segunda-feira, 15 de março de 2010

Apesar das chuvas, incêndios ambientais estão em alta

Com o calor, a vegetação fica mais seca e pronta para a combustão: interior está em alerta (foto: Franklin de Freitas)
Mesmo com muita chuva no começo deste ano, o número de incêndios ambientais já é maior que o registrado no mesmo período do ano passado. De 1º de janeiro até ontem eram 1.096 focos de incêndios, um aumento de 19% em relação aos 881 casos que foram registrados no ano passado. “Choveu bastante nestes meses, mas também fez muito calor. E são estas altas temperaturas que preparam a vegetação, deixando ela seca e propícia a incêndios”, explica o chefe da Seção Operacional da Defesa Civil, tenente Eduardo Gomes Pinheiro.

Ontem, apenas seis dos 34 pontos de monitoramento de risco de incêndios ambientais sinalizados no site do Instituto Tecnológico Simepar estavam com risco abaixo do nível moderado na tarde de ontem. De Fernando Pinheiro, há 130 quilômetros de Curitiba, até Foz do Iguaçu, o estado era de alerta entre elevado a extremo para possíveis incêndios florestais. O mesmo acontecia nas regiões Norte, Noroeste e Oeste do Paraná.

Porém, de acordo com ele, o tempo seco e a alta temperatura não são os únicos nem principais fatores para a existência de fogo nas matas. “Infelizmente a ação humana é responsável por muitos dos casos e é só a vegetação estar seca para acontecerem grandes incêndios”, lamenta o tenente Pinheiro.

Apesar de saber que o homem é muitas vezes o culpado, a Defesa Civil não sabe precisar quantos dos casos são originados diretamente pela ação humana. “Não sabemos porque o bombeiro quando chega ao local só vê a consequência, só faz o atendimento, acaba não vendo a causa”, afirma.

Mesmo registrando mais casos de queimadas no começo deste ano, a Defesa Civil não trabalha com a hipótese de que o aumento continuará no restante do ano. “Não podemos afirmar que 2010 é o ano dos incêndios, porque a previsão pode mudar, pode chover mais em um mês e esse índice diminuir. Sabemos que durante o outono e o inverno o tempo é mais seco e é quando ocorrem mais casos, mas vamos acompanhando o que vem pela frente”, esclarece Pinheiro.

Ele informa ainda que a Defesa Civil se prepara para ações durante o ano, independente do período. “Alguns casos são sazonais, como maior número de afogamentos no Litoral no final do ano, incêndios florestais em tempos mais secos. Agora temos a dengue se disseminando em vários municípios, a volta da gripe A para o cenário. Nosso menu é variado”, comenta o tenente.

O risco de incêndios é maior devido à baixa umidade relativa do ar em todo o Paraná. Em Guaíra, na divisa com o Mato Grosso do Sul, o índice ficou perto dos 20% nesta semana. De acordo com o Simepar, a umidade média no Oeste do Paraná estava na casa dos 50% na tarde de ontem.

A umidade relativa do ar deve aumentar neste final de semana, já que em todo o Estado estão previstas pancadas de chuva no sábado e no domingo. Porém, a presença das chuvas não diminui as altas temperaturas no Estado. Em Curitiba, o céu fica encoberto hoje, com variação de temperatura entre 17ºC e 32ºC. No final de semana, as máximas ficam em torno dos 28ºC na Capital.

Postado por Marcia Almeida (0505)

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