta que quando já se realizava a reabertura do caminho a Puerto Busch, a Vastok ofereceu ao Parque Nacional um posto de controle que serviria para controlar o ingresso à área, oferta que foi aceita. Mas, diante de denúncias sobre o impacto ambiental da Vastok no parque, a empresa retirou a oferta, entregando o posto de controle ao Quinto Distrito Naval da Marinha boliviana, que foi construído e colocado 50 km dentro do Parque Nacional sem nenhuma autorização.
Seguindo os regulamentos, os guardas-florestais realizaram um sequestro preventivo do posto, levando-o ao acampamento San Juan. Susto e medo, foi o que viveu o guarda-florestal Telmo Dosapei quando uma tarde em que estava sozinho no acampamento chegaram os militares com pessoal armado e ameaças, atropelando o acampamento e levando embora o posto sequestrado.
Para surpresa do Parque, o posto novamente apareceu desta vez mais dentro ainda da área protegida, a quase 80 km. Enquanto se realizavam as investigações necessárias, a Vastok se evadiu, afirmando não ser proprietária do posto de controle, o que motivou outro processo administrativo contra o comandante do Quinto Distrito Naval da Marinha, situado em Puerto Quijarro, pela violação ao Regulamento Geral de Áreas Protegidas da Bolívia. Ele foi punido com uma sanção pecuniária e embargo do posto. Logo após a apelação do veredito em La Paz, a sanção pecuniária foi anulada, mas o embargo da estrutura do posto de controle foi mantido.
“Este processo administrativo é um antecedente institucional para as empresas ou outros que forem trabalhar dentro de uma área protegida, para que considerem a parte ambiental nas suas obras, porque nas áreas protegidas bolivianas existem leis e regulamentos que se devem cumprir”, afirma a diretora do Parque Nacional Otuquis.
O Parque Otuquis, apesar da sua grande importância local, nacional e mundial, se torna muito vulnerável aos projetos que vêm a reboque do Pólo de Desenvolvimento por causa da fragilidade de sua implementação. Resta à unidade de conservação apenas a dedicação do pessoal administrativo e de seus guardas-florestais, os que mais conhecem os perigos e os lugares mais espetaculares e combatem mosquitos e calor com a mesma garra com que encaram empreendimentos de grande porte como os que ameaçam o parque.
Por Marcos Salvador (0505)
: Amazônia pode se transformar numa savana
A Amazônia poderá se tornar uma savana e o Sahel, um deserto? (O Sahel ou Sahil, que significa costa ou fronteira em árabe, é a região da África situada entre o deserto do Saara e as terras mais férteis a sul). Um relatório sobre a biodiversidade divulgado nesta segunda-feira (10), no Canadá, pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUE) evoca vários cenários para 2100.
Amazônia – a conjugação do desmatamento, das mudanças climáticas e das queimadas pode acarretar o enfraquecimento da floresta amazônica. O pulmão do planeta, quente e úmido tal como o conhecemos, vai se tornar seco e árido, uma savana. A situação levará a um aumento mundial das emissões de CO2 que contribuem para a mudança climática. No local, secas intensas vão comprometer, também, a agricultura.
Sahel – Já atingido pelas secas, o Sahel vai se tornar ainda mais árido. O aquecimento climático e a exploração sem limites de seus recursos causam, já, um empobrecimento da diversidade biológica. O rebanho não encontra pastos e os cultivos sofrem com a falta de irrigação.
Ilhas – o ecossistema de uma ilha é ao mesmo tempo único e frágil. Os movimentos das populações levam predadores e doenças aos locais antes protegidos. Os animais e vegetais específicos de um habitat insular tornam-se incapazes de se defender ante aos novos intrusos. Por exemplo, o társio, um mamífero de Madagascar, está se tornando mais e mais raro.
Água doce – Sob o efeito da mudança climática, da construção de barragens, da poluição, da introdução de espécies exóticas e devido ao aumento do uso da água, o número de espécies de peixes de água doce poderão diminuir 15%.
Mar- O aquecimento climático traz uma redistribuição das populações de peixe e uma elevação do nível do mar. A acidificação da água atinge corais, o fitoplâncton e os moluscos cuja capacidade de construir as próprias conchas se exaurem. A rarefação da população de peixes nas zonas tropicais trará consequências significativas para a alimentação e a nutrição local. (Fonte: JB Online)
Por Vanderli Figueira (0505)
Amazônia – a conjugação do desmatamento, das mudanças climáticas e das queimadas pode acarretar o enfraquecimento da floresta amazônica. O pulmão do planeta, quente e úmido tal como o conhecemos, vai se tornar seco e árido, uma savana. A situação levará a um aumento mundial das emissões de CO2 que contribuem para a mudança climática. No local, secas intensas vão comprometer, também, a agricultura.
Sahel – Já atingido pelas secas, o Sahel vai se tornar ainda mais árido. O aquecimento climático e a exploração sem limites de seus recursos causam, já, um empobrecimento da diversidade biológica. O rebanho não encontra pastos e os cultivos sofrem com a falta de irrigação.
Ilhas – o ecossistema de uma ilha é ao mesmo tempo único e frágil. Os movimentos das populações levam predadores e doenças aos locais antes protegidos. Os animais e vegetais específicos de um habitat insular tornam-se incapazes de se defender ante aos novos intrusos. Por exemplo, o társio, um mamífero de Madagascar, está se tornando mais e mais raro.
Água doce – Sob o efeito da mudança climática, da construção de barragens, da poluição, da introdução de espécies exóticas e devido ao aumento do uso da água, o número de espécies de peixes de água doce poderão diminuir 15%.
Mar- O aquecimento climático traz uma redistribuição das populações de peixe e uma elevação do nível do mar. A acidificação da água atinge corais, o fitoplâncton e os moluscos cuja capacidade de construir as próprias conchas se exaurem. A rarefação da população de peixes nas zonas tropicais trará consequências significativas para a alimentação e a nutrição local. (Fonte: JB Online)
Por Vanderli Figueira (0505)
Perda de biodiversidade já ameaça economia, diz ONU
A destruição de ecossistemas da Terra deve começar a afetar economias de vários países nos próximos anos, de acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta segunda-feira (10).
O Terceiro Panorama Global de Biodiversidade (Global Biodiversity Outlook ou GBO-3, na sigla em inglês) afirma que vários ecossistemas podem estar próximos de sofrer mudanças irreversíveis, tornando-se cada vez menos úteis à humanidade.
Entre estas mudanças, segundo o relatório da ONU estariam o desaparecimento rápido de florestas, a proliferação de algas em rios e a morte generalizada de corais.
Até o momento, a ONU calculou que a perda anual de florestas custa entre US$ 2 trilhões e US$ 5 trilhões, um número muito maior que os prejuízos causados pela recente crise econômica mundial.
O cálculo foi feito com base nos valores estipulados em um projeto chamado Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (EEB) para serviços prestados pela natureza, como a purificação da água e do ar, a proteção de regiões litorâneas de tempestades e a manutenção da natureza para o ecoturismo.
“Muitas economias continuam cegas ao enorme valor da diversidade de animais, plantas e outras formas de vida e ao seu papel no funcionamento de ecossistemas saudáveis”, disse o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner.
“A humanidade criou a ilusão de que, de alguma forma, é possível se virar sem biodiversidade, ou de que isso é periférico no mundo contemporâneo”, disse ele.
“Na verdade, precisamos dela mais do que nunca em um planeta com seis bilhões de pessoas indo a nove bilhões em 2050.”
Segundo a ONU, quanto maior for a degradação dos ecossistemas, maior será o risco de que elas percam grande parte de sua utilidade prática para o homem.
Exemplo brasileiro – A Amazônia é citada como um dos ecossistemas ameaçados de atingir o chamado “ponto sem volta”, mesmo com a recente diminuição nas taxas de desmatamento e com o plano de redução do desmatamento, que prevê a redução de 80% até 2020 em relação à média registrada entre 96 e 2005.
O relatório da ONU cita um estudo coordenado pelo Banco Mundial que afirma que se a Amazônia perder 20% de sua cobertura original, em 2025, certas partes da floresta entrariam em um ciclo de desaparecimento agravado por problemas como mudanças climáticas, queimadas e incêndios.
O relatório ressalta que o plano brasileiro deixaria o desmatamento acumulado muito próximo de 20% da cobertura original.
No entanto, o Brasil também é citado como exemplo no que diz respeito à criação de áreas de proteção ambiental.
“Alguns poucos países tiveram uma contribuição desproporcional para a expansão da rede global de áreas protegidas (que, segundo o relatório cresceu 57%): dos 700 mil quilômetros quadrados transformados em áreas de proteção desde 2003, quase três quartos ficam no Brasil, em grande parte, resultado do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).”
Na Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD, na sigla em inglês), no mês passado, cientistas afirmaram que os governos nacionais não conseguiriam respeitar as suas metas de redução da perda de biodiversidade até 2010.
“Não são boas notícias”, disse o secretário-executivo da CBD, Ahmed Djoglaf.
“Continuamos a perder biodiversidade em um ritmo nunca visto antes na História. As taxas de extinção podem estar até mil vezes acima da taxa histórica.”
Metas fracassadas – A ONU diz ainda que a variedade de vertebrados no planeta – uma categoria que abrange mamíferos, répteis, pássaros, anfíbios e peixes – caiu cerca de um terço entre 1970 e 2006.
A meta de redução de perda de biodiversidade foi acertada durante uma reunião em Johanesburgo, na África do Sul, em 2002. No entanto, já se sabia que seria difícil mantê-la.
A surpresa do relatório GBO-3 é que outras 21 metas subsidiárias tampouco serão cumpridas globalmente.
Entre elas, estão a redução da perda e degradação de habitats, a proteção de pelo menos 10% das regiões ecológicas do planeta, controle da disseminação de espécies invasivas e a prevenção de extinção de espécies devido ao comércio internacional.
Uma sinal claro do fracasso registrado no relatório é que nenhum dos países envolvidos conseguirá atingir todas as metas até o fim do ano. (Fonte: Folha Online)
Por Lawetna (0505)
O Terceiro Panorama Global de Biodiversidade (Global Biodiversity Outlook ou GBO-3, na sigla em inglês) afirma que vários ecossistemas podem estar próximos de sofrer mudanças irreversíveis, tornando-se cada vez menos úteis à humanidade.
Entre estas mudanças, segundo o relatório da ONU estariam o desaparecimento rápido de florestas, a proliferação de algas em rios e a morte generalizada de corais.
Até o momento, a ONU calculou que a perda anual de florestas custa entre US$ 2 trilhões e US$ 5 trilhões, um número muito maior que os prejuízos causados pela recente crise econômica mundial.
O cálculo foi feito com base nos valores estipulados em um projeto chamado Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (EEB) para serviços prestados pela natureza, como a purificação da água e do ar, a proteção de regiões litorâneas de tempestades e a manutenção da natureza para o ecoturismo.
“Muitas economias continuam cegas ao enorme valor da diversidade de animais, plantas e outras formas de vida e ao seu papel no funcionamento de ecossistemas saudáveis”, disse o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner.
“A humanidade criou a ilusão de que, de alguma forma, é possível se virar sem biodiversidade, ou de que isso é periférico no mundo contemporâneo”, disse ele.
“Na verdade, precisamos dela mais do que nunca em um planeta com seis bilhões de pessoas indo a nove bilhões em 2050.”
Segundo a ONU, quanto maior for a degradação dos ecossistemas, maior será o risco de que elas percam grande parte de sua utilidade prática para o homem.
Exemplo brasileiro – A Amazônia é citada como um dos ecossistemas ameaçados de atingir o chamado “ponto sem volta”, mesmo com a recente diminuição nas taxas de desmatamento e com o plano de redução do desmatamento, que prevê a redução de 80% até 2020 em relação à média registrada entre 96 e 2005.
O relatório da ONU cita um estudo coordenado pelo Banco Mundial que afirma que se a Amazônia perder 20% de sua cobertura original, em 2025, certas partes da floresta entrariam em um ciclo de desaparecimento agravado por problemas como mudanças climáticas, queimadas e incêndios.
O relatório ressalta que o plano brasileiro deixaria o desmatamento acumulado muito próximo de 20% da cobertura original.
No entanto, o Brasil também é citado como exemplo no que diz respeito à criação de áreas de proteção ambiental.
“Alguns poucos países tiveram uma contribuição desproporcional para a expansão da rede global de áreas protegidas (que, segundo o relatório cresceu 57%): dos 700 mil quilômetros quadrados transformados em áreas de proteção desde 2003, quase três quartos ficam no Brasil, em grande parte, resultado do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).”
Na Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD, na sigla em inglês), no mês passado, cientistas afirmaram que os governos nacionais não conseguiriam respeitar as suas metas de redução da perda de biodiversidade até 2010.
“Não são boas notícias”, disse o secretário-executivo da CBD, Ahmed Djoglaf.
“Continuamos a perder biodiversidade em um ritmo nunca visto antes na História. As taxas de extinção podem estar até mil vezes acima da taxa histórica.”
Metas fracassadas – A ONU diz ainda que a variedade de vertebrados no planeta – uma categoria que abrange mamíferos, répteis, pássaros, anfíbios e peixes – caiu cerca de um terço entre 1970 e 2006.
A meta de redução de perda de biodiversidade foi acertada durante uma reunião em Johanesburgo, na África do Sul, em 2002. No entanto, já se sabia que seria difícil mantê-la.
A surpresa do relatório GBO-3 é que outras 21 metas subsidiárias tampouco serão cumpridas globalmente.
Entre elas, estão a redução da perda e degradação de habitats, a proteção de pelo menos 10% das regiões ecológicas do planeta, controle da disseminação de espécies invasivas e a prevenção de extinção de espécies devido ao comércio internacional.
Uma sinal claro do fracasso registrado no relatório é que nenhum dos países envolvidos conseguirá atingir todas as metas até o fim do ano. (Fonte: Folha Online)
Por Lawetna (0505)
STJ determina retorno imediato ao trabalho de grevistas do meio ambiente
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) considerou abusiva a paralisação dos serviços de licenciamento ambiental e fiscalização federal em função da greve dos servidores da área ambiental. O Tribunal também determinou o retorno imediato dos grevistas às atividades. As entidades que não cumprirem a decisão do STJ deverão ser penalizadas com multas diárias de R$ 100 mil.
A primeira seção do STJ julgou nesta quarta-feira (12) o mérito da medida cautelar impetrada pelo governo pedido a ilegalidade da greve dos servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio).
O relator, ministro Benedito Gonçalves, votou a favor da abusividade integral da paralisação, mas foi vencido por 5 votos contra 3. A maioria acompanhou o voto da ministra Eliana Calmon, que determinava o retorno imediato dos servidores às atividades consideradas essenciais.
Para a presidente da Associação dos Servidores da Carreira Especialistas em Meio Ambiente do Distrito Federal (Asibama-DF), Lindalva de Cavalcante, o resultado foi favorável aos servidores. Segundo ela, o Comando Nacional da Greve deve se reunir com dirigentes de entidades e advogados para decidir quais serão os próximos passos do movimento.
“A partir do entendimento jurídico e político, nós vamos decidir qual vai ser a posição do comando nacional de greve que será enviada aos comandos estaduais. Esperamos que tão logo essa posição seja encaminhada, os estados analisem, verifiquem suas possibilidades para que a gente dê uma resposta ao governo”, disse.
A greve, que já dura um mês, é resultado da quebra de um acordo feito em 2008 entre governo e os servidores. Eles acreditam que o governo descumpriu parte do acordo que previa a criação de um grupo de trabalho para a reestruturação das carreiras. O governo afirma que a paralisação de todas as atividades é ilegal e fere o acordo.
Durante o julgamento, o comando nacional dos grevistas apoiado por servidores da Advocacia-geral da União (AGU), Polícia Civil, Universidade de Brasília (UnB), entre outros, promoveu uma manifestação em frente ao STJ. No Rio de Janeiro, os funcionários do Ibama e do Icmbio fecharam o acesso ao Cristo Redentor da Floresta Nacional da Tijuca.
Por Iris Brunet (0505)
A primeira seção do STJ julgou nesta quarta-feira (12) o mérito da medida cautelar impetrada pelo governo pedido a ilegalidade da greve dos servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (Icmbio).
O relator, ministro Benedito Gonçalves, votou a favor da abusividade integral da paralisação, mas foi vencido por 5 votos contra 3. A maioria acompanhou o voto da ministra Eliana Calmon, que determinava o retorno imediato dos servidores às atividades consideradas essenciais.
Para a presidente da Associação dos Servidores da Carreira Especialistas em Meio Ambiente do Distrito Federal (Asibama-DF), Lindalva de Cavalcante, o resultado foi favorável aos servidores. Segundo ela, o Comando Nacional da Greve deve se reunir com dirigentes de entidades e advogados para decidir quais serão os próximos passos do movimento.
“A partir do entendimento jurídico e político, nós vamos decidir qual vai ser a posição do comando nacional de greve que será enviada aos comandos estaduais. Esperamos que tão logo essa posição seja encaminhada, os estados analisem, verifiquem suas possibilidades para que a gente dê uma resposta ao governo”, disse.
A greve, que já dura um mês, é resultado da quebra de um acordo feito em 2008 entre governo e os servidores. Eles acreditam que o governo descumpriu parte do acordo que previa a criação de um grupo de trabalho para a reestruturação das carreiras. O governo afirma que a paralisação de todas as atividades é ilegal e fere o acordo.
Durante o julgamento, o comando nacional dos grevistas apoiado por servidores da Advocacia-geral da União (AGU), Polícia Civil, Universidade de Brasília (UnB), entre outros, promoveu uma manifestação em frente ao STJ. No Rio de Janeiro, os funcionários do Ibama e do Icmbio fecharam o acesso ao Cristo Redentor da Floresta Nacional da Tijuca.
Por Iris Brunet (0505)
Terremoto de 7,4 sacode norte de Sumatra; declarado alerta de tsunami
Jacarta, 9 mai (EFE).- Um terremoto de uma magnitude preliminar de 7,4 graus na escala aberta de Richter sacudiu hoje a região norte da ilha indonésia de Sumatra, e as autoridades declararam um alerta de tsunami.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos, que vigia a atividade sísmica mundial, informou que o epicentro do terremoto foi detectado a 61 quilômetros de profundidade e a 214 quilômetros ao sudeste da cidade de Banda Ache, capital da província de Aceh, e a 286 a oeste da localidade litorânea de Medan.
Segundo a medição do Instituto de Meteorologia e Geofísica da Indonésia o terremoto foi de uma magnitude de 7,2 graus na escala aberta de Richter.
Em mensagem, o Serviço Geológico dos EUA assinalou que "há possibilidade que um tsumami afete o litoral localizado a não mais de cem quilômetros de distância do epicentro".
A Indonésia se assenta sobre o chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma área de grande atividade sísmica e vulcânica que é sacudida por cerca de 7.000 tremores ao ano, a maioria de pouca magnitude.
Em 26 de dezembro de 2004, um terremoto de 9,1 graus criou um tsunami que varreu áreas litorâneas de uma dúzia de nações banhadas pelo Oceano Índico e causou a morte de 226 mil pessoas.
Postado por GERALDO JR (DIR-0505)
O Serviço Geológico dos Estados Unidos, que vigia a atividade sísmica mundial, informou que o epicentro do terremoto foi detectado a 61 quilômetros de profundidade e a 214 quilômetros ao sudeste da cidade de Banda Ache, capital da província de Aceh, e a 286 a oeste da localidade litorânea de Medan.
Segundo a medição do Instituto de Meteorologia e Geofísica da Indonésia o terremoto foi de uma magnitude de 7,2 graus na escala aberta de Richter.
Em mensagem, o Serviço Geológico dos EUA assinalou que "há possibilidade que um tsumami afete o litoral localizado a não mais de cem quilômetros de distância do epicentro".
A Indonésia se assenta sobre o chamado Anel de Fogo do Pacífico, uma área de grande atividade sísmica e vulcânica que é sacudida por cerca de 7.000 tremores ao ano, a maioria de pouca magnitude.
Em 26 de dezembro de 2004, um terremoto de 9,1 graus criou um tsunami que varreu áreas litorâneas de uma dúzia de nações banhadas pelo Oceano Índico e causou a morte de 226 mil pessoas.
Postado por GERALDO JR (DIR-0505)
BP baixa câmara de aço no golfo do México
Funcionários da BP baixaram nesta sexta (7) um câmara de aço até o fundo do mar no golfo do México numa tentativa de conter o vazamento de petróleo que assola a região e ameaça a costa dos EUA.
A câmara de quatro andares, baixada até cerca de 1.600 metros abaixo do nível do mar, é uma solução temporária da empresa. Uma vez conectada, a câmara deve facilitar o bombeamento controlado de óleo para a superfície.
Segundo a BP, a câmara de contenção deverá entrar em funcionamento na próxima segunda (10).
A técnica nunca foi implementada a essas profundidades. O controle da imersão é realizado por robôs, que precisam superar a escuridão, correntes marinhas e pressão dessa região do golfo.
Ontem foi confirmada a presença das primeiras manchas de óleo em terra firme.
Por Thiago Henrique (0505)
A câmara de quatro andares, baixada até cerca de 1.600 metros abaixo do nível do mar, é uma solução temporária da empresa. Uma vez conectada, a câmara deve facilitar o bombeamento controlado de óleo para a superfície.
Segundo a BP, a câmara de contenção deverá entrar em funcionamento na próxima segunda (10).
A técnica nunca foi implementada a essas profundidades. O controle da imersão é realizado por robôs, que precisam superar a escuridão, correntes marinhas e pressão dessa região do golfo.
Ontem foi confirmada a presença das primeiras manchas de óleo em terra firme.
Por Thiago Henrique (0505)
Ibama apreende 270 mil sacas de soja em Mato Grosso
O Ibama em Mato Grosso já apreendeu mais de 270 mil sacas de soja ilegal plantadas em áreas embargadas no município de Bom Jesus do Araguaia, a cerca mil quilômetros de Cuiabá, no nordeste do estado. Dos 5,2 mil hectares de grãos plantados numa fazenda, 3,6 mil hectares estão dentro das terras indígenas Maraiwatsede, dos índios Xavantes. Segundo o coordenador da fiscalização do Ibama/MT, Rodrigo Dutra, a Operação Soja Pirata foi iniciada no fim do mês de março, sem prazo para término.
“As áreas embargadas são terras que foram desmatadas e o Ibama detectou irregularidade. Tomamos a medida com o objetivo de recuperar a área, porém, o acordo não foi cumprido”, explicou Dutra. Segundo o coordenador, nas áreas fora da terra indígena, o Ibama autorizou a colheita para evitar o apodrecimento dos grãos. Contudo, o órgão acompanha carga a carga até o armazém onde o grão está apreendido. Nas áreas no interior da Terra Indígena a Justiça Federal também autorizou colheita, mas com acompanhamento e apreensão do grão por parte do Ibama.
Estão tramitando os devidos processos administrativos que decidirão sobre a destinação final que será dada aos grãos apreendidos.
Áreas embargadas – De acordo com planilha atualizada com os dados das autuações, o total de áreas embargadas em Mato Grosso até abril de 2010 é de 531.075,99 hectares, sendo correspondentes a 1.881 autos de infração expedidos.
O balanço das áreas embargadas no estado foi realizado até o dia 19 de abril de 2010, com informações do site www.ibama.gov.br , link: Áreas embargadas.
Por Cristiane Chalegre (0505)
“As áreas embargadas são terras que foram desmatadas e o Ibama detectou irregularidade. Tomamos a medida com o objetivo de recuperar a área, porém, o acordo não foi cumprido”, explicou Dutra. Segundo o coordenador, nas áreas fora da terra indígena, o Ibama autorizou a colheita para evitar o apodrecimento dos grãos. Contudo, o órgão acompanha carga a carga até o armazém onde o grão está apreendido. Nas áreas no interior da Terra Indígena a Justiça Federal também autorizou colheita, mas com acompanhamento e apreensão do grão por parte do Ibama.
Estão tramitando os devidos processos administrativos que decidirão sobre a destinação final que será dada aos grãos apreendidos.
Áreas embargadas – De acordo com planilha atualizada com os dados das autuações, o total de áreas embargadas em Mato Grosso até abril de 2010 é de 531.075,99 hectares, sendo correspondentes a 1.881 autos de infração expedidos.
O balanço das áreas embargadas no estado foi realizado até o dia 19 de abril de 2010, com informações do site www.ibama.gov.br , link: Áreas embargadas.
Por Cristiane Chalegre (0505)
Vulcão islandês volta à fase explosiva
O vulcão islandês Eyjafjallajokull entrou novamente numa fase explosiva e novas nuvens de cinzas de tamanho considerável devem ser expelidas nos próximos dias, anunciaram meteorologistas islandeses na noite desta quinta-feira (6).
“A erupção é novamente explosiva, a lava deixou de sair e a maioria do magma é projetado para todos os lados devido às explosões na cratera”, informaram o Bureau Meteorológico e o Instituto Islandês de Ciências da Terra.
“As cinzas se elevam sobre a cratera (4.000 a 7.000 metros) e podemos esperar nuvens consideráveis em função da direção do vento”. “Não há qualquer sinal de que a erupção terminou”.
O Eyjafjallajokull entrou em erupção no dia 14 de abril, desprendendo uma nuvem de cinzas que paralisou o tráfego aéreo durante mais de uma semana na Europa. Em seguida, a emissão de cinzas diminuiu e a direção dos ventos permitiu a reabertura dos aeroportos europeus.
Por Rejane Amaral (0505)
“A erupção é novamente explosiva, a lava deixou de sair e a maioria do magma é projetado para todos os lados devido às explosões na cratera”, informaram o Bureau Meteorológico e o Instituto Islandês de Ciências da Terra.
“As cinzas se elevam sobre a cratera (4.000 a 7.000 metros) e podemos esperar nuvens consideráveis em função da direção do vento”. “Não há qualquer sinal de que a erupção terminou”.
O Eyjafjallajokull entrou em erupção no dia 14 de abril, desprendendo uma nuvem de cinzas que paralisou o tráfego aéreo durante mais de uma semana na Europa. Em seguida, a emissão de cinzas diminuiu e a direção dos ventos permitiu a reabertura dos aeroportos europeus.
Por Rejane Amaral (0505)
British Petroleum vai pagar a conta por tragédia ambiental, diz Obama
Boias têm conseguido pouco efeito para conter avanço de mancha de petróleo no Golfo do México
Depois do sobrevoo no Golfo do México onde se concentram os esforços para evitar que o petróleo vazando de uma plataforma na região se espalhe ainda mais, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a petrolífera British Petroleum (BP) arcará com todos os custos. – A BP é a responsável por esse vazamento, a BP vai pagar a conta – disse o presidente em visita a Louisiana, o primeiro Estado norte-americano a ser atingido pelo vazamento de petróleo.
Obama reconheceu que o fato é “potencialmente um desastre ambiental sem precedentes”. A reação ao vazamento pode ser crucial em termos políticos, já que a última catástrofe na região – a inundação de New Orleans causada pelo furacão Katrina, em 2005 – causou abalo permanente na popularidade do então presidente George W. Bush, criticado por não ter tomado as medidas corretas a tempo. Mas Obama logo respondeu aos críticos, segundo os quais o governo não agiu com a rapidez necessária no caso:
– Nos preparamos e nos planejamos para o pior desde o primeiro dia, embora esperamos o melhor.
Ainda de acordo com Obama, “muitos dias” podem ser necessários para controlar o vazamento de petróleo no Golfo do México que ameaça provocar o pior desastre ecológico da história do país. Sobre os efeitos, acrescentou que as consequências do desastre podem se estender por “muito tempo” e ameaçar o sustento de milhares de americanos:
– O petróleo que flui do poço pode prejudicar seriamente a economia e o meio ambiente de nossos Estados do Golfo – disse Obama na cidade de Venice, no sul da Louisiana, que se transformou em um centro de operações para a resposta à catástrofe.
A mancha de óleo avança cada vez mais, e boias e outros materiais de contenção disponíveis pouco puderam alterar o fluxo do derramamento. Uma proposta em discussão para conter o avanço é a escavação de um poço para drenar o petróleo que vaza da reserva, o que levaria ao menos dois meses.
O vazamento de petróleo ocorreu depois que uma plataforma de perfuração de petróleo explodiu e afundou no mar, no último dia 20 de abril, deixando 11 mortos. Os Estados da Flórida, Mississippi e Alabama também estão ameaçados e já declararam estado de emergência.
Por Rafael Colaço(0505)
Depois do sobrevoo no Golfo do México onde se concentram os esforços para evitar que o petróleo vazando de uma plataforma na região se espalhe ainda mais, o presidente dos EUA, Barack Obama, disse que a petrolífera British Petroleum (BP) arcará com todos os custos. – A BP é a responsável por esse vazamento, a BP vai pagar a conta – disse o presidente em visita a Louisiana, o primeiro Estado norte-americano a ser atingido pelo vazamento de petróleo.
Obama reconheceu que o fato é “potencialmente um desastre ambiental sem precedentes”. A reação ao vazamento pode ser crucial em termos políticos, já que a última catástrofe na região – a inundação de New Orleans causada pelo furacão Katrina, em 2005 – causou abalo permanente na popularidade do então presidente George W. Bush, criticado por não ter tomado as medidas corretas a tempo. Mas Obama logo respondeu aos críticos, segundo os quais o governo não agiu com a rapidez necessária no caso:
– Nos preparamos e nos planejamos para o pior desde o primeiro dia, embora esperamos o melhor.
Ainda de acordo com Obama, “muitos dias” podem ser necessários para controlar o vazamento de petróleo no Golfo do México que ameaça provocar o pior desastre ecológico da história do país. Sobre os efeitos, acrescentou que as consequências do desastre podem se estender por “muito tempo” e ameaçar o sustento de milhares de americanos:
– O petróleo que flui do poço pode prejudicar seriamente a economia e o meio ambiente de nossos Estados do Golfo – disse Obama na cidade de Venice, no sul da Louisiana, que se transformou em um centro de operações para a resposta à catástrofe.
A mancha de óleo avança cada vez mais, e boias e outros materiais de contenção disponíveis pouco puderam alterar o fluxo do derramamento. Uma proposta em discussão para conter o avanço é a escavação de um poço para drenar o petróleo que vaza da reserva, o que levaria ao menos dois meses.
O vazamento de petróleo ocorreu depois que uma plataforma de perfuração de petróleo explodiu e afundou no mar, no último dia 20 de abril, deixando 11 mortos. Os Estados da Flórida, Mississippi e Alabama também estão ameaçados e já declararam estado de emergência.
Por Rafael Colaço(0505)
06/05/2010 19h54 - Atualizado em 06/05/2010 20h22
Da AFP
imprimir A mancha de óleo que contamina o Golfo do México atingiu uma ilha de Louisiana, informou a Guarda Costeira nesta quinta-feira (6), no primeiro impacto em terra confirmado desde o derramamento de petróleo de uma plataforma naufragada da companhia britânica BP.
A empresa tenta instalar uma cúpula sobre o vazamento para detê-lo.
"As equipes confirmaram que há petróleo na ilha Freemason", disse Connie Terrel, oficial da Guarda Costeira, à AFP. "É na ponta sul das ilhas Chandeleur", completou. As Chandeleur fazem parte da reserva ambiental Breton National Wildlife Refuge, a segunda mais antiga dos Estados Unidos.
Água-viva é vista em área contaminada pelo óleo em Chandeleur Sound, na costa do estado americano da Louisiana, nesta quinta-feira (6).
O responsável pela localidade litorânea de Plaquemines (Lousiana), Billy Nungesser, havia denunciado à AFP a chegada das primeiras manchas de petróleo na costa em 30 de abril.
O porta-voz da BP, John Curry, disse que três equipes de urgência foram enviadas à ilha, que fica a 50 km da costa, e estão mobilizando material inflável numa tentativa de capturar parte da mancha.
Enquanto isso, uma estrutura em forma de cúpula destinada a conter o derramamento chegou nesta quinta-feira ao local onde o poço danificado lançou milhões de litros de óleo no Golfo do México.
A cúpula de contenção de 100 toneladas - uma construção cilíndrica com um teto em forma de domo e altura de cinco andares - foi transportada no barco Joe Griffin ao epicentro do desastre, a 80 km da costa de Lousiana, disse o suboficial da Guarda Costeira, Brandon Blackwell, à AFP.
A estrutura estará sendo baixada ao fundo do mar nesta quinta-feira, a 1.500 metros abaixo da superfície, para permitir que o petróleo que sai do poço seja bombeado para um barco petroleiro nos arredores, informou a BP.
A trabalhosa tarefa de transportar o domo, descê-lo sobre o vazamento e levar o óleo ao barco levará cinco dias.
BP e Guarda Costeira informam que a operação, que nunca foi tentada com tanta profundidade, não necessariamente evitará o desastre ecológico e econômico que ameaça as reservas ambientais pantanosas e o hábitat pesqueiro.
A empresa, que conseguiu selar um dos três pontos de vazamento, também utiliza submarinos robotizados para monitorar o fluxo do petróleo nos outros dois pontos, perfura um poço de emergência - uma operação que levará três meses para ser completada -, lança dispersantes sobre o petróleo e mobiliza uma barreira flutuante para proteger a costa.
Por iris Brunet (0505)
imprimir A mancha de óleo que contamina o Golfo do México atingiu uma ilha de Louisiana, informou a Guarda Costeira nesta quinta-feira (6), no primeiro impacto em terra confirmado desde o derramamento de petróleo de uma plataforma naufragada da companhia britânica BP.
A empresa tenta instalar uma cúpula sobre o vazamento para detê-lo.
"As equipes confirmaram que há petróleo na ilha Freemason", disse Connie Terrel, oficial da Guarda Costeira, à AFP. "É na ponta sul das ilhas Chandeleur", completou. As Chandeleur fazem parte da reserva ambiental Breton National Wildlife Refuge, a segunda mais antiga dos Estados Unidos.
Água-viva é vista em área contaminada pelo óleo em Chandeleur Sound, na costa do estado americano da Louisiana, nesta quinta-feira (6).
O responsável pela localidade litorânea de Plaquemines (Lousiana), Billy Nungesser, havia denunciado à AFP a chegada das primeiras manchas de petróleo na costa em 30 de abril.
O porta-voz da BP, John Curry, disse que três equipes de urgência foram enviadas à ilha, que fica a 50 km da costa, e estão mobilizando material inflável numa tentativa de capturar parte da mancha.
Enquanto isso, uma estrutura em forma de cúpula destinada a conter o derramamento chegou nesta quinta-feira ao local onde o poço danificado lançou milhões de litros de óleo no Golfo do México.
A cúpula de contenção de 100 toneladas - uma construção cilíndrica com um teto em forma de domo e altura de cinco andares - foi transportada no barco Joe Griffin ao epicentro do desastre, a 80 km da costa de Lousiana, disse o suboficial da Guarda Costeira, Brandon Blackwell, à AFP.
A estrutura estará sendo baixada ao fundo do mar nesta quinta-feira, a 1.500 metros abaixo da superfície, para permitir que o petróleo que sai do poço seja bombeado para um barco petroleiro nos arredores, informou a BP.
A trabalhosa tarefa de transportar o domo, descê-lo sobre o vazamento e levar o óleo ao barco levará cinco dias.
BP e Guarda Costeira informam que a operação, que nunca foi tentada com tanta profundidade, não necessariamente evitará o desastre ecológico e econômico que ameaça as reservas ambientais pantanosas e o hábitat pesqueiro.
A empresa, que conseguiu selar um dos três pontos de vazamento, também utiliza submarinos robotizados para monitorar o fluxo do petróleo nos outros dois pontos, perfura um poço de emergência - uma operação que levará três meses para ser completada -, lança dispersantes sobre o petróleo e mobiliza uma barreira flutuante para proteger a costa.
Por iris Brunet (0505)
Vazamento de óleo no Golfo do México suscita discussão de prevenção no Brasil

MMA participa de debate com parlamentares e representante da Petrobras sobre as condições e os avanços brasileiros para conter um desastre ambiental como o do México. 25/05/2010
Carine Corrêa
O acidente ambiental ocorrido no Golfo do México, em abril, se tornou uma oportunidade de mobilização política no Brasil para que um incidente similar não aconteça no País. Em audiência pública realizada hoje (25/5), na Câmara dos Deputados, em Brasília, parlamentares da bancada ambientalista, representantes do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e também do setor produtivo do petróleo, debateram sobre as condições e os avanços brasileiros para conter este tipo de desastre ambiental.
De acordo com a diretora de Qualidade Ambiental da Indústria do MMA, Sérgia de Oliveira, acidentes como este "sempre trazem lições". Ela disse que novas técnicas que abrangem o risco e a emergência de ações em atividades de extração de petróleo estão em debate. "Estamos aprimorando nosso arcabouço institucional e legal para lidar melhor com este tipo de probelma", afirmou.
Sérgia informou ainda que, com o objetivo de fomentar a pesquisa e a capacidade de mitigar os impactos de uma situação semelhante em território brasileiro, técnicos do Ibama foram enviados ao México para conhecer e identificar os procedimentos adotados, bem como para ajudar a identificar detalhes, motivos e soluções para o acidente.
O gerente de exploração e produção da Petrobras, José Carlos Laurindo, afirmou que o equipamento utilizado pela empresa na perfuração de postos é um dos mais modernos do mundo. "Em caso de incidentes, há planos de emergência para incêndio, vazamento de óleo e para resgate de pessoal, entre outras ações emergenciais. No caso específico do vazamento de óleo, cada unidade tem um plano de emergência para a plataforma e para a área geográfica, que são sempre apresentandos no processo de licenciamento ao Ibama".
Laurindo disse também que existem 27 embarcações da Petrobras destinadas ao controle de eventuais acidentes envolvendo o vazamento de óleo, além de um conjunto de barreiras que têm a capacidade de conter o derramamento em um raio de 6,5 km. Informou ainda que o Brasil tem uma quantidade de dispersante químico - utilizado em ações de mitigação - suficiente caso aconteça algum acidente no País.
Segundo Jaime Setta Filho, gerente de prevenção da Petrobras, o Plano de Emergência da Plataforma foi aprovado pelo Ibama, e prevê equipes treinadas e a simulações de acidentes. "Fazemos um alto investimento em prevenção e ações de contingência. A empresa instalou dez centros e mais treze bases avançadas de defesa ambiental em boa parte do País, e todas as unidades tem recursos de prevenção em suas áreas de produção e exploração", explicou.
De acordo com Sérgia, o Ibama prevê atividades de prevenção no licenciamento de empreendimentos petrolíferos. Por ano, são realizados mais de 40 simulados em prevenção de acidentes.
Setta Filho afirmou que a Petrobras possui sistemas informatizados para mapeamento, visualização e acompanhamento de situações emergenciais, e que a empresa tem um "nível de excelência em relação à quantidade de óleo vazado por producao."
Ele acrescentou que o desafio da exploração do pré-sal está sendo cuidadosamente estudado e levantado por técnicos, e que já estão sendo feitas simulações. "Só teremos a licença se o Iaboratório e o Ibama concordarem com os estudos".
Histórico
O problema de vazamento de petróleo não é uma questão muita antiga. A primeira convenção sobre contaminação por óleo data de 1954. Sérgia Oliveira explicou que o Brasil já possui um arcabouço legal na área ambiental para contenção de acidentes crônicos.
A resolução do Conama 269/2000, por exemplo, regula o uso de dispersante químico, e existe ainda o Plano de Prevenção, Respostas Rápidas e Emergências Ambientais com Produtos Químicos Perigosos (P2R2). Criado em 2004, é um projeto integrado entre governos, setor privado e representantes da indústria e da sociedade civil.
Também está em fase de estudo e elaboração o Plano Nacional de Contingência para Derramamento de Óleo, que demanda a integração de várias instituições. A proposta está sendo desenvolvida pela Marinha e pelo MMA, com o objetivo de se chegar a um texto consensual que possa ser levado a aprovação ainda este ano.
Jucicleide Barbosa
Paz para a Floresta Boreal
Greenpeace, em coalizão com ONG´s ambientais, chega a acordo histórico com empresas no Canadá que define moratória de três anos no corte da Floresta Boreal.
O alce das florestas boreais canadenses está em perigo de extinção.
Acordo ambicioso e inédito entre a Associação de Produtos da Floresta (APF), organização canadense que regula empresas do setor de madeira e celulose, e uma coalizão de nove ONG´s, entre elas o Greenpeace, selou oficialmente moratória de três anos para derrubadas na Floresta Boreal do Canadá.
O acordo cobre uma extensão de florestas públicas de 72 milhões de hectares – ou duas vezes o tamanho da Alemanha. Destes, 29 milhões de hectares são de Floresta Boreal, a maior e mais antiga da América do Norte. Sua paisagem de rios, lagos, rochedos e gramíneas é lar para animais selvagens, entre eles, uma espécie de alce em perigo de extinção, santuário para milhões de aves migratórias, além de ser um dos maiores estoques terrestres de carbono do planeta, armazenando 25 bilhões de CO2, ou o equivalente às emissões de 12 bilhões de carros por ano.
Além da moratória, as empresas membros do APF, que fazem uso de dois terços de todas as florestas certificadas do Canadá para fabricação de derivados de madeira, como fibra, polpa de celulose e papel, comprometem-se a seguir padrões de manejo ambiental pioneiros no mundo e desenvolver planos de longo prazo para a recuperação da floresta e proteção da espécie de alce ameaçada.
“Esta é nossa melhor chance de salvar o alce destes bosques, proteger permanentemente a Floresta Boreal, garantir o armazenamento de um imenso estoque de carbono mundial e estabelecer práticas responsáveis inéditas para nossas florestas”, comemora Richard Brooks, Coordenador da Campanha de Florestas do Canadá. Avrim Lazar, presidente da APF, também celebrou a coalizão com os ambientalistas: “As empresas que compõe a Associação identificaram uma forma mais inteligente e produtiva de conciliar desafios econômicos e ambientais”
O acordo coroa uma ação de sete anos em favor da conservação da Floresta Boreal canadense. Em agosto de 2009, o Greenpeace também conseguiu que a fabricante de lenços de papel e papel higiênico Kimberly-Clark, detentora das marcas Kleenex, Scott e Huggies, zerasse o uso de fibra proveniente de florestas ameaçadas ou importantes para conservação no Canadá.
“A vitória obtida pelo Greenpeace e outras oito ONGs contra os destruidores das florestas no Canadá, consolidada no acordo assinado hoje, além de grande notícia para a biodiversidade e o clima no planeta, demole o discurso pseudo-nacionalista de gente como o deputado Aldo Rebelo e a bancada da motosserra no Congresso, que justificam o desmatamento acusando quem defende florestas aqui de fazer parte de uma conspiração imperialista contra o desenvolvimento do Brasil”, diz Paulo Adário, diretor da Campanha de Amazônia do Greenpeace brasileiro.
Stênio Fernandes
O alce das florestas boreais canadenses está em perigo de extinção.
Acordo ambicioso e inédito entre a Associação de Produtos da Floresta (APF), organização canadense que regula empresas do setor de madeira e celulose, e uma coalizão de nove ONG´s, entre elas o Greenpeace, selou oficialmente moratória de três anos para derrubadas na Floresta Boreal do Canadá.
O acordo cobre uma extensão de florestas públicas de 72 milhões de hectares – ou duas vezes o tamanho da Alemanha. Destes, 29 milhões de hectares são de Floresta Boreal, a maior e mais antiga da América do Norte. Sua paisagem de rios, lagos, rochedos e gramíneas é lar para animais selvagens, entre eles, uma espécie de alce em perigo de extinção, santuário para milhões de aves migratórias, além de ser um dos maiores estoques terrestres de carbono do planeta, armazenando 25 bilhões de CO2, ou o equivalente às emissões de 12 bilhões de carros por ano.
Além da moratória, as empresas membros do APF, que fazem uso de dois terços de todas as florestas certificadas do Canadá para fabricação de derivados de madeira, como fibra, polpa de celulose e papel, comprometem-se a seguir padrões de manejo ambiental pioneiros no mundo e desenvolver planos de longo prazo para a recuperação da floresta e proteção da espécie de alce ameaçada.
“Esta é nossa melhor chance de salvar o alce destes bosques, proteger permanentemente a Floresta Boreal, garantir o armazenamento de um imenso estoque de carbono mundial e estabelecer práticas responsáveis inéditas para nossas florestas”, comemora Richard Brooks, Coordenador da Campanha de Florestas do Canadá. Avrim Lazar, presidente da APF, também celebrou a coalizão com os ambientalistas: “As empresas que compõe a Associação identificaram uma forma mais inteligente e produtiva de conciliar desafios econômicos e ambientais”
O acordo coroa uma ação de sete anos em favor da conservação da Floresta Boreal canadense. Em agosto de 2009, o Greenpeace também conseguiu que a fabricante de lenços de papel e papel higiênico Kimberly-Clark, detentora das marcas Kleenex, Scott e Huggies, zerasse o uso de fibra proveniente de florestas ameaçadas ou importantes para conservação no Canadá.
“A vitória obtida pelo Greenpeace e outras oito ONGs contra os destruidores das florestas no Canadá, consolidada no acordo assinado hoje, além de grande notícia para a biodiversidade e o clima no planeta, demole o discurso pseudo-nacionalista de gente como o deputado Aldo Rebelo e a bancada da motosserra no Congresso, que justificam o desmatamento acusando quem defende florestas aqui de fazer parte de uma conspiração imperialista contra o desenvolvimento do Brasil”, diz Paulo Adário, diretor da Campanha de Amazônia do Greenpeace brasileiro.
Stênio Fernandes
Brasil pode economizar cerca de R$ 8 bilhões por ano com reciclagem
De acordo com estudo do Ipea, essa cifra poderá ser alcançada, caso a sociedade brasileira recicle todos os resíduos que são encaminhados aos lixões e aterros sanitários
Se a sociedade brasileira reciclasse todos os resíduos que são encaminhados aos lixões e aterros, poderíamos economizar cerca de R$ 8 bilhões ao ano. Hoje, a economia gerada com a atividade de reciclagem varia de R$ 1,3 a 3 bilhões anualmente.
Os dados são de um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e foram apresentados hoje (14/5), em Brasília, em reunião com as ministras Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, Márcia Lopes, do Desenvolvimento Social, e representantes do Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal.
O levantamento realizou a estimativa dos benefícios econômicos e ambientais da reciclagem. Para se chegar a essa cifra, foram utilizados parâmetros como os custos evitados e os atuais da reciclagem, bem como os custos intrínsecos e econômicos da coleta seletiva.
Outros pontos como a elevação do nível de renda dos catadores, estímulo à profissionalização e elevação da eficiência destes trabalhadores, aumento da coleta de materias específicos e prioritários, grau de organização dos cooperados e incentivo às cooperativas foram elencados no documento como estratégias e objetivos a serem alcançados por meio de uma política de pagamento por serviços ambientais urbanos. O estudo prevê ainda o apoio aos catadores não cooperados.
A ministra Izabella relembrou a possibilidade de aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em tramitação no Senado Federal, e disse que há um esforço do Executivo para aprovar o projeto de lei (PL) que trata do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Ela ressaltou que a solidez técnica do estudo do Ipea conferiu magnitude à proposta, e que os dados apresentados reforçam a oportunidade de aprovar o PL do PSA , bem como de fazer a emenda aditiva do PSA Urbano, que beneficiará os catadores de materiais recicláveis.
"Saímos do campo da percepção para o trabalho com números concretos, baseados em estudo consistente, que vai nos possibilitar a apresentação de uma proposta sólida ao presidente Lula. Queremos promover uma mudança significativa na cadeia de reciclagem e na atividade profissional dos catadores", afirmou. Izabella lembrou ainda que a questão dos resíduos sólidos é fundamental para a redução dos gases de efeito estufa, meta prevista no Plano de Mudanças Climáticas.
De acordo com Márcia Lopes, a aprovação do projeto de PSA será uma expressão da ação dos catadores, e vai garantir o reconhecimento desse trabalho e o acesso à cidadania, além de associar o desenvolvimento do meio ambiente ao social.
Já o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, disse que o trabalho de reciclagem tem permitido o resgate social de grupos historicamente excluídos, e que, caso aprovado o projeto de lei, o pagamento por serviços ambientais urbanos poderá gerar benefícios e inclusão de cerca de um milhão de brasileiros.
Será criado um Grupo de Trabalho (GT) para discutir as medidas legais e institucionais para a implementação do Pagamento por Serviços Ambientais Urbanos (PSAU), e ainda outros mecanismos e aperfeiçoamentos para a viabilização da proposta.
Atualmente, apenas 14% da população brasileira conta com o serviço de coleta seletiva, e somente 3% dos resíduos sólidos urbanos gerados nas cidades são coletados nos municípios.
Marto Sá
Se a sociedade brasileira reciclasse todos os resíduos que são encaminhados aos lixões e aterros, poderíamos economizar cerca de R$ 8 bilhões ao ano. Hoje, a economia gerada com a atividade de reciclagem varia de R$ 1,3 a 3 bilhões anualmente.
Os dados são de um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e foram apresentados hoje (14/5), em Brasília, em reunião com as ministras Izabella Teixeira, do Meio Ambiente, Márcia Lopes, do Desenvolvimento Social, e representantes do Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal.
O levantamento realizou a estimativa dos benefícios econômicos e ambientais da reciclagem. Para se chegar a essa cifra, foram utilizados parâmetros como os custos evitados e os atuais da reciclagem, bem como os custos intrínsecos e econômicos da coleta seletiva.
Outros pontos como a elevação do nível de renda dos catadores, estímulo à profissionalização e elevação da eficiência destes trabalhadores, aumento da coleta de materias específicos e prioritários, grau de organização dos cooperados e incentivo às cooperativas foram elencados no documento como estratégias e objetivos a serem alcançados por meio de uma política de pagamento por serviços ambientais urbanos. O estudo prevê ainda o apoio aos catadores não cooperados.
A ministra Izabella relembrou a possibilidade de aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, em tramitação no Senado Federal, e disse que há um esforço do Executivo para aprovar o projeto de lei (PL) que trata do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). Ela ressaltou que a solidez técnica do estudo do Ipea conferiu magnitude à proposta, e que os dados apresentados reforçam a oportunidade de aprovar o PL do PSA , bem como de fazer a emenda aditiva do PSA Urbano, que beneficiará os catadores de materiais recicláveis.
"Saímos do campo da percepção para o trabalho com números concretos, baseados em estudo consistente, que vai nos possibilitar a apresentação de uma proposta sólida ao presidente Lula. Queremos promover uma mudança significativa na cadeia de reciclagem e na atividade profissional dos catadores", afirmou. Izabella lembrou ainda que a questão dos resíduos sólidos é fundamental para a redução dos gases de efeito estufa, meta prevista no Plano de Mudanças Climáticas.
De acordo com Márcia Lopes, a aprovação do projeto de PSA será uma expressão da ação dos catadores, e vai garantir o reconhecimento desse trabalho e o acesso à cidadania, além de associar o desenvolvimento do meio ambiente ao social.
Já o presidente do Ipea, Márcio Pochmann, disse que o trabalho de reciclagem tem permitido o resgate social de grupos historicamente excluídos, e que, caso aprovado o projeto de lei, o pagamento por serviços ambientais urbanos poderá gerar benefícios e inclusão de cerca de um milhão de brasileiros.
Será criado um Grupo de Trabalho (GT) para discutir as medidas legais e institucionais para a implementação do Pagamento por Serviços Ambientais Urbanos (PSAU), e ainda outros mecanismos e aperfeiçoamentos para a viabilização da proposta.
Atualmente, apenas 14% da população brasileira conta com o serviço de coleta seletiva, e somente 3% dos resíduos sólidos urbanos gerados nas cidades são coletados nos municípios.
Marto Sá
Governo e empresas lançam site que ensina a descartar o lixo eletrônico
Ministra do Meio Ambiente, Isabella Teixeira, assinou acordo nesta segunda.
Ela atribui aumento do lixo eletrônico a forte economia do Brasil.
Do G1, em São Paulo
A Ministra Isabella Teixeira assina acordo de
reciclagem do lixo eletrônico.
(Foto: Gustavo Petró/G1)
O Ministério do Meio Ambiente e o Comitê de Eletrônicos do Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem) lançaram nesta segunda-feira (10) um site que informa o consumidor sobre os procedimentos para descartar e reciclar produtos eletrônicos. O hotsite é o primeiro canal do Brasil reconhecido pelo Ministério que ensinará sobre a logística reversa destes produtos, que poderão ser devolvidos às empresas.
“[Esta iniciativa] Não é apenas sobre acesso a informação”, disse Isabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente. “Estamos nos antecipando a uma lei que está sendo votada que possibilitará que o empreendedor que gera resíduo tenha responsabilidade de recolhê-lo e dar o destino correto.”
No site do Cempre, os consumidores poderão ter informações de como descartar pilhas, lâmpadas, baterias e produtos eletrônicos como computadores, celulares e televisores. Empresas que formam o comitê de eletroeletrônicos do Cempre auxiliam nestas informações, indicando o melhor meio de fazer a devolução e empresas que reciclam os resíduos tecnológicos.
O site integra as iniciativas do convênio assinado nesta segunda-feira pela ministra para a elaboração do diagnóstico qualitativo sobre a reciclagem de produtos do setor no país. “O convênio tem o propósito de apoiar a formatação de políticas públicas para a reciclagem da categoria, uma das principais prioridades do MMA”, afirma Victor Bicca, presidente do Cempre.
A ministra atribuiu a forte economia que o Brasil vive e o alto poder de consumo do povo para que o lixo eletrônico se espalhe de forma descontrolada pelos aterros e lixões. “É uma questão de comportamento do consumidor. O patamar de consumo do Brasil, com acesso a credito e estabilidade econômica, mudou”, afirma a Ministra. “[O povo] precisa ter consciência de como se compra, se descarta ou se guarda os produtos em casa com a devida informação. Teremos uma rede nacional de coleta que irá buscar esses produtos na casa do consumidor e entraremos com uma campanha sobre produção de consumo sustentável no Brasil”.
Alexandre Silvestre
Ela atribui aumento do lixo eletrônico a forte economia do Brasil.
Do G1, em São Paulo
A Ministra Isabella Teixeira assina acordo de
reciclagem do lixo eletrônico.
(Foto: Gustavo Petró/G1)
O Ministério do Meio Ambiente e o Comitê de Eletrônicos do Cempre (Compromisso Empresarial para a Reciclagem) lançaram nesta segunda-feira (10) um site que informa o consumidor sobre os procedimentos para descartar e reciclar produtos eletrônicos. O hotsite é o primeiro canal do Brasil reconhecido pelo Ministério que ensinará sobre a logística reversa destes produtos, que poderão ser devolvidos às empresas.
“[Esta iniciativa] Não é apenas sobre acesso a informação”, disse Isabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente. “Estamos nos antecipando a uma lei que está sendo votada que possibilitará que o empreendedor que gera resíduo tenha responsabilidade de recolhê-lo e dar o destino correto.”
No site do Cempre, os consumidores poderão ter informações de como descartar pilhas, lâmpadas, baterias e produtos eletrônicos como computadores, celulares e televisores. Empresas que formam o comitê de eletroeletrônicos do Cempre auxiliam nestas informações, indicando o melhor meio de fazer a devolução e empresas que reciclam os resíduos tecnológicos.
O site integra as iniciativas do convênio assinado nesta segunda-feira pela ministra para a elaboração do diagnóstico qualitativo sobre a reciclagem de produtos do setor no país. “O convênio tem o propósito de apoiar a formatação de políticas públicas para a reciclagem da categoria, uma das principais prioridades do MMA”, afirma Victor Bicca, presidente do Cempre.
A ministra atribuiu a forte economia que o Brasil vive e o alto poder de consumo do povo para que o lixo eletrônico se espalhe de forma descontrolada pelos aterros e lixões. “É uma questão de comportamento do consumidor. O patamar de consumo do Brasil, com acesso a credito e estabilidade econômica, mudou”, afirma a Ministra. “[O povo] precisa ter consciência de como se compra, se descarta ou se guarda os produtos em casa com a devida informação. Teremos uma rede nacional de coleta que irá buscar esses produtos na casa do consumidor e entraremos com uma campanha sobre produção de consumo sustentável no Brasil”.
Alexandre Silvestre
Barra Mansa promove ‘Semana do Meio Ambiente’
A prefeitura de Barra Mansa, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, promoverá a partir de hoje (24) até 11 de junho, a ‘Semana do Meio Ambiente'. O objetivo é mobilizar a sociedade sobre a importância de sua participação nas questões ambientais. O evento será marcado pela realização de diversas ações, inclusive no dia 2 de junho, antecipando a comemoração pelo Dia Mundial do Meio Ambiente - 5 de junho.
Segundo o prefeito Zé Renato (PMDB), uma das finalidades da iniciativa é integrar toda a população nas atividades de preservação do meio ambiente.
- O Meio Ambiente é um setor que vem desenvolvendo um excelente trabalho e que tem recebido toda atenção de nosso governo. Durante esse período em que acontecerão as atividades de comemoração esperamos contar com o apoio e participação de todos para que os eventos tenham sucesso e alcancem seu objetivo principal, que é a conscientização sobre a importância de preservarmos a natureza - ressaltou Zé Renato.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Marco Chiesse, a ‘Semana do Meio Ambiente' contará com a participação de diferentes entidades de classe, órgãos governamentais e não-governamentais, comércio e outros segmentos.
Na programação estão previstas atividades recreativas, artísticas, turísticas e educativas como, por exemplo, palestras em escolas, ecoturismo, implantação do projeto Eco-óleo, entrega de obras de revitalização do Horto Florestal Municipal, do Parque Centenário, entre outras. Grande parte das ações, no dia 2 de junho, estarão concentradas na Praça da Matriz, onde haverá atividades durante todo o dia.
- As atividades serão descentralizadas para que a população de todo o município possa participar. Durante essas duas semanas teremos a oportunidade de mostrar para a população o que vem sendo desenvolvido no município sobre a questão ambiental, tanto pelo Poder Público quanto pela sociedade. Será um momento em vamos também conscientizar e incentivar as pessoas no sentido de tratar o meio ambiente com mais carinho. Temos trabalhado, a pedido do prefeito Zé Renato, para que os moradores de Barra Mansa tenham uma melhor qualidade de vida e, durante nossas ações, vamos expor vários de nossos projetos - destacou Marco Chiesse.
Publicado em 24/05/2010, às 11h25
Diáro do Vale
Ercília Mercês
Segundo o prefeito Zé Renato (PMDB), uma das finalidades da iniciativa é integrar toda a população nas atividades de preservação do meio ambiente.
- O Meio Ambiente é um setor que vem desenvolvendo um excelente trabalho e que tem recebido toda atenção de nosso governo. Durante esse período em que acontecerão as atividades de comemoração esperamos contar com o apoio e participação de todos para que os eventos tenham sucesso e alcancem seu objetivo principal, que é a conscientização sobre a importância de preservarmos a natureza - ressaltou Zé Renato.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Marco Chiesse, a ‘Semana do Meio Ambiente' contará com a participação de diferentes entidades de classe, órgãos governamentais e não-governamentais, comércio e outros segmentos.
Na programação estão previstas atividades recreativas, artísticas, turísticas e educativas como, por exemplo, palestras em escolas, ecoturismo, implantação do projeto Eco-óleo, entrega de obras de revitalização do Horto Florestal Municipal, do Parque Centenário, entre outras. Grande parte das ações, no dia 2 de junho, estarão concentradas na Praça da Matriz, onde haverá atividades durante todo o dia.
- As atividades serão descentralizadas para que a população de todo o município possa participar. Durante essas duas semanas teremos a oportunidade de mostrar para a população o que vem sendo desenvolvido no município sobre a questão ambiental, tanto pelo Poder Público quanto pela sociedade. Será um momento em vamos também conscientizar e incentivar as pessoas no sentido de tratar o meio ambiente com mais carinho. Temos trabalhado, a pedido do prefeito Zé Renato, para que os moradores de Barra Mansa tenham uma melhor qualidade de vida e, durante nossas ações, vamos expor vários de nossos projetos - destacou Marco Chiesse.
Publicado em 24/05/2010, às 11h25
Diáro do Vale
Ercília Mercês
Polícia Federal ainda procura mais acusados de crimes ambientais
A Polícia Federal ainda não divulgou novo balanço do número de prisões feitas em Mato Grosso e demais Estados na Operação Jurupari. A última informação emitida pela assessoria da superintendência estadual, ontem, no início da noite, apontava 64 presos. A justiça federal mandou prender 72 pessoas (prisões preventivas). Uma grande parte dos presos já prestou depoimento. Em Cuiabá, o secretário adjunto da Seder e ex-superintendente da Sema Afranio Migliari, o ex-secretário estadual de Meio Ambiente Luiz Daldegan, Janete Riva (esposa do presidente da Assembleia, José Riva) os assessores na Assembleia Cristiano Volpato e Adilson José Figueiredo prestaram depoimentos e foram encaminhados para a ala da Polinter. Ainda não foi confirmado se foi transferido de Minas Gerais para Cuiabá o conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado Ubiratan Spinelli.
Os que foram presos na região Norte prestaram depoimentos na delegacia da Polícia Federal em Sinop e foram recambiados para o presídio Ferrugem. Uma fonte de Só Notícias confirmou que eles estão em uma ala que serve como sala de aulas. Os interrogatórios começaram pela manhã e terminaram à tarde. Na região Norte são 28 pessoas na lista para serem presos (veja lista oficial dos que tiveram prisões decretadas clicando aqui). A PF não confirmou se todos foram localizados. O ex-prefeito de Tabaporã Paulo Riva não havia sido encontrado ontem, de acordo com uma fonte.
Só Notícias apurou que a justiça decretou a indisponibilidade de bens de algumas pessoas - algumas não tiveram prisões decretadas.
O serviço de inteligência da federal está apurando as fraudes em projetos para retirar madeiras de fazendas, áreas indígenas, de parques nacionais e terras de índios, há 2 anos. Também aponta que a ilegalidade começa na extração e vai até a venda de madeira e calculou que os negócios chegaram a R$ 900 milhões. Uma parte dos investigados é acusada ainda de disponibilidade de créditos florestais fictícios, e que permitem o desmatamento e retirada ilegal de madeira. A venda ilegal seria feit apor madeireiras, as quais recebem o produto "esquentado" com documentação fraudulenta.
Fonte: Só Notícias/Editoria
Ercília Mercês
Os que foram presos na região Norte prestaram depoimentos na delegacia da Polícia Federal em Sinop e foram recambiados para o presídio Ferrugem. Uma fonte de Só Notícias confirmou que eles estão em uma ala que serve como sala de aulas. Os interrogatórios começaram pela manhã e terminaram à tarde. Na região Norte são 28 pessoas na lista para serem presos (veja lista oficial dos que tiveram prisões decretadas clicando aqui). A PF não confirmou se todos foram localizados. O ex-prefeito de Tabaporã Paulo Riva não havia sido encontrado ontem, de acordo com uma fonte.
Só Notícias apurou que a justiça decretou a indisponibilidade de bens de algumas pessoas - algumas não tiveram prisões decretadas.
O serviço de inteligência da federal está apurando as fraudes em projetos para retirar madeiras de fazendas, áreas indígenas, de parques nacionais e terras de índios, há 2 anos. Também aponta que a ilegalidade começa na extração e vai até a venda de madeira e calculou que os negócios chegaram a R$ 900 milhões. Uma parte dos investigados é acusada ainda de disponibilidade de créditos florestais fictícios, e que permitem o desmatamento e retirada ilegal de madeira. A venda ilegal seria feit apor madeireiras, as quais recebem o produto "esquentado" com documentação fraudulenta.
Fonte: Só Notícias/Editoria
Ercília Mercês
Forte terremoto atinge o Acre
Tremor teve magnitude de 6,5 e ocorreu a 580,5 km de profundidade.
Epicentro localiza-se a 127 km da cidade acreana de Cruzeiro do Sul.
Do G1, em São Paulo
Um forte terremoto de magnitude 6,5 atingiu o Acre nesta segunda-feira (24), segundo o Centro de Pesquisas Geológicas dos EUA.
O tremor correu às 11h18 locais (13h18 de Brasília), a uma profundidade de 580,5 km, de acordo com a agência americana.
O epicentro localizou-se próximo à fronteira com o Peru, e a 127 km a leste-sudeste da cidade de Cruzeiro do Sul.
O técnico em sismologia Jose Roberto Barbosa, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), explicou ao G1 que terremotos são comuns na região. “Ali acontece o encontro das placas de Nazca e da Sul-Americana. São muito comuns terremotos de magnitude elevada, mas de foco muito profundo, como o que aconteceu hoje”, afirma.
De acordo com o técnico, por causa da profundidade do epicentro do tremor, que ocorreu a mais de 580 quilômetros, dificilmente moradores de cidades próximas sentiram o abalo. “Algumas ondas até podem ter sido percebidas em Cruzeiro do Sul e Regente Feijó, mas geralmente elas chegam à superfície bem fracas. Nem sempre o terremoto é sentido, mesmo com essa magnitude”, diz.
Segundo Barbosa, se os abalos acontecessem em uma profundidade menor, certamente seriam sentidos. “Por exemplo, se esse terremoto tivesse acontecido a 200 quilômetros de profundidade, seria notado e assustaria muito as pessoas de cidades próximas.”
O professor Joaquim Ferreira, coordenador do departamento de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), também explica que o tremor foi causado pela movimentação de placas tectônicas. “A placa Nazca está se movimentando e entrando embaixo da placa da América do Sul”, disse ao G1.
O comandante do batalhão dos bombeiros de Cruzeiro do Sul, major Moisés Antônio Silva, disse ao G1 que não houve solicitação de socorro na unidade. "Nós não percebemos nada e já entrei em contato com pessoas que estavam em outros pontos da cidade. Ninguém relatou danos", afirmou.
Segundo o Barbosa, como o tremor principal não foi sentido, as pessoas dificilmente perceberão a ocorrência de abalos secundários, que geralmente possuem magnitudes menores.
Roberto Lapa
Epicentro localiza-se a 127 km da cidade acreana de Cruzeiro do Sul.
Do G1, em São Paulo
Um forte terremoto de magnitude 6,5 atingiu o Acre nesta segunda-feira (24), segundo o Centro de Pesquisas Geológicas dos EUA.
O tremor correu às 11h18 locais (13h18 de Brasília), a uma profundidade de 580,5 km, de acordo com a agência americana.
O epicentro localizou-se próximo à fronteira com o Peru, e a 127 km a leste-sudeste da cidade de Cruzeiro do Sul.
O técnico em sismologia Jose Roberto Barbosa, Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da Universidade de São Paulo (USP), explicou ao G1 que terremotos são comuns na região. “Ali acontece o encontro das placas de Nazca e da Sul-Americana. São muito comuns terremotos de magnitude elevada, mas de foco muito profundo, como o que aconteceu hoje”, afirma.
De acordo com o técnico, por causa da profundidade do epicentro do tremor, que ocorreu a mais de 580 quilômetros, dificilmente moradores de cidades próximas sentiram o abalo. “Algumas ondas até podem ter sido percebidas em Cruzeiro do Sul e Regente Feijó, mas geralmente elas chegam à superfície bem fracas. Nem sempre o terremoto é sentido, mesmo com essa magnitude”, diz.
Segundo Barbosa, se os abalos acontecessem em uma profundidade menor, certamente seriam sentidos. “Por exemplo, se esse terremoto tivesse acontecido a 200 quilômetros de profundidade, seria notado e assustaria muito as pessoas de cidades próximas.”
O professor Joaquim Ferreira, coordenador do departamento de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), também explica que o tremor foi causado pela movimentação de placas tectônicas. “A placa Nazca está se movimentando e entrando embaixo da placa da América do Sul”, disse ao G1.
O comandante do batalhão dos bombeiros de Cruzeiro do Sul, major Moisés Antônio Silva, disse ao G1 que não houve solicitação de socorro na unidade. "Nós não percebemos nada e já entrei em contato com pessoas que estavam em outros pontos da cidade. Ninguém relatou danos", afirmou.
Segundo o Barbosa, como o tremor principal não foi sentido, as pessoas dificilmente perceberão a ocorrência de abalos secundários, que geralmente possuem magnitudes menores.
Roberto Lapa
Congo e UE assinam acordo contra exportação ilegal de madeira
A República do Congo é o primeiro país da bacia florestal do Congo, a maior do planeta após a do Amazonas, a assinar um acordo sobre a exploração da madeira com a União Europeia.
Da Redação, com agência
Bruxelas - A República do Congo e a União Europeia (UE) concluíram, em Bruxelas, um acordo para combater as exportações ilegais de madeira, conforme o Plano de Ação para a Aplicação das Regulamentações Florestais, Governação e Intercâmbios Comerciais (FLEGT), adotado pela UE em 2003.
Segundo um comunicado transmitido hoje à imprensa em Bruxelas, o FLEGT visa "a aplicação de acordos de parceria voluntária com os países produtores de madeira, a fim de impedir a entrada ilegal desta matéria no mercado europeu".
Para garantir a viabilidade dos produtos de madeira, a cláusula obriga operadores a fornecerem informações sobre a descrição, o país de origem, o volume e o peso dos produtos comercializados, bem como o endereço do fornecedor na África, entre outras exigências, informa a Panapress.
Segundo o comunicado, a República do Congo é o primeiro país da bacia florestal do Congo, o maior do planeta após a do Amazonas, a ter assinado um acordo sobre a exploração da madeira com a União Europeia.
As negociações estão em curso entre a UE e outros países da bacia do Congo, com vista à assinatura de convenções sobre a exploração duradoira das florestas.
As exportações de madeira arrecadam anualmente 250 milhões de euros para a economia da República do Congo, representando assim a segunda fonte de receitas do país após o petróleo.
Helder Lima
Da Redação, com agência
Bruxelas - A República do Congo e a União Europeia (UE) concluíram, em Bruxelas, um acordo para combater as exportações ilegais de madeira, conforme o Plano de Ação para a Aplicação das Regulamentações Florestais, Governação e Intercâmbios Comerciais (FLEGT), adotado pela UE em 2003.
Segundo um comunicado transmitido hoje à imprensa em Bruxelas, o FLEGT visa "a aplicação de acordos de parceria voluntária com os países produtores de madeira, a fim de impedir a entrada ilegal desta matéria no mercado europeu".
Para garantir a viabilidade dos produtos de madeira, a cláusula obriga operadores a fornecerem informações sobre a descrição, o país de origem, o volume e o peso dos produtos comercializados, bem como o endereço do fornecedor na África, entre outras exigências, informa a Panapress.
Segundo o comunicado, a República do Congo é o primeiro país da bacia florestal do Congo, o maior do planeta após a do Amazonas, a ter assinado um acordo sobre a exploração da madeira com a União Europeia.
As negociações estão em curso entre a UE e outros países da bacia do Congo, com vista à assinatura de convenções sobre a exploração duradoira das florestas.
As exportações de madeira arrecadam anualmente 250 milhões de euros para a economia da República do Congo, representando assim a segunda fonte de receitas do país após o petróleo.
Helder Lima
Conama reconhece interesse
Mais de quatro milhões de propriedades de agricultores familiares e de povos e comunidades tradicionais serão beneficiadas com a Resolução aprovada nesta quinta-feira (29) , em reunião extraordinária, pelo plenário do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). A Resolução reconhece como de interesse social, para fins de produção, algumas atividades desenvolvidas pela agricultura familiar em Áreas de Preservação Permanente (APPs).
A agricultura familiar responde por mais de 90% dos estabelecimentos agropecuários no Brasil , mas ocupa menos de 30% das terras agricultáveis. De acordo com a conselheira Fani Mamede, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a resolução atende alguns dos pontos acertados após um ano e meio de discussões envolvendo o Ministério do Meio Ambiente e representantes de entidades ligadas à agricultura familiar.
"Esse proposta é resultado de um debate maduro e exaustivo. Um debate que veio da base da agricultura familiar", explicou a conselheira.
Entre as atividades reconhecidas como de interesse social estão o pastoreio extensivo tradicional em áreas de campos naturais; o cultivo de espécies lenhosas perenes e o cultivo em áreas de vazante. A decisão vale para atividades já consolidadas até 24 de julho de 2006, data da Lei 11 326, da agricultura familiar.
A aprovação da Resolução se deu em meio ao calor dos debates. A bancada não governamental de São Paulo, assessorada pelo Ministério Público Estadual, entrou com pedido de vistas, alegando que o tema precisava de mais discussões, por conter questões técnicas e legais a serem resolvidas. Como a matéria debatida estava sob regime de urgência, o pedido de vistas foi analisado durante a reunião e o plenário decidiu por colocar a Resolução em votação.
Segundo o diretor de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João de Deus, a Resolução aprovada trata unicamente do reconhecimento de algumas atividades como de interesse social.
"Esse conhecimento vai permitir que o órgão ambiental responsável avalie a regularização de atividades já consolidadas."
João de Deus garantiu não haver, no texto da resolução, qualquer possibilidade de que haja novas supressões ou intervenções em APPs e que o objetivo é permitir apenas a regularização de algum tipo de cultura em algum tipo de APP. "Não serão em todas e, mesmo assim, somente naquelas onde possa ser comprovado que a cultura estava consolidada antes de julho de 2006", explicou.
No texto aprovado, o conceito de pequeno agricultor familiar é o que está previsto na Lei 11.326. Na norma, considera-se agricultor familiar e empreendedor familiar rural aquele que pratica atividades no meio rural, atendendo, simultaneamente, aos seguintes requisitos: I - não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; II - utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; III- tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento; IV - dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.
Donizete Menezes
A agricultura familiar responde por mais de 90% dos estabelecimentos agropecuários no Brasil , mas ocupa menos de 30% das terras agricultáveis. De acordo com a conselheira Fani Mamede, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), a resolução atende alguns dos pontos acertados após um ano e meio de discussões envolvendo o Ministério do Meio Ambiente e representantes de entidades ligadas à agricultura familiar.
"Esse proposta é resultado de um debate maduro e exaustivo. Um debate que veio da base da agricultura familiar", explicou a conselheira.
Entre as atividades reconhecidas como de interesse social estão o pastoreio extensivo tradicional em áreas de campos naturais; o cultivo de espécies lenhosas perenes e o cultivo em áreas de vazante. A decisão vale para atividades já consolidadas até 24 de julho de 2006, data da Lei 11 326, da agricultura familiar.
A aprovação da Resolução se deu em meio ao calor dos debates. A bancada não governamental de São Paulo, assessorada pelo Ministério Público Estadual, entrou com pedido de vistas, alegando que o tema precisava de mais discussões, por conter questões técnicas e legais a serem resolvidas. Como a matéria debatida estava sob regime de urgência, o pedido de vistas foi analisado durante a reunião e o plenário decidiu por colocar a Resolução em votação.
Segundo o diretor de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João de Deus, a Resolução aprovada trata unicamente do reconhecimento de algumas atividades como de interesse social.
"Esse conhecimento vai permitir que o órgão ambiental responsável avalie a regularização de atividades já consolidadas."
João de Deus garantiu não haver, no texto da resolução, qualquer possibilidade de que haja novas supressões ou intervenções em APPs e que o objetivo é permitir apenas a regularização de algum tipo de cultura em algum tipo de APP. "Não serão em todas e, mesmo assim, somente naquelas onde possa ser comprovado que a cultura estava consolidada antes de julho de 2006", explicou.
No texto aprovado, o conceito de pequeno agricultor familiar é o que está previsto na Lei 11.326. Na norma, considera-se agricultor familiar e empreendedor familiar rural aquele que pratica atividades no meio rural, atendendo, simultaneamente, aos seguintes requisitos: I - não detenha, a qualquer título, área maior do que 4 (quatro) módulos fiscais; II - utilize predominantemente mão-de-obra da própria família nas atividades econômicas do seu estabelecimento ou empreendimento; III- tenha renda familiar predominantemente originada de atividades econômicas vinculadas ao próprio estabelecimento ou empreendimento; IV - dirija seu estabelecimento ou empreendimento com sua família.
Donizete Menezes
Meio Ambiente e Esporte lançam Copa Verde
O Brasil vai transformar as duas maiores competições esportivas do mundo - a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 - em exemplos de eventos verdes, colocando critérios ambientais em primeiro plano nos projetos e na gestão estratégica dos empreendimentos que serão construídos para a realização desses eventos.
Para que a meta seja atingida, os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do Esporte, Orlando Silva, assinaram, na abertura da reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), acordo de cooperação para criar e implementar a agenda sustentável nos próximos anos. A iniciativa conta com apoio da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema) e da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma).
A parceria vai facilitar o licenciamento ambiental dos empreendimentos prioritários dos eventos esportivos para evitar impasses que possam atrasar as obras previstas no cronograma brasileiro. A ideia é abrir o diálogo entre os responsáveis pela criação dos empreendimentos com os responsáveis pelo licenciamento ambiental na busca por soluções conjuntas, com garantias de proteção do meio ambiente.
"Estamos entrando em campo para 'jogar' as preparatórias para a Copa do Mundo", disse Izabella Teixeira, que presidiu pela primeira
vez como ministra de Estado, a reunião do Conama.
Ela destacou a importância da cooperação técnica entre os dois ministérios, e contou que acaba de regressar da África do Sul, onde pôde conhecer o que aquele país tem feito, em termos ambientais, para o torneio que começa em junho próximo. Segundo a ministra, "o termo assinado hoje, além do ponto de vista político, é muito importante para a gestão ambiental, porque envolve os estados e municípios em uma nova prática de modernização do licenciamento ambiental".
Um grupo de trabalho ficará responsável pela elaboração de uma agenda sustentável, com propostas de políticas sustentáveis para a Copa e para as Olimpíadas no Brasil. O grupo também vai buscar parcerias para implementar experiências bem sucedidas em edições anteriores desses eventos. "Essa agenda conjunta vai servir para dar mais transparência ao conjunto de investimentos que serão feitos nesses dois eventos. É um 'golaço' antecipado", avaliou Izabella.
Fazem parte do grupo de trabalho representantes do MMA, Ministério do Esporte, Ibama, Instituto Chico Mendes (ICMBio), Agência Nacional de Águas, Abema e Anamma. A ideia é aproveitar a paixão do brasileiro pelo futebol para estimular a participação dos torcedores a adotarem medidas de proteção ambiental no dia a dia.
Donizete Menezes
Para que a meta seja atingida, os ministros do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e do Esporte, Orlando Silva, assinaram, na abertura da reunião do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), acordo de cooperação para criar e implementar a agenda sustentável nos próximos anos. A iniciativa conta com apoio da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema) e da Associação Nacional de Órgãos Municipais de Meio Ambiente (Anamma).
A parceria vai facilitar o licenciamento ambiental dos empreendimentos prioritários dos eventos esportivos para evitar impasses que possam atrasar as obras previstas no cronograma brasileiro. A ideia é abrir o diálogo entre os responsáveis pela criação dos empreendimentos com os responsáveis pelo licenciamento ambiental na busca por soluções conjuntas, com garantias de proteção do meio ambiente.
"Estamos entrando em campo para 'jogar' as preparatórias para a Copa do Mundo", disse Izabella Teixeira, que presidiu pela primeira
vez como ministra de Estado, a reunião do Conama.
Ela destacou a importância da cooperação técnica entre os dois ministérios, e contou que acaba de regressar da África do Sul, onde pôde conhecer o que aquele país tem feito, em termos ambientais, para o torneio que começa em junho próximo. Segundo a ministra, "o termo assinado hoje, além do ponto de vista político, é muito importante para a gestão ambiental, porque envolve os estados e municípios em uma nova prática de modernização do licenciamento ambiental".
Um grupo de trabalho ficará responsável pela elaboração de uma agenda sustentável, com propostas de políticas sustentáveis para a Copa e para as Olimpíadas no Brasil. O grupo também vai buscar parcerias para implementar experiências bem sucedidas em edições anteriores desses eventos. "Essa agenda conjunta vai servir para dar mais transparência ao conjunto de investimentos que serão feitos nesses dois eventos. É um 'golaço' antecipado", avaliou Izabella.
Fazem parte do grupo de trabalho representantes do MMA, Ministério do Esporte, Ibama, Instituto Chico Mendes (ICMBio), Agência Nacional de Águas, Abema e Anamma. A ideia é aproveitar a paixão do brasileiro pelo futebol para estimular a participação dos torcedores a adotarem medidas de proteção ambiental no dia a dia.
Donizete Menezes
São Paulo tem ao menos 700 espécies de animais silvestres
A Secretaria do Verde apresentou neste sábado (22), Dia Nacional da Biodiversidade, a nova lista de animais silvestres observados nas áreas verdes da São Paulo. O evento ocorreu no auditório do Museu de Arte Moderna.
Pela primeira vez, os pesquisadores fotografaram as onças paulistanas. Para muitos moradores da Zona Sul, a existência desses felinos nos arredores da cidade era pura lenda.
Em Marsilac, extremo sul da capital, as aventuras da onça eram conhecidas. Mas nunca nenhum morador havia conseguido tirar uma foto da fera. E a comunidade, então, se dividiu entre os que acreditavam e os que duvidavam da existência do bicho.
“É um pouco de folclore”, diz a comerciante Shênia Andréia. “Ela existe. Eu já vi pegadas”, conta Maria Lúcia Cirillo, presidente da associação de moradores.
Pois a onça, de fato, existe. E são pelo menos duas, ambas pardas: uma fêmea e um macho. Elas foram fotografadas com câmeras com sensores de temperatura e movimento, que ficaram dois meses na mata.
No local, ainda foi encontrado um muriqui-do-sul, também conhecido como mono-carvoeiro, um macaco de 15 kg. Ele entrou pela primeira vez para a lista de animais silvestres de São Paulo. A lista conta com 700 espécies. No último levantamento, feito em 2006, eram 433. Só de aves, são mais de 80 espécies novas.
“A importância dessa lista é mostrar que São Paulo, mesmo sendo a maior cidade da América do Sul, também tem uma riqueza muito grande de fauna”, diz Anelisa Ferreira de Almeida Magalhães, coordenadora do levantamento de fauna do município.
Em Marsilac, as fotos da onça acabaram com o mistério, mas não diminuíram a fascinação pelo bicho. Falta só a coragem para encarar a fera. Quem não tem pode ver as imagens na exposição “A cidade de São Paulo e a Biodiversidade”. A mostra aconteceu na Marquise do Ibirapuera até este domingo (23).
GEORGE CABRAL
Pela primeira vez, os pesquisadores fotografaram as onças paulistanas. Para muitos moradores da Zona Sul, a existência desses felinos nos arredores da cidade era pura lenda.
Em Marsilac, extremo sul da capital, as aventuras da onça eram conhecidas. Mas nunca nenhum morador havia conseguido tirar uma foto da fera. E a comunidade, então, se dividiu entre os que acreditavam e os que duvidavam da existência do bicho.
“É um pouco de folclore”, diz a comerciante Shênia Andréia. “Ela existe. Eu já vi pegadas”, conta Maria Lúcia Cirillo, presidente da associação de moradores.
Pois a onça, de fato, existe. E são pelo menos duas, ambas pardas: uma fêmea e um macho. Elas foram fotografadas com câmeras com sensores de temperatura e movimento, que ficaram dois meses na mata.
No local, ainda foi encontrado um muriqui-do-sul, também conhecido como mono-carvoeiro, um macaco de 15 kg. Ele entrou pela primeira vez para a lista de animais silvestres de São Paulo. A lista conta com 700 espécies. No último levantamento, feito em 2006, eram 433. Só de aves, são mais de 80 espécies novas.
“A importância dessa lista é mostrar que São Paulo, mesmo sendo a maior cidade da América do Sul, também tem uma riqueza muito grande de fauna”, diz Anelisa Ferreira de Almeida Magalhães, coordenadora do levantamento de fauna do município.
Em Marsilac, as fotos da onça acabaram com o mistério, mas não diminuíram a fascinação pelo bicho. Falta só a coragem para encarar a fera. Quem não tem pode ver as imagens na exposição “A cidade de São Paulo e a Biodiversidade”. A mostra aconteceu na Marquise do Ibirapuera até este domingo (23).
GEORGE CABRAL
Energia do mar: soluções para o aquecimento global
Nesse clima global de ameaça ao clima global por conta da poluição por combustíveis fósseis e até pum de cupim, parece que finalmente nossos governantes acordaram ou limparam os ouvidos. Agora já discutem e escutam com mais atenção o alerta da comunidade científica sobre o aquecimento da Terra. A poluição atmosférica e seus efeitos climáticos, uma ameaça real e iminente para as próximas gerações, de proporções catastróficas, faz com que vários países retomem as pesquisas no sentido de tornar economicamente viável a geração de energia limpa a partir de fontes alternativas. E o mar inspira e lidera cada vez mais iniciativas tecnológicas na busca de soluções em curto prazo para o pior que vem aí. Se é que ainda dá tempo. Clique aqui para conhecer, em imagens, alguns desses projetos.
No mar a energia elétrica pode ser obtida a partir de ondas, correntes de maré, ventos, gradientes horizontais de salinidade e gradientes verticais de temperatura. Já existem protótipos e projetos em estágios mais avançados de funcionamento e aqui estão alguns exemplos:
Energia das marés - O mais estável e previsível dos processos oceanográficos com potencial para extração de energia elétrica é a circulação diária das marés. Existem basicamente duas possibilidades de extrair energia das marés: usinas de barragem e turbinas aquáticas. O primeiro é formado por uma barragem com turbinas na base que aproveita o desnível da água de ambos os lados da barragem em função do ciclo de marés.
A maior usina de barragem de maré funciona no estuário do rio Rance, no norte da França, com capacidade de produzir 240 MW. Atualmente, para atender ao protocolo de Kioto, que regula a emissão de carbono na atmosfera, o governo da Grã-Bretanha está estudando a possibilidade de gerar um quinto da demanda de eletricidade do país com a construção de uma usina de barragem no estuário do rio Severn. Também existem turbinas semelhantes no Canadá (20 MW) e China (40 KW). O maior problema com esse sistema é o impacto ambiental decorrente da construção da barragem em regiões estuarinas. No Brasil isso seria uma catástrofe do ponto de vista ambiental e sócio-econômico. Veja algumas dessas barragens.
Do ponto de vista ambiental, a tecnologia mais apropriada de obtenção de energia das marés é a instalação de turbinas subaquáticas como as da empresa Marine Current Turbines Ltd. Funcionam como moinhos de vento, mas são submersos e captam a energia das correntes geradas pelos ciclos de maré. Cada unidade gera entre 750 e 1500 KW dependendo da corrente local. Confira imagens das turbinas.
Energia das ondas - Estima-se que a energia contida nas ondas em todos os oceanos seja de aproximadamente dois trilhões de watts (o equivalente a 2 mil GW). Estudos feitos na costa oeste americana estimam que em média cada metro linear de onda produza entre 40 e 70 KW. Projetos de extração de energia diretamente do movimento das ondas na superfície, ou das variações de pressão em subsuperfície decorrentes do movimento ondulatório no mar vêm sendo investigados por Escócia, Canadá, Austrália, África do Sul e Estados Unidos. A empresa Ocean Power Delivery prevê extrair 2,25 MW de suas máquinas Pelamis nas costas de Portugal. São quatro cilindros de aço inox com juntas articuladas que se movimentam com as ondas gerando energia elétrica. Veja imagens e vídeo dos projetos.
Gradientes térmicos verticais – Diferenças de temperatura entre a superfície ensolarada e o fundo escuro são características permanentes em regiões tropicais. Quem já teve o prazer de ir fundo no mar durante o verão já sentiu como a água é mais fria lá embaixo. Esse é um gradiente térmico vertical, que os oceanógrafos chamam de termoclina, pode ser diário quando se considera as diferenças de temperatura nos primeiros centímetros da água entre o dia e a noite; pode ser sazonal, ocorrendo apenas durante o verão em regiões temperadas, ou permanente como ocorre nas águas tropicais onde a radiação solar esquenta a superfície do mar o ano todo, mantendo diferenças térmicas marcantes entre a superfície e o fundo que podem chegar a 10 graus.
A idéia de energia elétrica extraída a partir de gradientes térmicos no mar foi concebida na França pelo físico Jacques Arsene d’Arsonval, em 1881. O princípio do sistema OTEC (Ocean Thermal Energy Conversion) é evaporar amônia com a água quente de superfície que se expande movimentando turbinas que geram energia elétrica. Em seguida a amônia é condensada pela água fria bombeada dos níveis abaixo da termoclina permanente, retornando ao sistema na forma líquida e fechando o ciclo. Clique para ver as turbinas.
Em 1930 George Claude, discípulo de Arsonval, construiu em Cuba a primeira planta de geração de energia a partir do gradiente de temperatura, e uma outra no Brasil em 1935. Eram protótipos que foram destruídos pelo mau tempo. Uma nova tentativa foi feita mais tarde na década de 50 pelos franceses na Costa do Marfim, África. Os custos operacionais inviabilizaram sua construção e a idéia foi novamente abandonada. Mas uma boa idéia não deixa de ser boa só porque não foi executada corretamente.
A partir de 1974 os Estados Unidos assumiram a liderança na pesquisa de novos OTECs na tentativa de reduzir custos de construção e atingir a viabilidade econômica. Além dos sistemas fechados com amônia, existe um sistema aberto no qual a água quente da superfície é bombeada para uma câmara de vácuo, evaporando e expandindo-se, movimentando turbinas. A água fria profunda bombeada para o sistema condensa o vapor formando água doce, que é aproveitada para consumo. Em 1979, uma parceria entre o governo americano e empresas privadas viabilizou um pequeno sistema OTEC em um navio ancorado ao largo do Hawaii. O sistema produziu energia suficiente para iluminar o navio e manter os computadores ligados. O sistema OTEC também canaliza a água fria profunda para sistemas de refrigeração e resfriamento de solos, viabilizando a agricultura de espécies de clima temperado em clima tropical.
Gradientes osmóticos – No mar existem diferenças de salinidade no plano horizontal e vertical, sobretudo na zona costeira. Quando rios desembocam no mar (isto é, os estuários), o encontro da água doce com a água salgada forma gradientes salinos marcantes, que podem gerar energia. Quem não se lembra do termo osmose? Quando uma solução menos salgada é separada de uma outra solução com mais sal por uma membrana semipermeável (isto é, que só deixa passar a água e não o sal que esta nela dissolvido), a água atravessa essa membrana no sentido “menos salgado para o mais salgado” buscando o equilíbrio osmótico. Ou seja, após algum tempo as duas soluções têm a mesma concentração de sal. Esse fluxo de água através de membranas semipermeáveis para equilibrar a pressão osmótica pode ser usado para girar turbinas.
Trata-se de uma tecnologia limpa, que no futuro pode ser usada em nossos estuários, sobretudo nos da região amazônica, mais carente em energia limpa. Não há impacto ambiental, a não ser aquele decorrente da própria construção, uma vez que o sistema não consome água ou sais, e não interfere no fluxo natural de água doce para o mar.
Ventos offshore - A tecnologia de extração de energia elétrica do vento desenvolveu-se exponencialmente nos últimos 25 anos, sobretudo na Europa e Estados Unidos. Mas o potencial dos ventos em regiões distantes da costa (ventos offshore) é maior. O único obstáculo são as instalações em águas com mais de 30 metros de profundidade. Nesse caso, o sistema precisa ser ancorado como ilustrado na figura. O potencial estimado de energia a partir de ventos offshore entre 5 e 50 milhas náuticas ao longo de toda a costa americana foi estimado em 907 GW, ou seja, maior que a capacidade total instalada no país.
Não foi à toa que os franceses selecionaram o Brasil para sediar uma das primeiras OTECs experimentais em 1935. Nosso país é privilegiado em relação a gradientes ambientais com potencial para geração de energia elétrica a partir dos ventos costeiros e gradientes termohalinos tendo em vista a ocorrência de termoclinas permanentes e próximas à superfície (e.g., regiões central e nordeste) e estuários ao longo de quase toda a costa brasileira. O sistema OTEC pode ser aplicado no nordeste para refrigeração de prédios públicos e para a cultura de espécies de clima frio. A geração de energia de marés pode ser uma alternativa na região norte (p.ex., Golfo Maranhense) onde as variações de maré são maiores.
O potencial no Brasil em relação à energia eólica em áreas de plataforma rasa também é enorme, sobretudo no norte e nordeste com a incidência constante dos ventos alíseos que, por enquanto, só movimentam jangadas. Já existem moinhos costeiros no Município de Osório (RS) em funcionamento. Não há porque não expandi-los para outras partes da região sudeste-sul e, principalmente para o norte-nordeste, onde a incidência dos ventos alíseos permite a viabilidade econômica de projetos dessa natureza.
É isso aí, gente! O mar é uma esperança futura de produção de energia limpa. O salvador de todas as pátrias em termos energéticos. Só resta esperar pela escassez e conseqüente aumento do preço dos combustíveis fósseis para que energias limpas extraídas do potencial marítimo tornem-se comercialmente competitivas e vençam a batalha pela demanda cega e desenfreada de nosso consumo suicida.
Ynhoene Carvalho
No mar a energia elétrica pode ser obtida a partir de ondas, correntes de maré, ventos, gradientes horizontais de salinidade e gradientes verticais de temperatura. Já existem protótipos e projetos em estágios mais avançados de funcionamento e aqui estão alguns exemplos:
Energia das marés - O mais estável e previsível dos processos oceanográficos com potencial para extração de energia elétrica é a circulação diária das marés. Existem basicamente duas possibilidades de extrair energia das marés: usinas de barragem e turbinas aquáticas. O primeiro é formado por uma barragem com turbinas na base que aproveita o desnível da água de ambos os lados da barragem em função do ciclo de marés.
A maior usina de barragem de maré funciona no estuário do rio Rance, no norte da França, com capacidade de produzir 240 MW. Atualmente, para atender ao protocolo de Kioto, que regula a emissão de carbono na atmosfera, o governo da Grã-Bretanha está estudando a possibilidade de gerar um quinto da demanda de eletricidade do país com a construção de uma usina de barragem no estuário do rio Severn. Também existem turbinas semelhantes no Canadá (20 MW) e China (40 KW). O maior problema com esse sistema é o impacto ambiental decorrente da construção da barragem em regiões estuarinas. No Brasil isso seria uma catástrofe do ponto de vista ambiental e sócio-econômico. Veja algumas dessas barragens.
Do ponto de vista ambiental, a tecnologia mais apropriada de obtenção de energia das marés é a instalação de turbinas subaquáticas como as da empresa Marine Current Turbines Ltd. Funcionam como moinhos de vento, mas são submersos e captam a energia das correntes geradas pelos ciclos de maré. Cada unidade gera entre 750 e 1500 KW dependendo da corrente local. Confira imagens das turbinas.
Energia das ondas - Estima-se que a energia contida nas ondas em todos os oceanos seja de aproximadamente dois trilhões de watts (o equivalente a 2 mil GW). Estudos feitos na costa oeste americana estimam que em média cada metro linear de onda produza entre 40 e 70 KW. Projetos de extração de energia diretamente do movimento das ondas na superfície, ou das variações de pressão em subsuperfície decorrentes do movimento ondulatório no mar vêm sendo investigados por Escócia, Canadá, Austrália, África do Sul e Estados Unidos. A empresa Ocean Power Delivery prevê extrair 2,25 MW de suas máquinas Pelamis nas costas de Portugal. São quatro cilindros de aço inox com juntas articuladas que se movimentam com as ondas gerando energia elétrica. Veja imagens e vídeo dos projetos.
Gradientes térmicos verticais – Diferenças de temperatura entre a superfície ensolarada e o fundo escuro são características permanentes em regiões tropicais. Quem já teve o prazer de ir fundo no mar durante o verão já sentiu como a água é mais fria lá embaixo. Esse é um gradiente térmico vertical, que os oceanógrafos chamam de termoclina, pode ser diário quando se considera as diferenças de temperatura nos primeiros centímetros da água entre o dia e a noite; pode ser sazonal, ocorrendo apenas durante o verão em regiões temperadas, ou permanente como ocorre nas águas tropicais onde a radiação solar esquenta a superfície do mar o ano todo, mantendo diferenças térmicas marcantes entre a superfície e o fundo que podem chegar a 10 graus.
A idéia de energia elétrica extraída a partir de gradientes térmicos no mar foi concebida na França pelo físico Jacques Arsene d’Arsonval, em 1881. O princípio do sistema OTEC (Ocean Thermal Energy Conversion) é evaporar amônia com a água quente de superfície que se expande movimentando turbinas que geram energia elétrica. Em seguida a amônia é condensada pela água fria bombeada dos níveis abaixo da termoclina permanente, retornando ao sistema na forma líquida e fechando o ciclo. Clique para ver as turbinas.
Em 1930 George Claude, discípulo de Arsonval, construiu em Cuba a primeira planta de geração de energia a partir do gradiente de temperatura, e uma outra no Brasil em 1935. Eram protótipos que foram destruídos pelo mau tempo. Uma nova tentativa foi feita mais tarde na década de 50 pelos franceses na Costa do Marfim, África. Os custos operacionais inviabilizaram sua construção e a idéia foi novamente abandonada. Mas uma boa idéia não deixa de ser boa só porque não foi executada corretamente.
A partir de 1974 os Estados Unidos assumiram a liderança na pesquisa de novos OTECs na tentativa de reduzir custos de construção e atingir a viabilidade econômica. Além dos sistemas fechados com amônia, existe um sistema aberto no qual a água quente da superfície é bombeada para uma câmara de vácuo, evaporando e expandindo-se, movimentando turbinas. A água fria profunda bombeada para o sistema condensa o vapor formando água doce, que é aproveitada para consumo. Em 1979, uma parceria entre o governo americano e empresas privadas viabilizou um pequeno sistema OTEC em um navio ancorado ao largo do Hawaii. O sistema produziu energia suficiente para iluminar o navio e manter os computadores ligados. O sistema OTEC também canaliza a água fria profunda para sistemas de refrigeração e resfriamento de solos, viabilizando a agricultura de espécies de clima temperado em clima tropical.
Gradientes osmóticos – No mar existem diferenças de salinidade no plano horizontal e vertical, sobretudo na zona costeira. Quando rios desembocam no mar (isto é, os estuários), o encontro da água doce com a água salgada forma gradientes salinos marcantes, que podem gerar energia. Quem não se lembra do termo osmose? Quando uma solução menos salgada é separada de uma outra solução com mais sal por uma membrana semipermeável (isto é, que só deixa passar a água e não o sal que esta nela dissolvido), a água atravessa essa membrana no sentido “menos salgado para o mais salgado” buscando o equilíbrio osmótico. Ou seja, após algum tempo as duas soluções têm a mesma concentração de sal. Esse fluxo de água através de membranas semipermeáveis para equilibrar a pressão osmótica pode ser usado para girar turbinas.
Trata-se de uma tecnologia limpa, que no futuro pode ser usada em nossos estuários, sobretudo nos da região amazônica, mais carente em energia limpa. Não há impacto ambiental, a não ser aquele decorrente da própria construção, uma vez que o sistema não consome água ou sais, e não interfere no fluxo natural de água doce para o mar.
Ventos offshore - A tecnologia de extração de energia elétrica do vento desenvolveu-se exponencialmente nos últimos 25 anos, sobretudo na Europa e Estados Unidos. Mas o potencial dos ventos em regiões distantes da costa (ventos offshore) é maior. O único obstáculo são as instalações em águas com mais de 30 metros de profundidade. Nesse caso, o sistema precisa ser ancorado como ilustrado na figura. O potencial estimado de energia a partir de ventos offshore entre 5 e 50 milhas náuticas ao longo de toda a costa americana foi estimado em 907 GW, ou seja, maior que a capacidade total instalada no país.
Não foi à toa que os franceses selecionaram o Brasil para sediar uma das primeiras OTECs experimentais em 1935. Nosso país é privilegiado em relação a gradientes ambientais com potencial para geração de energia elétrica a partir dos ventos costeiros e gradientes termohalinos tendo em vista a ocorrência de termoclinas permanentes e próximas à superfície (e.g., regiões central e nordeste) e estuários ao longo de quase toda a costa brasileira. O sistema OTEC pode ser aplicado no nordeste para refrigeração de prédios públicos e para a cultura de espécies de clima frio. A geração de energia de marés pode ser uma alternativa na região norte (p.ex., Golfo Maranhense) onde as variações de maré são maiores.
O potencial no Brasil em relação à energia eólica em áreas de plataforma rasa também é enorme, sobretudo no norte e nordeste com a incidência constante dos ventos alíseos que, por enquanto, só movimentam jangadas. Já existem moinhos costeiros no Município de Osório (RS) em funcionamento. Não há porque não expandi-los para outras partes da região sudeste-sul e, principalmente para o norte-nordeste, onde a incidência dos ventos alíseos permite a viabilidade econômica de projetos dessa natureza.
É isso aí, gente! O mar é uma esperança futura de produção de energia limpa. O salvador de todas as pátrias em termos energéticos. Só resta esperar pela escassez e conseqüente aumento do preço dos combustíveis fósseis para que energias limpas extraídas do potencial marítimo tornem-se comercialmente competitivas e vençam a batalha pela demanda cega e desenfreada de nosso consumo suicida.
Ynhoene Carvalho
Assinar:
Postagens (Atom)