segunda-feira, 19 de abril de 2010

Erupção do vulcão islandês não tem data para terminar, dizem especialistas

Não há previsão de quando a erupção do vulcão Eyjafjallajoekull, na Islândia, deve terminar, segundo especialistas. Enquanto a nuvem de fumaça que interrompeu o tráfego aéreo no continente europeu ficou mais baixa, chegando a cinco quilômetros de altura, foram registrados tremores na região, o que indica mais atividade vulcânica e acúmulo de gás no subsolo, e isso é um sinal que possivelmente novas erupções acontecerão. Com isso, os problemas enfrentados nos últimos quatro dias podem voltar a atormentar passageiros que tentam se locomover pela Europa, chegar ou sair de lá.

“Estamos vendo sinais misturados,” disse à Reuters o geofísico Einar Kajartansson, do Serviço Meteorológico Islandês. “Existem alguns indícios que a erupção está diminuindo, e outros que ela está aumentando”.

Embora não tenha sido uma erupção particularmente violenta, como a do monte Pinatubo, nas Filipinas, em 1991, o vulcão islandês tem algumas particularidades: o fato de estar embaixo de uma geleira faz com que o magma, rocha quente em estado líquido que é expelida, se solidifique em contato com as baixas temperaturas e vire cinza em vez de lava. A cinza se mistura com o vapor do gelo derretido pelo calor do vulcão e a nuvem está formada.


Nuvem de cinzas gerada por vulcão na Islândia

A composição química deste magma, rica em silício, faz com que o magma seja mais viscoso, o que aumenta ainda mais a chance de se solidificar e se pulverizar em cinza.

Estima-se que o vulcão já derreteu um décimo da geleira, e o gelo mais fino forma um círculo vicioso porque “alimenta” a nuvem com vapor, e não consegue segurar as erupções, como é o caso de geleiras mais espessas. Quando ele acabar, o magma sairia na forma de lava, sem formar nuvens de cinzas.

Lições da história

A última explosão do Eyjafjallajoekull aconteceu em dezembro de 1821, e durou até o início de 1823. Outra preocupação dos cientistas é com o vulcão vizinho Katla, maior e mais violento, cujas erupções costumam acompanhar o Eyjafjallajoekull.

A Islândia está situada na Dorsal Meso-Atlântica, uma região de encontro entre duas placas tectônicas. Por isso, a história do país sempre foi marcada por terremotos e intensa atividade vulcânica. Em 1783, a explosão do vulcão Laki matou um quinto da população do país, envolvendo o resto da Europa numa nuvem de dióxido de enxofre que vitimou milhares de pessoas.

A atividade vulcânica na Islândia segue padrões definidos, de períodos de 50 a 80 anos, disse Thorvaldur Thordarson, especialista em vulcões islandeses da Universidade de Edinburgo, Escócia. “Há uma periodicidade de 50 a 80 anos. O aumento da atividade nos últimos dez anos mostra que estamos entrando numa fase mais ativa,“ explicou à revista New Scientist (www.newscientist.com).

Um estudo de 1998 da Universidade da Islândia mostrou que essas fases costumam ser marcadas por tremores e erupções mais freqüentes, que é o padrão que se mostra agora. Segundo Thordarson, tudo indica que uma dessas fases está se aproximando e deve durar 60 anos, com seu pico entre 2030 e 2040.

(Com informações da Reuters, AP e New Scientist)

Jucicleide Barbosa

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