sábado, 6 de março de 2010

Tragédia ambiental nos mares do Brasil

Um veneno que se acumula no fundo dos oceanos está causando a morte de animais marinhos.

Biólogos brasileiros tentam, em vão, salvar a vida de tartarugas e pinguins encontrados na costa brasileira.

A ingestão de lixo é motivo da morte de quatro em cada dez tartarugas, segundo uma pesquisa feita pelo Tamar em cinco Estados brasileiros.

Um pequeno trecho é um exemplo do que acontece no oceano. De longe, parece que a praia está limpa. O problema está nos detalhes escondidos na areia. Há copos plásticos, canudos e isopor.

Durante as férias, de um único quilômetro da praia de Piatã, em Salvador, saem cerca de 7,5 toneladas de lixo por dia. Debaixo da água, esse lixo parece alimento.

Em 2009 o Tamar de Ubatuba analisou a morte de 95 tartarugas. Desse total, cerca de 19% a 20% delas perderam a vida por causa do lixo. Mesmo aquelas que parecem saudáveis, normalmente têm dentro do estomago algum detrito descartado pelo homem. A sopa de plástico estava no estômago do animal, que não resistiu.

“Pelo volume de plástico que a tartaruga engole, ele fica preso em alguns locais do trato. Isso impede que a tartaruga se alimente”, explicou Max Rondon Werneck, veterinário do Tamar-Ubatuba.

Cansados pela longa viagem, os pinguins de Magalhães que chegam ao litoral brasileiro são tratados por centros especializados, como o Instituto Argonauta. No lugar, já se sabe que 90% dos pinguins mortos têm lixo no estômago.

A veterinária do Agronauta Paula Baldassin cuida dos animais em recuperação. Todo mês, ela faz uma avaliação completa de cada bicho. “Foram encontrados poluentes nesses animais que podem causar danos como tumores, câncer e atrapalhar a reprodução do animal. Eles fazem com que a casca do ovo fique fina e o embrião não consiga se desenvolva”, explicou.

“Se a gente parasse totalmente, acabasse totalmente com o descarte de lixo em local errado hoje, nós ainda passaríamos centenas de anos colhendo o lixo que ainda está no mar, que ainda vai demorar centenas de anos para decompor”, alertou Henrique Beker, biólogo e coordenador técnico do Tamar de Ubatuba.

Maria Luciene Cordeiro

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