
Até então Pernambuco tinha quatro pontos sísmicos identificados, todos no Agreste: dois em Caruaru, um em São Caetano e outro em Belo Jardim. Alagoinha aparece agora como quinto.
Sismólogos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que monitoram terremotos no Nordeste, irão investigar qual o hipocentro (ponto de instabilidade na terra que irradiou a vibração) e o que fez provocar os recentes abalos em Alagoinha
Hipóteses
1- Lineamento Pernambuco
Há suspeita de que a sequência de leves terremotos tenha ligação com a zona de instabilidade do Lineamento Pernambuco, uma falha geológica abaixo do território pernambucano
O Lineamento Pernambuco tem 700 km de extensão e 30 metros de profundidade. Começa no Oceano Atlântico, na cadeia de montanhas submersas (Dorsal Atlântica), e adentra o continente após o Recife, passando por municípios como Pombos, Bezerros, Caruaru e Pesqueira, terminando em Arcoverde. E ressurge em Floresta e vai até Ouricuri, no Sertão do Araripe, quase na divisa com o Piauí
Na região de Alagoinha, há uma estrutura geológica diferenciada. Uma ramificação dessa cadeia pode passar embaixo do município e causar os tremores
É a mesma origem dos tremores em Caruaru e Belo Jardim, no Agreste
2- Zona de fraqueza
Alagoinha pode sofrer reverberação sísmica de alguma área instável próxima e, por ser uma região de falha rochosa, sofrer tremores
Esse comportamento sísmico pode ser temporário, ou o que se chama de "enxame sísmico". Por um tempo determinado a energia acumulada vai se dissipando das rochas até interromper o ciclo
3- Movimento da crosta
O terreno onde se situa Alagoinha pode estar assentado em uma região de falha rochosa e ficar instável depois de uma movimentação da crosta terrestra, embora o Brasil esteja no meio de uma placa tectônica
Fonte: UFRN (Diário de Pernambuco << C5 )
COMO ACONTECE UM TREMOR
- O planeta registra dois tipos de abalos sísmicos: um deles acontece dentro das placas tectônicas (no mundo há doze placas consideradas principais e o Brasil está totalmente sobre a placa tectônica sul-americana) e o outro acontece quando as placas fazem contato umas com as outras
- Sismólogos do Rio Grande do Norte, onde aconteceram os últimos tremores que atingiram o Recife, estão investigando o hipocentro ou foco sísmico do abalo, ou seja, querem saber o local, em profundidade, onde ocorreu uma fratura do material rochoso
- Essa fratura pode ter acontecido no fundo do Oceano Atlântico, por movimentos de afastamentos de placas tectônicas, o que provoca a liberação de energia em forma de ondas que podem chegar à costa continental
- Essa fratura pode ter acontecido por abalos leves no interior das placas na área de João Câmara, no Rio Grande do Norte, região onde normalmente são registrados sismos e que inclui as localidades de Taipu e Poço Branco. Essa é a hipótese mais provável na opinião de especialistas
- O território brasileiro está totalmente situado no interior da placa sul americana. Isso faz com que estejamos relativamente distantes das áreas mais instáveis, que são áreas limítrofes entre as placas tectônicas. A placa sul americana faz limites ao Norte com o Caribe, a Oeste com a Cordilheira dos Andes, ao Sul com a Antártida, e a Leste com a dorsal (cordilheira submarina) do Oceano Atlântico
Zonas sísmicas no Brasil

Mesmo o Brasil tendo estabilidade, o país tem muitas regiões sísmicas. Se reativadas, as centenas de falhas geológicas do país podem ocasionar sismos intraplacas. O Brasil tem 48 falhas mestras
No mundo, existem os países localizados no Cinturão de Fogo, ou seja, em cima de áreas de colisão ou contato de placas. São eles: sudeste da Ásia, Oceania, Oriente Médio, Estados Unidos (Califórnia) e países andinos (Venezuela até a Argentina). São chamadas áreas de formações montanhosas recentes
No Brasil, o Acre é o estado que mais registra sismos fortes. Isso porque, no Oceano Pacífico, a placa de nazca mergulha sob a placa sul americana possibilitando a ocorrência de tremores fortes por contato de placas.
Fonte: geólogos Lucivânio Jatobá e Fábio Pedrosa e Universidade de Brasília Arte/DP
Ynhoara Carvalho
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