quarta-feira, 26 de maio de 2010

Perda sem fronteiras

São Paulo - O incêndio que destruiu o acervo científico do Butantan, na manhã do último sábado, representou uma perda irreparável não apenas para o próprio Instituto, mas também para outras instituições de pesquisa. O Butantan armazenava exemplares emprestados de outras instituições, como os museus de zoologia de Londres, Paris e da Universidade de São Paulo (USP). Livros raros também se foram para sempre.

O levantamento oficial sobre as perdas ainda não começou, mas já se sabe que a maior coleção de cobras da região neotropical foi perdida. Iniciada há 120 anos, a coleção tinha cerca de 85 mil cobras, de centenas de espécies, além de cerca de 450 mil exemplares de aranhas e escorpiões.

Entre os milhares de animais incinerados estavam centenas de “tipos”, que são os primeiros exemplares usados para a descrição de uma espécie e que se torna a referência para ela. Toda vez que um pesquisador quiser confrontar dados, é ao “tipo” que ele vai recorrer. Segundo Hussam Zaher, diretor do Museu de Zoologia da USP, cerca de 30 % dos “tipos” de serpentes foram perdidos no incêndio.

Além disso, muitos dos animais queimados eram exemplares únicos de espécies raras ou já extintas, como a Corallus cropanii, espécie de serpente endêmica do Estado de São Paulo. Atualmente, havia apenas quatro exemplares do animal, três deles estavam no Butantan. Além da C. cropanni, exemplares raros dos gêneros Sordellina, Gomesophis e Siphlophis se foram.

Por Lawetna Tôrres (0505)

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