segunda-feira, 8 de março de 2010

Lixo ameaça reserva ecológica em Olinda

Publicado em 20.06.2009, no Jornal do Commercio
A Reserva Ecológica Mata de Passarinho, único resquício de mata atlântica do município de Olinda, está ameaçada por lixo e erosão causada pela falta de um sistema de drenagem interno. No último dia 21 de maio, o Conselho Estadual de Meio Ambiente (Consema) aprovou projeto para recuperação da área. Mas a promessa completa um mês amanhã e nenhuma ação começou a ser executada.
Com quase 14 hectares, a primeira Unidade de Conservação de Olinda, criada em 1987, continua com as cercas quebradas, repleta de lixo e exala mau cheiro pela decomposição de animais sacrificados em rituais religiosos afro-brasileiros. Não tem sequer administrador.
“É uma imundície generalizada”, resume o produtor de eventos e vizinho da mata, Jonas Silva, 62 anos. Defensor da floresta há cinco anos, ele se define como “um modesto cidadão preocupado com a preservação ambiental”. A ferramenta que usa são palavras. “Denuncio as irregularidades que vejo em Passarinho.”
Numa visita à área, esta semana, ele apontou exemplos da falta de cuidados. O caminho de acesso encontrava-se alagado e a placa indicativa, com letras apagadas, fiação exposta e lâmpadas quebradas. A água, conforme policiais militares que fazem a segurança da Unidade de Conservação, escorre de um reservatório da Compesa que fica próximo da mata. O desperdício se repete todo mês, por dois ou três dias.
O trecho usado para despachos acumula ossada de bode, restos de caranguejo, peneira, vela e saco de comida. Bacia sanitária, computador, televisão, roupa, calçado, isopor e plástico são descartados em meio à vegetação. As atividades de educação ambiental para alunos da rede municipal de ensino estão suspensas desde 2006 por falta de infraestrutura. “No Dia do meio Ambiente levaram os estudantes para uma reserva em Moreno, no Grande Recife”, diz Jonas Silva.
A Prefeitura de Olinda pretende iniciar as obras em agosto próximo, com R$ 201,7 mil. A coordenadora da Associação para Proteção da Mata Atlântica do Nordeste (Amane), Dorinha Melo, informa que organizações não governamentais brasileiras criaram um pacto pela restauração da mata atlântica, este ano. A meta é recuperar 15 milhões de hectares de floresta até 2050.

Nenhum comentário:

Postar um comentário