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SÃO PAULO, SALVADOR - As chuvas que caem desde a madrugada de quinta-feira causam transtornos em Salvador e chegaram à noite a Alagoas. Normalmente, as frentes frias se dissipam bem antes. Desta vez, porém, até o Sul da Amazônia sentiu os efeitos, com queda na temperatura. Entre 3h e 5h da manhã desta sexta choveu em Salvador o equivalente a um dia todo e dezenas de casas ficaram destelhadas. A Coordenadoria de Defesa Civil de Salvador (Codesal) registrou 31 chamados nesta madrugada. Dois muros desabaram e ocorreram 12 deslizamentos de terra. Na Bahia, pelo menos três pessoas morreram até agora.
Os bairros mais atingidos pelos estragos em Salvadorsão Castelo Branco, Tancredo Neves, Águas Claras, Sussuarana, Paripe, Bairro da Paz, Federação e Mussurunga I. Seis escolas municipais tiveram o telhado arrancado.
Em Águas Claras, as casas localizadas na parte mais baixa do bairro foram inundadas. Os moradores protestaram queimando pneus e a polícia foi chamada para conter os manifestantes.
A chuva levou transtornos também para Vitória da Conquista, onde uma adutora rompeu. Em Lauro de Freitas, um rio transbordou. Ruas e avenidas ficaram inundadas. As aulas foram suspensas e devem ser retomadas na segunda-feira.
Em Feira de Santana, um homem morreu arrastado pela correnteza ao tentar atravessar um córrego. Em Prado, no Sul da Bahia, uma pessoa morreu e cerca de 500 ficaram desabrigadas. As águas do córrego da Ribeira do Campinho transbordaram e invadiram diversas casas. Uma mulher de 42 anos também morreu ao pisar em um fio elétrico caído no chão, que seria de uma rede clandestina. Na BR-489, a chuva abriu cratera de 30 metros.
A frente fria deve causar chuva e instabilidade no Nordeste pelo menos até este sábado .
- Essa frente fria é a mais forte do ano até agora. Por ser bem estruturada e não ter encontrado nenhum bloqueio ao longo do caminho, ela já avança pelo Nordeste, o que não é comum, e já causa queda da temperatura no Sul da Amazônia - diz o meteorologista Marcelo Pinheiro, da Climatempo.
A frente teve origem no Rio Grande do Sul, no fim da última semana, e avançou rapidamente pelo Sul e Sudeste. No Rio de Janeiro, causou temporais na noite de segunda e na terça-feira, provocando deslizamentos e mortes. De terça para a quarta-feira, quando passou pelo sul da Bahia, choveu 125 milímetros em Caravelas, no litoral, segundo a Climatempo. Em Salvador, choveu 71 milímetros somente entre 9h de quarta-feira e 9h desta quinta-feira. Até sábado, segundo a Climatempo, a presença desse sistema vai gerar nuvens extremamente pesadas em muitas áreas do Nordeste, principalmente na faixa litorânea entre Salvador e o norte de Alagoas. No interior da região, por conta do surgimento de áreas de instabilidade, há inclusive previsão de temporais no semiárido.
A frente fria veio acompanhada de uma massa de ar polar que causou a queda da temperatura na maior parte do país. No Sudeste, o sistema passou acompanhado de um ciclone extratropical que deixa o mar agitado, com possibilidade de ressaca, pelo menos até sábado. Nos litorais fluminense e paulista, as ondas podem chegar a 4 metros.
Para Naiane Araújo, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a tendência pelo menos até setembro é da passagem de outros sistemas semelhantes no país.
- Nós já estamos no outono, nos aproximando do inverno, e isso fica cada vez mais comum durante a próxima estação. Essa foi apenas a primeira a conseguir subir e atingir o interior da região - diz Naiane.
Any Gabrielly
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